04. Salvação.

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Estou literalmente em cima de seu corpo.

Meus braços finos rodeiam seu corpo, meus olhos estão fortemente fechados e minha cabeça sobre seu peito.

Seu coração está acelerado, assim como meu.

- Justin! - ouço uma voz familiar gritar.

Abro meus olhos devagar, me acostumando com a claridade.

Muitas pessoas me rodeiam, rostos totalmente desconhecidos, começo a entrar em pânico internamente.

- Meu Deus, o que você estava fazendo, meu filho? - a mulher de olhos claros diz, apavorada.

- Amber? - procuro por meu tio quando escuto sua voz.

Me levanto com cuidado e encaro o corpo no qual estou em cima. Ele tinha os olhos fechados, mas algo me dizia que estava acordado,sua respiração estava inrregular e ele segurou minha mão levemente quando tentei sair de cima dele.

- O que aconteceu?

- Essa menina salvou a vida dele.

Alguém respondeu.

- Eu vi, esse rapaz ia morrer, foi ela! Ela o salvou!

Eu só queria entrar no meu quarto e sumir com toda essa atenção voltada para mim.

- Querida, você está bem? - meu tio encara meu corpo, só aí me lembro que estou de pijama e toda a rua está me vendo assim.

Cruzo os braços, na tentativa de tampar um pouco meu corpo.

Joe tira seu roupão e me entrega.

- Você está bem? - concordo.

- Obrigada, muito obrigada, eu... Eu não sei oque te dizer. - a mulher chorava, abraçando quem eu acho ser seu filho que ainda está no chão.

- Eu... Eu não fiz nada.

- Como nada? Você o salvou, eu vi!- um homem com o cabelo grisalho respondeu por mim.

- Isso é verdade, meu bem? - tio Adam pergunta.

- Sim.

- De onde vocês se conhecem?

Penso em contar a verdade. Penso em dizer que eu não conheço esse homem, que ele é tão desconhecido para mim como qualquer um dessa rua. Penso em dizer não sei oque me levou a arriscar minha vida para salva-lo, que eu simplesmente quis ele vivo para fazer Deus sabe o que... Talvez se embebedar mais pela manhã, ou gritar com sua mãe dentro de casa, por motivos que nem eu sei. Mas não, eu faço oque não fazia a muitos anos. Uma coisa que não me agrada, mas eu faço.

Eu menti.

- Nunca vi ele antes, só fiquei assustada e com... Pena.

Tio Adam me fez contar exatam o que aconteceu cinco vezes seguidas. Eu disse que apenas corri em direção ao desconhecido e o tirei da frente do caminhão, as cinco vezes.

- Não faz sentido. - encosta as costas na cadeira.

- Ela está tendo empatia. É bom. - Joe continua tentando me analisar.

- Empatia por um vizinho que ela mal conhece?

- Não importa por quem seja, é bom de qualquer forma.

- Vocês nunca se viram, Amber?

Nego com a cabeça.

- Posso me deitar agora? - pergunto me levantando.

Remember, I Love YouOnde histórias criam vida. Descubra agora