Nenhum som

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Eu não tive tempo de fazer amizade com Malia. Nem tempo, nem interesse, tenho que confessar. Ela entrou na alcateia de forma abrupta e logo no início, já tinha começado a se relacionar com Stiles.

Talvez por um pouco de ciúmes e também por não saber lidar com os instintos animalescos da Hale, que não me aproximei dela. Depois fui para Eichen, enlouqueci e tive raiva de todos meus amigos. Então, novamente, não tive tempo para tentar conhecê-la melhor ou me aproximar.

No entanto, enquanto corria com Malia pelos corredores escuros do inferno, percebi que se eu tivesse me esforçado um pouco, nós já seriamos amigas. A violência e a determinação na expressão dela enquanto rosnava e me seguia pelos caminhos, me agradava.

Encontramos alguns guardas pelo caminho. Alguns humanos, outros lobisomens. Em todas as vezes, Malia tomou a frente, atacando sem esperar para ver se eu a ajudaria. Ela parecia não ter medo de nada, ser capaz de enfrentar qualquer um.

Com minha coragem recém adquirida pelo ódio, consegui atacar com ela. Pareceu fácil, natural, imobilizar os homens com a ajuda de Malia. Enquanto ela fincava as garras no estomago de um guarda, eu derrubava outro no chão.

Eu usava meu grito com certo controle, para não ferir a Malia e ela, quebrava as pernas dos homens que não queríamos matar. Assim, tínhamos certeza de que não iam conseguir correr.

— Você tem certeza que esse é o lugar certo? — Malia perguntou após muito tempo em silêncio. Seus olhos brilhantes, gélidos, estavam voltados para mim.

— Precisa ser! — Respondi sentindo em minha língua a mistura amarga do ódio e desespero misturados dentro de mim.

Por algum motivo, Malia e Liam não conseguiam usar o olfato dentro do inferno. Os dois falaram que era como se tivesse algo ali que fosse capaz de bloquear os cheiros.

Isso tornou a busca pela sala do doutor mais complicada. Tivemos que confiar só nas minhas lembranças turvas, já que Malia não podia sentir o cheiro do Scott para nos ajudar a procurar.

— Scott não tem muito tempo. Se essa não for a sala certa e a gente demorar muito, talvez... — Malia não terminou a frase. Pareceu se engasgar com a própria voz.

Não me permitir desviar os olhos da porta de ferro da sala a nossa frente, porém, suspirei por reconhecer a dor, o medo na voz de Malia. Eu sabia o que ela estava sentindo, estava na mesma situação que a dela: perto de ver a pessoa que mais amo, morrendo.

— Nós vamos encontrá-lo a tempo! — Rosnei aquela frase, segura da verdade que proferia. Parei de andar ao chegar bem próxima da porta, Malia também parou. — Scott é meu melhor amigo.

Ao pronunciar aquilo, percebi a verdade em minhas palavras. Pensei em como Scott foi capaz de fazer com que eu me sentisse bem, à vontade, mesmo quando ainda tinha medo de me aproximar de qualquer pessoa que não fosse Stiles.

— Se tem alguém nessa sala, já sabe que nós estamos aqui. — Ainda pude ouvir a dor na voz de Malia, mas ela sabia que precisava focar no que nós precisamos fazer. Não podíamos fraquejar, parar para pensar em tudo que perderíamos se não conseguíssemos fugir dali. — Eu só queria poder farejar quem está ali!

— Malia...

Eu apenas disse o seu nome e a encarei por alguns segundos. Ela bufou e logo em seguida, concordou com a cabeça, como se tivesse me entendido mesmo sem ter dito nada além de "Malia". E de fato, acho que ela entendeu.

Não adiantava mais hesitar, pensar ou se lamentar. Nós precisamos achar Scott e sair daquele lugar, mesmo sem nenhum plano, mesmo sem o faro dela para nos ajudar.

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