A noite dos não tão mortos, pouco vivos.

70 10 8
                                    

-512


I

Encarar o rapaz de pele cicatrizada era o mesmo que esfregar sal nos olhos de Shouta, possuindo o mesmo nível de desconforto. Uma pequena chama caminhava lentamente sobre seus dedos, como se brincando, enquanto o mesmo permanecia encostado no tronco da árvore ao seu lado.

"Eu realmente me pergunto qual é o problema de vocês heróis." O jovem continuou no mesmo tom entediado de voz enquanto ajeitava sua escassa postura contra a madeira. "Acho que um passarinho andou contando como seu acampamento não era tão secreto e, mesmo assim, aqui estamos nós? Vocês se acham tanto assim? Sabe que esse tipo de coisa é apenas desastre pedindo para acontecer?"

"Como você sabe sobre isso?" Shouta ajeitava sua ferramenta de captura enquanto contemplava as palavras daquele que deveria ser Todoroki Touya. Os vilões já saberem sobre sua agenda era uma coisa, eles estando cientes que os heróis sabiam sobre isso era ainda mais estranho e complexo demais para a mente de Shouta processar.

"Sinceramente, para um herói subterrâneo você é surpreendentemente obtuso Eraser. Não aprendeu ainda a não questionar a fonte da informação que você recebe?"

"Nosso método de trabalho apenas não é o mesmo. O que me preocupa é o fato de que você tenha qualquer ligação com os meus estudantes, entretanto."

"Eu não tenho nenhuma ligação com seus estudantes." O tom dele tinha uma forte onda de desdém, que foi acompanhada de um gesto desinteressado de sua mão direita. "Não é por termos algumas fontes em comum, uma vez, que estamos relacionados."

"Palavras estranhas vindas de alguém que me ataca unicamente para apontar na minha cara como já havíamos sido avisados sobre isso. Apenas me pergunto como você sabe sobre o aviso também."

"Coloque essa cabeça para funcionar, eu não vou te entregar informação de mão beijada. Esse não é o meu trabalho, afinal de contas. "O fogo se espalhou ainda mais ao seu redor enquanto o mais novo dos dois mudava de postura. No fundo de sua mente Shouta criava diferentes estratégias de como derrotá-lo rapidamente. "Apenas um conselho: Existem ainda algumas pessoas, mesmo no submundo, que acreditam em coisas como heróis. Então, quando elas desviarem de seus caminhos para lhes fazer um favor, não sejam idiotas e aceitem o que recebem. Principalmente levando em consideração qual é a fonte."

"Você..." O tom implicava que era mais complexo do que apenas vilões descobrindo sobre seus planos e vazando-os descuidadamente.

"Oh, eu disse mais do que queria agora." A fumaça impossibilitava que Shouta visse muito mais do que quando chegara ali. "Seriamente, eu sei que vocês não são acostumados a levarem minhas palavras a sério, talvez isso os ensine uma lição então. Não é irônico? Da ultima vez que estivemos assim eram pessoas importantes para mim que foram abandonadas na linha de fogo. Quão importantes são seus alunos para você?"

Parecia que as palavras eram cronometradas. No momento em que o outro terminou o que estava dizendo diferentes explosões puderam ser vistas de toda a floresta. Shouta poderia ouvir o desespero de alguns de seus alunos que estavam relativamente perto. Essa foi a sua deixa para que atacasse ao outro, usando suas faixas para conseguir imobilizá-lo com sucesso contra o chão. Depois de trocarem alguns golpes o herói estava confiante de que sua luta estava ganha, embora não conseguisse arrancar mais nenhuma informação do mesmo.

"Quais são seus objetivos? E suas posições? Guspa tudo agora mesmo!" Insistiu mais uma vez, tomado pela urgência de chegar até suas crianças antes que fosse tarde demais.

"E por que eu deveria?" Era ironia que escorria da voz, mesmo que seu rosto estivesse prensado contra a superfície dura. Shouta apenas torceu o braço direito dele, que segurava em sua mão, em uma ameaça velada enquanto segurava-o pelos cabelos e o batia o rosto contra o chão. Mais explosões ao longe acabaram por distrair Shouta, entretanto, o que possibilitou ao outro escapar de seu agarre com relativa facilidade. O herói podia ver agora como o liquido escuro escorria de suas feridas apesar da falta de iluminação de onde estavam.

A crueldade em meu mundo (o amor sob suas pálpebras).Onde histórias criam vida. Descubra agora