- Acho que o Louis já pode tirar as amígdalas - falei enquanto jantavamos.
- Mas ele é tão pequenininho ainda pra passar por uma cirurgia.
- Amanda ele tem mais de um ano, crianças muito mais novas que ele passam por cirurgias mais arriscadas.
- Eu tenho medo de dar alguma complicação - ela falou mexendo a comida de um lado pro outro no prato, sem realmente come-la.
- É muito pouco provável.
- E além do mais eu estou juntando dinheiro pra pagar, meu convênio não cobre cirurgia.
- O pai dele não pode te ajudar a pagar? - perguntei como quem não quer nada pra ver se ela diria alguma coisa. Ela ficou tensa na hora.
- A comida está muito boa - ela mudou de assunto - se já não fosse médico poderia seguir carreira como cozineiro.
- Obrigado.
- De nada.
- Se você quiser eu posso marcar uma consulta pro Louis passar pelo risco cirúrgico.
- Obrigado, mas eu prefiro esperar.
Quando percebi que ela não ia falar nada sobre a paternidade do Louis resolvi encerrar o assunto. Eu tinha todo o tempo do mundo, ela estava no meu território agora!
...
Acordei no meio da madrugada. Eu tinha caído da cama. Isso não acontecia desde que eu era criança, mas o mais intrigante era que eu não cai sozinho, alguém tinha me empurrado e essa mesma pessoa gritava enquanto me chacoalhava.
- O que está acontecendo? - levantei do chão assustado.
- O Louis - era a Amanda e ela estava chorando - ele não está respirando.
- O quê? - corri até o quartinho dele.
- Eu fui ver como ele estava e ele não tava respirando, ele tá ficando roxinho.
Cheguei ao quarto e o Louis realmente não estava conseguindo respirar, peguei ele no colo enquanto ia até a comoda da minha irmã e procurava alguma coisa que pudesse ajudar.
- MATTHEW VOCÊ É PEDIATRA, FAZ ALGUMA COISA - ela ia acabar estourando meus tímpanos.
- Não tem nada aqui que possa ser usada nessa situação.
- ELE VAI MORRER.
- Não vai! Fica calma - ela ia acabar ficando desidratada se continuasse a chorar do jeito que tava.
- EU NÃO VOU FICAR CALMA, É O MEU FILHO - não pude deixar de perceber que mesmo em apuros, com nosso filho correndo risco ela não falou nada sobre ele ser meu filho.
- Eu tenho um remédio no meu escritório que deve servir pra essa situação.
- E POR QUE NÃO PEGOU AINDA?!
- Não achei que ia ser necessário - resmunguei - e você precisa parar de gritar.
Corri até meu escritório enquanto fazia algumas manobras no Louis pra ajudá-lo respirar pelo menos um pouquinho. Peguei a amostra de relaxante muscular que havia ganho em uma palestra e coloquei em uma seringa.
- Eu detesto ver quando vão furar meu bebê.
- O seu bebê - falei dando ênfase mas palavras - vai ficar bem, não vai sentir nada, agora segura ele de frente pra mim.
Entreguei o Louis pra ela e ela segurou do jeito que eu pedi, enlacei meu braço na cintura dela firmemente pra não deixar o Louis cair.
- Por que esta segurando minha cintura Matthew?
- Pra isso - injetei a seringa no braço dela.
- O QUE VOCÊ FEZ?! - ela tentou se livrar de mim mas cambaleou no processo.
- Senta aqui - guiei ela até minha cadeira - eu vou chamar a Yuna pra te fazer companhia.
Fui até o quarto da Yuna, expliquei o que estava acontecendo e pedi a ela que empurrasse a Amanda na minha cadeira até o quarto mais próximo. Enquanto isso eu vesti uma roupa e levei o Louis pro hospital.
...
- E a quanto tempo ele está assim? - a Margaret perguntou enquanto eu terminava de medicar o Louis.
- Cerca de uns vinte minutos.
- E você já sabe o que é?
- As amígdalas dele estão inflamadas.
- Ele já pode fazer a cirurgia pra tira-las.
- Deve na verdade, mas a mae dele é muito cabeça dura.
- Como assim?
- Ela não quer aceitar minha ajuda pra pagar a cirurgia.
- Falando nela, onde ela está?
- Em casa.
- Ela deixou você trazer o filho dela pro hospital sozinho?!
- Ela estava histérica...
- Você dopou a coitadinha Matthew?! Ela vai ficar furiosa com você.
- Com certeza vai.
.
Nos próximos capítulos o que vocês tanto aguardam vai acontecer 😉
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Aguardando a Felicidade
RomanceAmanda tem 19 anos e trabalha na empresa R&W. Em uma visita a uma amiga de trabalho acaba conhecendo o primo do seu chefe. Vários encontros e uma noite. Uma noite. Foi o suficiente pra gerar uma nova vida. Mas por causa de um desentendimento ele fo...
