Capítulo 8

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      - Eles não te chamaram até hoje - meu pai falou.

      - Calma pai.

      - Mudar não foi uma boa ideia filha. Essa custa mais do que podemos pagar, daqui a pouco as contas vão vencer a comida acabar e...

      - E calma pai - peguei minha bolsa - vou na nossa antiga casa ver se os resultados dos exames da minha mãe chegou, depois vou no hospital atualizar nosso endereço e atualizar nos outros lugares também.

      Fui até nosso antigo bairro e de fato os exames da minha mãe tinham chegado e eles deixaram com a vizinha. Aproveitei que estava no bairro e fui visitar a Giulia, quando cheguei a sua casa e ela me viu pareceu aliviada.

      - Que bom que você apareceu - ela me entregou um papel - tem uma empresa chamada R&W ligou várias vezes aqui em casa procurando por você.

      - Ai meu Deus! Quanto tempo tem isso?

      - A última vez foi semana passada.

      - Eu preciso ir, depois a gente conversa - sai correndo.

      Eu não tinha quase nada de dinheiro, mas o que tinha era suficiente pra pagar minha passagem até a empresa. Desci do ônibus e corri até o local, cheguei suada e ofegante mais cheguei.

      - Boa tarde. Eu gostaria de falar com - só agora que lembrei que não sabia o nome do senhor. Mas em seguida me lembrei do moço mui bonito que se chamava Joseph - o senhor Joseph.

      - Tem hora marcada?

      - Sim - menti - eles me ligaram.

      - Qual seu nome?

      - Amanda Johnson.

      - Sinto muito mas não consta seu nome aqui - ela nem olhou.

      - Mas eles me ligaram.

      - Vou ter que pedir pra você se retirar pacificamente ou eu vou chamar os seguranças.

      - Você não pode pelo menos ligar e dizer que estou aqui?

      - Olha garota, eu tenho mais o que fazer, sai logo da - ela foi interrompida.

      - Bom dia - o moço chamado Joseph falou.

      - O que está acontecendo aqui? - o mais bonito perguntou.

      - Essa garota insiste em dizer que tem hora marcada - ela falou arrumando o terninho dela e descaradamente puxando o busto pra cima.

      - Ela tem hora marcada - o Joseph falou.

      - Preste atenção no seu serviço ou será demitida - o outro falou.

      O Joseph colocou a mão no meu ombro e me levou em direção à um elevador que eu não tenha visto antes, tinha que digitar uma senha pra ele funcionar. Fiquei praticamente vermelha de vergonha quando percebi que teria somente nós três no elevador, mas a vergonha passou por medo e pânico quando me lembrei o que aconteceu quando fiquei sozinha com dois homens.

      - Está tudo bem? - o mais bonito perguntou - a senhorita está tremendo.

      - S sim, é que elevadores lotados me dão agonia - menti.

      - Mas estamos só nós três aqui.

      - Nós três, isso é muito pra mim.

      Chegamos ao último andar e fomos até uma sala, me sentei e logo eles começaram a me encher de perguntas, mas a única coisa que eu pensava era que estava trancada numa sala com dois caras. Isso não me trazia boas recordações. Por isso falei um monte de merda.

      - Olha vou ser sincero com você, não há mais vagas, todas foram preenchidas - o que eu descobri chamar Eduardo falou logo depois que voltou com o Joseph de uma outra porta que tinha na sala dele.

      - Tudo bem - suspirei desanimada, se eu soubesse que eles queriam entrar em contato comigo antes talvez eu teria conseguido uma vaga.

      - Entretanto - o Joseph me cortou - tem uma funcionária que sairá de licença maternidade e pensamos que você pode substituí-la.

...

      Esperei sair do prédio e comecei a dar pulinhos de felicidade. Tá que não era um emprego fixo, mas quem sabe se eu não fizesse um bom trabalho eles não me deriam uma boa carta de recomendação.

      - CONSEGUI - gritei quando cheguei em casa.

      - O que aconteceu minha filha? - meu pai perguntou.

      - Consegui o emprego papai - abracei ele.

      - Que bom princesa.

      A noite fui com minha irmã até a casa da Giulia, chamei ela pra sair pra comemorar e pra minha sorte era noite de folga dela.

  
      - Tem certeza que vai levar sua irmã?

      - Claro, com ela eu ganho prioridade nas filas e lugar no ônibus. Agora seja uma boa amiga e segura a bolsa dela - ela praticamente jogou a bolsa em mim - e olha, com sua irmã vai ficar mais fácil ainda.

      - Aproveitadora - falei rindo.

....

      Quando chamei a Giulia pra sair não estava nos meus planos chegar tarde em casa, mas acabou acontecendo e agora estou aqui lutando pra prestar atenção no que o Joseph me fala.

      - Senhorita Johnson - ele passou a mão na minha frente.

      - Oi. Me desculpe - pedi envergonhada - o que disse?

      - Eu perguntei sobre o que aconteceu ontem.

      - Como assim?

      - A senhorita nós...

      - Pode me chamar de Amanda e referir a mim como você.

      - Pois bem. Ontem você nos disse que elevadores lotados te dão agonia, mas notei que você ficou nervosa na metade do percurso, ou seja, não foi porque tinha duas pessoas além de você no elevador e enquanto lhe fazíamos as perguntas você só ficava se virando pra olhar a porta.

      - É que...

      - Não precisa ficar nervosa - ele falou quando comecei a ficar vermelha - só quero saber se tem algo aqui que a encomode.

      - Não! Não há nada aqui que me incomode - me apressei em dizer - é outra coisa! Não tem nada a ver com aqui.

      - Quer falar sobre isso? - além de lindo ele se preocupava comigo. Que fofo.

      - Tudo bem, mas se quiser falar sobre o que te incomoda algum dia pode vim falar comigo.

      - Claro. Obrigado pela preocupação e pela compreensão.

      - De nada. Mas voltando a falar sobre o que vai fazer. Você vai trabalhar com uma moça chamada Jhenna, ela vai te ensinar tudo que você precisa saber.

Aguardando a FelicidadeHistórias para pegar e não largar. Descubra agora