Capítulo 48

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Horas depois estávamos nos helicópteros indo embora daquele lugar. A Luma é o Eduardo foram em um e eu, as crianças e o Matt em outro. Achei que nos levariam a algum hospital do estado, mas quando acordei e olhei pela janela do hospital percebi que estávamos no local de trabalho do Matt, em Toronto.

      - Parece que a mamãe acordou - ouvi a voz dele atrás de mim e me virei bruscamente.

      - Meu filho - praticamente gritei e tentei saltar da cama, mas minhas pernas doíam muito.

      - Diga oi pra mamãe - ele falou sorrindo e só então me dei conta de que ele estava com meu filho no colo. Fiquei tensa na hora. E se ele percebesse a semelhança?

      - Me dê meu bebê - pedi.

      - Claro - ele me entregou meu filho, foi até a janela e sentou no peitoral - como se sente?

      - Descansada - ele abriu um sorriso divertido.

      - É de se esperar depois de dois dias inteiros dormindo.

      - Para de graça.

      - Não estou brincando - ele adotou a postura de médico dele, pegou a prancheta com meu prontuário e me mostrou enquanto falava - você deu entrada a dois dias atrás, não teve nada muito grave além de desidratação e uma leve insolação, o fato de você ter dormindo tanto se deve ao cansaço, as noites não dormidas e os remédios que te deram pra dores.

      - Não funcionou ou o efeito passou, pois sinto minhas pernas doendo.

      - Vou pedir que a enfermeira venha lhe aplicar outra dose.

...

      - Por que meus pés estão enfaixados? - perguntei assim que a enfermeira saiu.

      - Estavam bastante machucados, tiveram que estourar muitas bolhas, você levou alguns pontos no pé esquerdo além da sola dos dois pés estarem um pouco queimadas.

      - Perdi meus sapatos enquanto fugia da cabana. Cadê a Luma?

      - Está internada, o caso dela é um pouco mais grave que o seu já que ela ainda estava em recuperação.

      - O que será que aconteceu com o Eduardo? Você já foi ver ele?

      - Ele teve uma parada cardíaca mas já está bem, só está sendo mantido aqui em observação pela minha tia.

      - É aquelas pessoas que raptaram a gente?

      - Infelizmente não temos qualquer pista de onde eles estão, a polícia fez uma busca na fazenda mas não encontrou ninguém, nem pistas de onde eles podem ter ido, mas... - era bom ele está distraído que assim não percebia a semelhança entre ele e o meu filho.

     

MATTHEW

     Eu não tive muito tempo pra dar vazão a minha raiva por ter sido privado de saber sobre o meu filho enquanto me desesperava com o desaparecimento da Amanda. E no dia que a encontrei a última coisa que eu pensei foi nisso.

     E nós dois dias que se seguiram após o resgate, nos quais ela esteve completamente apagada, eu tive tempo pra pensar e a raiva se dissipou e deu lugar a novos sentimentos, o medo ao pensar que eu quase a perdi, e mais medo ao lembrar que ela não queria nada comigo incluindo a ligação minha com nosso filho. Mas eu não ia deixar tudo do jeito que ela queria ou entrar na justiça e tirar meu filho dela. Eu queria os dois, e não ia me contentar com menos que isso.

     ...

     Dois dias depois ela recebeu alta. E antes dela sair do hospital eu fui vê-la, ela estava sentada na cama com o Louis no colo e encarava a janela aberta.

 
     - Pronta pra ir? - perguntei.

     - Pra falar a verdade não - ela baixou  os olhos pro Louis e começou a acariciar os cabelos dele.

     - O que está acontecendo?

     - E se eles vierem atrás de mim? Eles já sabem onde eu moro! E se eles sequestrarem meu bebê? - os olhos dela se encheram de lágrimas.

     - Vem comigo - sugeri.

     - Matthew... Eu...

Continua...😉

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