A tontura veio logo depois que eu senti minha cabeça bater com tudo no chão, senti o gosto de sangue na minha boca enquanto meu corpo tentava se recuperar e meus reflexos voltarem, aos poucos eu sentia a minha pele arder como se tivesse fogo em mim, chamas me consumindo. De olhos abertos o mundo está preto, "talvez seja a hora de morrer" penso sentindo que não vou sobreviver a dor latejante que estou sentindo, meu cérebro não consegue captar os acontecimentos e eu sinto a falta de ar.
"Não" ouço uma voz na minha mente e a minha visão volta, o clarão alaranjado me cega e meu braço é puxado com toda a força, como se alguém tentasse arranca-lo do meu corpo.
Minha pele escorrega pela madeira do convés e ouço o som ao meu redor, gritos e em zumbido alto, algo sobe pelo meu estômago, o gosto de metal predomina na minha boca.
Eu não sei se desmaiei, não tenho ideia do que aconteceu, mas em um instante tudo retorna e estou consciente. Busco o ar com uma lufada só e sinto o sangue denso e quente percorrer as minhas veias como se ele estivesse a um tempo sem ser bombeado para o meu corpo. Mãos fortes seguram em minhas costas e me ajudam a levantar.
- Merda!- grito quando vejo um mastro quebrado bem a minha frente. Merda.
- Camila!- o grito vem de Verônica que está se aproximando ao lado de uma Dinah já consciente e um pouco cambaleante.
Escuto o som de algo colodir com o navio.
- Estamos cercadas de rochas!
A voz vem de Jasmine que agora está com queimaduras por todo o braço.
Tento organizar tudo na minha mente.
Primeiro, um navio fantasma nos atacou. Esse navio queimou toda a proa do meu navio que agora está em chamas, é impossível se aproximar dessa parte, as laterais do navio estão quase corrompidas pelo fogo, estariam queimando se não fossem as fortes e grandes ondas que fazem o navio balançar e jogam água no convés.
Segundo, todas mulheres que posso ver estão machucadas, não vi nenhuma perda, mas não tenho certeza com todo esse fogo e os mastros quebrados.
A ilha está no horizonte, a ilha que eu tanto sonhei está a alguns metros de mim e nesse momento eu desejava que ela não existisse. Maldito o meu pai! Aquele pirata asqueroso e ingrato!
Mas agora só há uma certeza, esse navio vai afundar.
"Você vai destruir esse navio" ouço a voz na minha cabeça, se era uma praga foi cumprida.
- Camila!- o grito vem de Normani que surge ofegante e mancando o pé direito.- Olha!- e apontou com o dedo para o navio enorme e escuro que estava agora colado ao nosso lado.
Meu queixo cai ao chão, uma nuvem negra começa a invadir meu convés, sou um passo para trás junto com as que estão ao meu redor. As tábuas do chão começam a ranger e o navio a tremer. A nuvem começa a criar vida, densa e escura ela invade o meu navio e se alastra rapidamente.
- Aaah!- ouço o grito de alguma mulher que cai ao chão, seu pé encostou na nuvem densa que me deixa horrorizada, o pé descalço dela começa a ficar vermelho e criar bolhas de sangue, ela puxa o pé para longe e grita descontroladamente pela dor, uma mulher loira que está próxima dela a ajuda e a puxa para longe, a nuvem começa a se aproximar, está envenenada, todas se afastam com rapidez, o desespero da minha tripulação é palpável.
Vejo seus olhos sem direção, perdidos sem saber o que fazer.
As rochas fazem com que o navio emita um som horrível quando elas quebram toda a madeira e cortam os metais. Agachei no chão de joelhos sentindo toda a dor no meu navio, olho os que estão nos atacando, eles voltam a se afastar como se já estivessem satisfeitos com a nossa destruição e por fim desaparecem.

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A SEREIA
Fanfiction(Concluída) A Capitã Cabello é ambiciosa e deseja ir atrás do tesouro que seu pai egoísta escondeu, ela juntou diversas mulheres que tinham sua confiança para formar uma tripulação. Em seu navio ela se tornou a autoridade máxima e se esqueceu de com...