- Então você gosta dele? - Parker tenta me entender.
- Gosto da sua companhia.
- Consequentemente gosta dele. - deduz.
- Não dele... Mas gosto. Espera.- ergo um dedo, interrompendo eu mesma. - Gosto da sua presença, se isso é gostar dele, eu gosto, mas não desse jeito... Apenas, não! - me corto. - Que jeito? Mas eu gosto.
Eu preciso de um psiquiatra depois disso.
Parker prende uma risada, provavelmente me achando maluca.
- Você está confusa, mas gosta sim dele. Não o ama, obviamente é cedo para isso, mas vocês criaram um vínculo... Um afeto. - concordo, ele soube explicar bem melhor do que eu. - Isso é ótimo para vocês dois, vocês precisam de um apoio e estão sendo um do outro. Fico feliz, sinceramente fico muito feliz.
- Ele me deixa confortável para dizer qualquer coisa, oque eu mais aprecio nele é que, ele tem esse poder, mas não o usa para me pressionar.
- Ele pode fazer qualquer tipo de pergunta, mas não faz, isso te deixa em uma zona de conforto e faz com que confie mais nele.
- Exatamente.
Suspiro.
- O que sentiu que mudou em você, depois que conheceu ele?
- Muitas coisas... - estico meus braços, para que ele veja meus pulos sem cortes. - Quando eu tô com o Justin, me esqueço de qualquer pensamento ruim, então só sobra tempo para conversar com ele, para rir de alguma piada ruim, debater sobre algum assunto que não é importante, mas ele faz com que seja.
- Algum dos dois pensa em um relacionamento?
- Não. - respondo, convicta. - Somos amigos.
- Já houve algum envolvimento?
- Onde quer chegar? - franzo o cenho.
- As pessoas estão propensas a errar, já imaginou se vocês se envolverem? Se esse sentimento de amizade crescer e virar outra coisa? Você ou ele podem errar, Amber, com isso ficaram mais decepcionados doque outra pessoa.
Desvio o olhar do seu, no fundo eu sei que ele tem razão.
- Não vamos estragar nada. As coisas estão boas assim.
Ao chegar em casa almoço com tio Adam e Joe, eles falam muito, eu apenas tento acompanhar. Meu tio diz algo sobre uma viagem, não dou muito importância, até que ele toca no assunto novamente.
- Podemos pegar um vôo para Miami antes das nove, chegamos no hotel antes das onze e almoçamos juntos. - Joe programa tudo.
Miami lembra praia. Praia lembra pessoas. Muitas pessoas.
- Não quero ir.
- Vai ser legal, querida. - Adam tenta me animar.
- Dezenas de pessoas semi-nuas me encarando não vai ser legal.
- Pegar uma cor vai ser ótimo, é vitamina D. - Meu tio começa a falar novamente sobre o quanto vai ser legal, e eu me controlo para não revirar os olhos.
Justin me liga depois do almoço e conversamos horas no telefone, não falta assunto, ele me faz rir de algumas coisas que estava tentando fazer e eu comento sobre Miami.
- Eles ficariam contentes de te levar. - Me sento na janela, abraçando minhas pernas com um braço enquanto seguro o celular com o outro.
- Não gosto de praia.
- É verão, Amber. Vá pegar uma cor nessa pele branca.
Sua risada faz com que eu sinta vontade de rir.
- Você poderia vir também, eles não iriam se importar. - mordo o lábio inferior, com receio da resposta.
- É uma coisa que seria legal vocês fazerem juntos.
- Eu não quero ir.
- Onde quer ir, então?
- Para uma galáxia bem distante, onde eu possa ver estrelas, uma Aurora boreal e no final de tudo, o sol nascer. - fecho os olhos. - Eu gostava de falar sobre isso com o meu pai... Ele adorava me ouvir falar sobre o quanto eu gosto do céu. - dou uma pausa. - Ele me ouvia, mesmo que não entendesse ele me ouvia por horas, sabe? E no final sempre sorria, me fazendo acreditar que era muito interessante o assunto. - respiro fundo. - Eles dizem que foi um acidente, mas eu sei oque houve... É tão patética a forma que eles mentem para mim, tentando me proteger. - sinto uma lágrima cair sobre meu rosto. - Eu sinto que estou brincando de casinha com meu tio e o marido dele, interferindo na vida deles dois...
- Eles amam você, Amber. - Justin me corta, falando de forma suave e calma. - Eles te amam muito, não diz isso.
- Vem aqui. - peço.
- Agora?
- Sim, vem. - sinto o nó na minha garganta crescer.
Justin desliga na minha cara, abaixo a cabeça e deixo me levar pelo choro, meus soluços vão ficando mais fortes, assim como as lágrimas caem mais ainda.
Eu sou um karma para todos a minha volta, fui um karma para meus pais, agora para meus tios... Justin, até ele vai se cansar de mim um dia.
A porta é aberta, mas eu não levanto a cabeça, apenas choro mais e mais.
- Você prometeu que não ia mais ficar triste. - Sua voz faz meu coração acelerar.
Justin me puxa para um abraço, com os braços ao redor da minha cintura ele me puxa para mais perto, aspiro seu perfume me sentindo mais calma. Eu paro de chorar, mas ele continua me apertado contra si, minhas mãos vão para o seu pescoço, ele beija minha testa, intercalando entre meus lábios e meus olhos, Justin parece querer guardar cada detalhe do meu rosto. Faço o mesmo, mesmo se eu procurasse a vida todo, não encontraria ninguém com a sua beleza, seus olhos seria capazes de me hipnotizar de tão intensos que era.
- Está pensando em quê? - pergunto, sem me soltar de seus braços.
Justin se aproxima mais, eu deixo, sua boca está perto da minha, seus olhos fechados e as mãos apertam minha cintura. Meu coração vai saltar do peito.
- Amber, nós vamos...
Nos saltamos subitamente ao ouvir a voz do meu tio.
Ele limpa a garganta.
- Desculpa atrapalhar.
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Remember, I Love You
FanficEles encontraram um no outro a paz que precisavam, o irônico foi que a tempestade também veio junto com o romance.
