Falling Through The Cracks

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    -Londres, Inglaterra-
(08 meses atrás)

   
    A explosão branca foi tudo o que eles viram antes que o chão começasse a tremer. As pedras saltaram sobre a poeira e os dedos se apertaram em suas armas. O silêncio de precipitação deu lugar as solas dos calçados de todos os tipos e tamanhos contra o asfalto na ponta oposta da avenida. Punhos fechados, paus e pedras diante de uma linha armada com metralhadoras e fuzis. Pele suada sob roupas finas de algodão contra armaduras, coletes e capacetes, escudos e bastões.

    A força de um revolucionário fala mais alto do que os tiros e explosões, é o que dizem. Mas quão alto pode alcançar o grito de guerra de todo um povo?

    A cortina de fumaça escapou do par de cilindros metálicos em frente à linha. A névoa branca se transformou em vermelho, gás ardendo nos olhos dos primeiros soldados até que finalmente pudessem vestir suas máscaras, piscando atrás das viseiras de material transparente para enxergar apenas os vultos negros em máscaras de pano úmido diante de seus corpos.

    Eles vinham de todos os lados, saltando a frente, desarmando pelos lados e empurrando pela retaguarda. Pedaços de pedra e madeira voando sob os disparos e gritos de ódio abafando os ouvidos abaixo do caos. Haviam apenas vinte na linha de frente, as autoridades em todo seu egocentrismo resolveram ignorar aquela batalha pensando se tratar apenas de algumas dezenas de revolucionários e não um pequeno exército de três centenas. Derrubando um a um de seus inimigos e se armando com seus equipamentos.

    Era uma jogada perigosa e com toda certeza imprudente de ambos os lados, para a Comandante, significava se fazer de alvo na cidade vizinha. Chamar a atenção de quantos inimigos pudesse para finalmente liberar os aliados mantidos em cativeiro por duas semanas. Já para a Aliança, significava se importar com o maior dos alvos e ignorar causas menores para o bem maior de seus próprios interesses. Sequer ligavam em perder aqueles dez corajosos soldados, se tratava apenas de mortes colaterais de uma ação que com toda certeza funcionaria.

    Quando tudo acabou e apenas o som das respirações restou, o líder daquele pequeno movimento se manteve parado entre seus aliados e amigos. A camiseta cinza manchada com o próprio sangue, escorrendo do corte em suas costas. Nós dos dedos tomados em luxações esverdeadas e vermelhas, além de uma perfuração a faca no antebraço direito. Sangue escorrendo da lateral do lábio, sobrancelhas e nariz. Cabelos castanhos molhados em suor e olhos quase pretos, brilhantess em confusão e ardor por sua própria arma.

    Não se tratava de um grande e musculoso lutador, muito menos de um guerreiro experiente, e sim um jovem adulto. Armado apenas com seu desejo de mudança e coragem. Cabelos curtos como os de um soldado e o princípio de barba espalhado em poucos pelos ao redor do queixo, corpo esguio e pele bronzeada em seus tons de poeira branca. Os cadarços dos tênis desconfortavelmente apertados, temendo que aquele pequeno detalhe pudesse custar sua vida.

    - Ganhamos!! – Um dos exaustos esbravejou, seu punho erguido ao céu como o de todos os outros. Até mesmo feridos comemoraram a vitória de mesma maneira, grunhindo entre suas pontadas de dor.

    O jovem revolucionário não fez o mesmo, seu rosto estava horrorizado demais pelas perdas de seus amigos. Espalhados pelo chão, no centro de poças do próprio sangue com olhos opacos e corpos paralisados.

    "Isso não é uma vitória..." – Ele pensou.

    - Arian!! – Ouviu uma voz feminina chamar seu nome.

    Piscou ao observar o homem morto por suas mãos e se virou para buscar a morena no mar de aliados. Trombou com alguns entusiasmados no caminho e pediu perdão para a criança de dez anos que foi ao chão depois de ser atropelada por sua pressa. Lhe ofereceu a mão e recebeu um sorriso compreensível em retorno, voltou a caminhar, agora com mais cuidado. Seus pés deslizaram sobre a poeira fina e o corpo petrificou, apenas o movimento de sua respiração ofegante e o brilho intenso de seus olhos causou uma dor maior a amiga diante do defunto. De peito perfurado por balas e rosto pálido como papel.

EXITIUMOnde histórias criam vida. Descubra agora