Meu tio estava mais doque empolgado com minha amizade nova. Ele estava sorrindo tanto que eu estava ficando assustada.
Tinha acabado de deixar Justin na porta quando me virei e tomei um susto com sua presença.
- Vocês vão sair? Ele te chamou? Vocês já ficaram? Céus, você toma pílula, Amber? - arregalo os olhos com sua última pergunta.
- Deixa a menina, amor. - Joe passa pela gente.
Poderia ir para o meu quarto e ficar o resto da tarde lá, ignorar meu tio e suas perguntas um pouco desnecessárias, mas me lembro que prometi isso a Joe, então me sento com eles na sala. Os dois me olham, como se eu fosse de outro mundo.
- Então... - Não preciso dizer quem começa novamente com os interrogatórios. - Vocês vão sair?
- Não. - tento prestar atenção na TV, mas sinto seu olhar sobre mim. - Ele pediu, mas eu recusei. - digo, simples.
- Por que? Ele te tratou mal? - aprecio sua preocupação.
- Não, ele é legal. Nos entendemos do nosso jeito.
Justin e eu estávamos longe de ter uma amizade normal.
Normal definitivamente não seria a nossa definição.
- Quando vocês vão se ver denovo?
- Não sei... Para falar a verdade eu não sabia que ele estaria aqui.
- Isso é romântico e... Exitante, hm? - usa um tom sugestivo, me deixando com vergonha.
- Não temos nada de romântico, tio. Aliás, não temos nada. Só conversamos sobre algumas coisas, só isso.
- Ele pode vir quando você quiser, não fique sem graça de trazê-lo aqui, afinal, ele fez você descer e almoçar, já ganhou pontos aqui em casa. - Joe se manifesta.
Concordo.
Eles começam a conversar enquanto escolhem um filme. Eu começo a assistir, mas fico com sono, então subo para dormir.
Sonho com os meus pais, é muito ruim, acordo sete horas da noite e vou tomar banho.
Me enrrolo na toalha e vou até o closet vestir um pijama, é a peça que eu mais uso.
O sonho foi péssimo, me lembrar da morte deles e de como foi me deixa triste. Tudo me deixa triste depois desse acontecimento, é horrível viver assim.
Sinto meu peito ficar sufocado, meus olhos ardem e as gotas salgadas saem sem que eu consiga controlar. Não percebo quando pego a gilete e começo tudo denovo.
Os cortes vão tomando cada vez mais espaço na minha dor, tudo é muito doloroso a ponto de eu me esquecer dos meus pais e me concentrar em outra coisa. O sangue se espalha pelo meu braço e as minhas lágrimas param de cair, a medida que eu corto um pouco mais, sempre achando mais espaço para me ferir, até que eu caio.
Me sento no chão, com os braços para dentro da banheira para não sujar mais nada como da última vez.
Respiro fundo.
- Eu tenho que ser forte. - repito isso para mim mesma o máximo de vezes que eu consigo.
Entro na banheira e tomo outro banho, agora para me limpar das manchas vermelhas que sujaram minha pele.
Enrrolo uma atadura nos meus pulsos e visto um casaco largo para que meu tio não perceba.
Sentada na janela eu reveso entre olhar para o céu e as crianças que brincam na rua, até que uma movimentação estranha chama minha atenção, vem da casa de Justin. Ouço seus gritos, logo os de sua mãe e de outro homem que não reconheço a voz.
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Remember, I Love You
Fiksi PenggemarEles encontraram um no outro a paz que precisavam, o irônico foi que a tempestade também veio junto com o romance.
