O desconforto era explícito entre Justin e eu, os comentários do meu tio não ajudava em nada.
Depois do quase beijo interrompido por tio Adam, o mesmo nos convidou a descer e comer um doce estranho que Joe tentou fazer.
- Isso era para estar dessa cor, Joe?
- Era para ficar meio amarelo, não sei como chegou a verde.
Arregalo os olhos. Céus, eu não vou comer isso.
- E você diz assim? - Meu tio empurra o prato a sua frente, fazendo cara de nojo.
Justin também olha desconfiado, não tocando no doce.
- Eu voto por um veludo vermelho da confeitaria do centro.
- Ótima idéia. - Joe praticamente pula da mesa, nem ele gostou... Disso. - Vocês vão ficar?
- Eles já ficam, querido.
Ótimo, eu preferia não ter ouvido.
- Pode ficar aqui comigo... Me fazendo companhia. - completo, meio afobada.
- Sim. - Justin responde, rápido de mais.
Esperamos eles saírem para irmos ao meu quarto. Ele está calado, e milhões de coisas passam pela minha mente.
- O que tem de errado comigo? - Justin me olha confuso, esperando eu explicar melhor. - Você... Por quê você sempre foge quando estar perto?
- Eu não estou fugindo de nada, Amber.
- Está fugindo de mim.
- Eu tô do seu lado.
- Você entendeu. - abaixo o olhar. - Eu não tô implorando por um beijo, mas é frustrante ouvir você falar que não pode me beijar. - Justin levanta meu rosto com dois dedos. - Eu sei que somos amigos e eu adoro isso, mas...
- Eu disse que não te beijaria porquê eu não posso. Eu sou fodido de mais para isso tudo, definitivamente o problema não é você.
Não tocamos mais no assunto, e o clima fica uma merda depois. Justin fica comigo até eu pegar no sono, quando eu acordo não te vejo mais no quarto.
Eu choro por não saber oque pensar, fico com medo e infelizmente não acredito nas suas palavras e começo a pensar que o problema sou eu sim.
Fico exatos cinco dias sem notícias suas.
Não ouço gritos na sua casa. Não o vejo fumando da janela do meu quarto. Meus tios não falam mais dele.
Justin sumiu tão rápido quanto chegou, da forma mais intensa e assustadora possível, ele veio para minha vida, e saiu deixando muitos rastros.
Na sexta-feira, Joe bate na minha porta, interrompendo minha leitura.
- Nicholas Sparks? - pergunta, ao ver a capa do livro. - É bem interessante. - aponta para o livro.
- Sim.
- Voltamos as poucas palavras, não é? - suspira. - Sinto falta dele, você não?
Uma coisa que eu aprendi a fazer, com o pouco tempo de convivência com Justin, foi mentir.
Ele dizia que estava bem, para sua família, assim fugia das perguntas e outras coisas, segundo ele, eu era a única pessoa que merecia sua verdade. Mas eu menti para Joe, menti muito feio, porquê Deus sabia como eu estava por dentro.
- Não.
- Não sente falta dele? - franze o cenho.
- Não. - reforço.
- Pensei que vocês...
- Também pensei muitas coisas, não só pensei como vivi, porém acabou, como tudo um dia acaba. - volto minha atenção a leitura.
- Querida, o verão pode acabar, mas oque aconteceu nele não. Quando se gosta de uma pessoa, quando acontece de um jeito tão especial como aconteceu com vocês, não acaba assim tão fácil.
- Especial, Joe? É assim que chama dois adolescentes suicidas com problemas de depressão? - fecho o livro.
- Não, querida. Especial é a forma que eu tenho de descrever oque vejo entre vocês dois. - ele se levanta. - Eu sei que você sente falta dele, porquê eu sei que sentia falta de se sentir viva, e ele te fazia sentir-se assim.
Silêncio.
- Pensa nisso. - Joe beija minha testa, antes de sair.
Uma hora depois, eu estava sentada na janela, observando a lua que brilhava lindamente no meio da escuridão do céu, quando meu celular tocou.
O nome de Justin na tela, fez meu coração acelerar e pela hora, fiquei preocupada.
- Oi.
- Oi. - sua voz rouca, me fez fechar os olhos. - Está pensando em quê? - suspirei.
- Em como o céu está bonito. - abri os olhos, encarei a lua. - Está pensando em quê?
- Em você, Amber.
Apertei o celular, querendo amenizar a tensão que estava sentindo.
- Eu preciso muito de um cigarro... Tô precisando de um desde que saí da sua casa naquele dia, mas não acendi nenhum.
- Você prometeu.
- Mas eu troquei, você lembra? - concordo com a cabeça, mesmo sabendo que ele não está vendo. - E agora não estou perto de você, consequentemente não ocupo mais minha mente. Você também prometeu que seria minha válvula de escape.
- Eu tô aqui.
- Eu não mereço que você esteja.
- Mas eu estou. - tento ser firme. - Eu prometi a você, e eu tô aqui, Justin. Se nós merecemos ou não um ou outro, quem liga? Eu... Eu só me importo com oque eu sinto por você, e pode parecer repentino ou desesperado, mas eu também não me importo, oque eu preciso agora é de você.
A linha fica muda, olho para o celular e vejo que a ligação foi encerrada. Ele desligou na minha cara.
Eu sou patética, meu Deus. Como fui me declarar para um cara que nem sequer que me beijar.
Ouço vozes no andar de baixo, ignoro e fecho os olhos, controlando a vontade de chorar.
Abrem a porta e não acredito quando vejo ele entrando. Justin anda com passos decididos até mim, antes que eu diga alguma coisa, suas mãos seguram meu rosto de forma firme e delicada, não dando tempo de eu o impedir de qualquer coisa que seja.
Em um movimento rápido, seus lábios encontram os meus. É um choque no começo, mas eu me entrego. Me entrego ao beijo e ao momento, sua língua quente e aveludada, escorrega para minha boca, tornando tudo ainda melhor. Seus lábios se movem com sincronia e perfeição, eles tem um gosto de hortelã e seu cheiro tão perto me embriaga. Suas mãos vão para minha cintura, fazendo-me ficar de pé e encostar nossos corpos. Por ser um pouco menor que Justin, fico na ponta dos pés, ele parece não se importar, o ruim é por um final no beijo, mas o ar nos falta e finalizamos com muito custo.
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Remember, I Love You
FanfictionEles encontraram um no outro a paz que precisavam, o irônico foi que a tempestade também veio junto com o romance.
