Capítulo vinte e sete

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- Hayes, Grace.

Harvey está em silêncio tem aproximadamente cinco minutos. Depois que entrei no carro e ele me perguntou o que estava acontecendo, só tive forças pra chorar feito uma descompensada. Contei pra ele tudo sobre o que aconteceu comigo e Ethan desde o dia em que ele entrou naquela Catedral com Evan. Eu não estava nem aí mais sobre o que ele iria pensar sobre mim, porque eu só conseguia pensar no rosto contente de Phoebe me mostrando que sabia de tudo. Harvey apenas absorveu o que eu disse feito uma esponja e ficou em silêncio desde então.
- Você não vai falar nada? Sei que é terrível o que fizemos mas.. você ficar em silêncio não ajuda nada.
- Não estou te julgando, - ele ri - já fiz coisa muito pior. Só estou... assimilando as coisas.
- Hum. Tá, tome seu tempo.
- Eu conheci ele. Digo, conheci Evan. Blake vivia com ele e apesar de eu ter ficado alguns anos morando fora para estudar, já troquei algumas poucas palavras com ele. Ele parecia ser um bom cara, não sabia que você era noiva dele. - ele pigarreia- desculpa tocar nesse assunto de novo.
- Não, está tudo bem, de verdade. Ele era sim um bom cara, um dos melhores, e talvez seja por isso que eu nunca vá me perdoar pelo que eu fiz. Não é como se ele merecesse isso por me tratar mal, ou me trair ou qualquer coisa que homens babacas fazem. Ele não era assim, nem de longe e mesmo assim eu... fiz aquilo.
- Você não fez isso de propósito, Grace. Não é como se você pudesse escolher quem te atrai.
- Mas podemos escolher não ceder a isso, e não foi o que eu fiz.
- Ok.- ele conclui- Então, fazendo um breve resumo de tudo isso, vocês dois são tipo Romeu e Julieta? Se amam mas não ficam juntos por assuntos passados? - eu começo a rir.
- O que isso tem a ver com Romeu e julieta, Harvey?
- É, na história eles não podem ficar juntos porque as famílias têm brigas passadas entre elas e se odeiam.
- Não temos brigas familiares em comum.
- Mas têm uma pessoa que vocês amavam em comum, e agora vocês não ficam juntos por algo que já passou. Tem tudo a ver, você é quem está se perdendo na história.
- Continua não tendo nada a ver. - ele ri, percebendo que realmente não fez o menor sentido.
- Tem razão. Sua história é bem pior que a dos Montecchio e Capuleto.
- Você acha? - pergunto rindo, como se eu não soubesse.
- É pior porque vocês gostam um do outro mas como nunca vão ter a " benção" do Evan, vocês nunca vão conseguir lidar com isso. É uma pena.
- É uma pena? É uma pena eu não ficar com ele? Pensei que você estava investindo em mim.
- Eu? Eu não. Pulei fora no instante em que Ava delatou vocês na mesa e eu percebi que havia uma tensão entre vocês. - ele se inclina chegando mais perto- você é uma deusa, Grace Hayes, mas ele é meu amigo.
- Já ouvi esse discurso antes, e olha onde estamos.
- É porque Blake quis se afastar tarde demais. Ele fez o erro número um de todo cara com uma amiga, se aproximar demais e pensar em se afastar depois que já sentia algo. Vocês ficaram muito próximos, isso é quase que um caminho sem volta.
- Não fiz de propósito.
- Nem ele. Mas aconteceu, fazer o que?
- Estou tentando seguir em frente. Voltei de Londres mudada mas parece que aqui dentro, nada mudou.
- Você esperava o que? Que você voltaria e já estaria completamente imune a ele? Só porque ficou um ano e meio fora? - fico em silêncio.- você pensou isso.
- Talvez.
- Você mudou? Mudou o que sentia em relação a ele? - balanço a cabeça.
- Grace, sua vida é uma merda, você sabe né? - ele diz confiante e nós dois começamos a rir. Rir muito.
- Eu iria falar que agora que você finalmente desistiu de entrar nas minhas calças, podíamos ser grandes amigos, mas você acabou de esfregar na minha cara que minha vida é uma porcaria, então tô meio que repensando a minha ideia.
- É o que dizem, depois da merda vem a parte boa. Agora é só esperar.
- Eu não sei o que fazer. E depois de hoje, não quero mesmo tentar ficar em paz com Ethan. Como ele teve coragem de contar uma coisa dessas pra ela? Phoebe sempre me detestou, foi como entregar munição pro inimigo.
- Não estou querendo defender ele, mas já defendendo, acho que algo se perdeu na tradução.
- Oi?
- Não acho que tenha sido assim. Realmente acredito que ele não tenha feito isso com o intuito de te machucar, não sei porque ele fez isso, mas conheço ele. Blake não faria isso com você.
- Mas fez. E eu estou me contorcendo de ódio dele.
- É compreensível, mas talvez você precise ouvir o lado dele.
- Harvey, estou sentindo falta do seu lado pervertido, era bem melhor pro meu ego do que o seu lado escudeiro do inimigo. - ele ri.
- Agora somos amigos, Grace. - ele conclui -Infelizmente? Infelizmente. Mas agora só estou habilitado para ouvir seus desabafos. Escute o lado dele, e se você tiver razão, te apoio se você quiser riscar o carro dele com um garfo.
- Ok, isso me tranquiliza.
- Você realmente acredita que não há como vocês ficarem juntos um dia? Talvez vocês não sintam o mesmo que um ano e meio atrás, mas, claramente há algo aqui. Quando você disse que era pra eu te levar pra casa, Blake quase se transformou no incrível Hulk, movido pela força do próprio ódio.- ele ri. - não acho que aquilo seja só preocupação amigável. Você realmente acha que não há volta?
- Não. Eu me sinto como se ainda estivesse traindo uma pessoa que já morreu, porque não finalizamos nada... eu fiz isso enquanto ele ainda estava vivo. Densorei Evan e até hoje sinto que estaria desonrando.
- Você não está, mas eu entendo sua cabecinha e sei que você precisará de tempo pra ver isso também.
- Se você diz.
- Acho que vocês deveriam ao menos tentar conviver um com o outro sem que isso seja intragável pros dois.
- Ok, sou toda a ouvidos para sugestões de como fazer isso.
- Você não vai conseguir deixar de vê-lo morando aqui.
- Você quer que eu me mude?
- Não, e você também não vai parar de vê-lo porque tem outras pessoas naquela família que são importantes pra você, correto? Vocês sempre vão ter Ava entre vocês, isso é um fato.
- Correto.
- Então começa do zero. Vocês não precisam ser amigos, mas pelo menos precisam construir certa cordialidade entre vocês dois, porque aí, toda vez que vocês se virem, não vai ser a coisa mais desconfortável do mundo. Vocês sempre vão se ver.
- Sim, mas isso é ridículo porque se ficarmos próximos.. não seria como dar espaço pra acontecer algo de novo? Se já aconteceu uma vez... não sei.
- Eu ainda acho que há como vocês serem amigos de novo. Você me disse que ele te ajudou tanto em tantos aspectos da sua vida enquanto vocês estiveram juntos, que eu acho que isso faria bem pra você. Até os relacionamentos de amizade caem na rotina Grace. Vocês vivem nessa tensão o tempo todo porque vivem tentando fazer com que não se encontrem ou não conversem, a troco de que? Nunca vão conseguir viver em paz assim. Tenta ser a Grace de antes, a de quando vocês realmente estavam juntos porque tinham construído uma amizade,vocês vão se acostumar com esse título. De amigos.
- Essa ideia é muito idiota.
- Não. Não é. Você pretende brigar com ele a vida toda?
- Não. Mas como vamos ser só amigos se quando éramos, acabamos quase...
- Transando. Falar a palavra não é pecado.
- Enfim. Como isso daria certo?
- Porque você vai ser clara com ele. Se vocês dois levarem isso na normalidade, uma hora vocês se acostumam em serem só amigos e toda essa tensão passa.
- Pode dar muito errado.
- E pode dar muito certo. Vocês já foram amigos antes, tenho certeza que você sabe achar esse caminho de volta. Você não quer que a Ava cresça ao redor de duas pessoas que brigam constantemente ou não se entendem não é?
- Não. Ava é importante pra mim, e me afastar dela não está nos meus planos, mas há outro problema. Quando eu voltei, até pensei em estabelecer essa relação amigável com ele, mas ele está muito magoado comigo por ter ido embora, entende? Eu simplesmente sumi da vida dele e ele não aceitou isso muito bem.
- Então tenta se aproximar dele, com calma. Descubra porque ele contou pra ela, discutam sobre a sua ida, coloquem tudo na mesa, mas conversem. Vocês dois podem fazer isso dar certo, ainda mais agora que ele está concentrado em fazer dar certo com outra pessoa. Está namorando com ela.
- É, não acho que Phoebe em questão iria gostar dessa ideia sua.
- Não é como antes, Grace. É pra vocês apenas conviverem, não para ficarem grudados igual vocês ficavam.
- Eu não disse que ficávamos grudados.
- Não? Você me disse que vocês viam filmes, almoçavam juntos, trabalhavam juntos, iam em consultas juntos, pegavam carona um com o outro, deixa eu ver...
- Ok. Já entendi. Já entendi. - eu não vou mentir que senti e sentia falta da amizade com ele. Antes da bomba explodir, estar com Ethan me fazia bem. Ele era bom pra mim e me fazia rir durante todo o tempo em que estivemos juntos, mas hoje, vejo que extrapolávamos todos os limites de uma simples amizade.
- O que eu quero dizer é, vocês começaram errado. Ninguém não se apaixonaria desse jeito. E você também não é de se jogar fora, né?
- Agradeço.
-Começa do jeito certo. Tenham uma certa distância saudável entre vocês, que vocês vão aprender a conviver juntos.Vai ser normal ver ele nos lugares e conversar um pouco, você vai se acostumar com isso e isso não vai te afligir mais. Porque tá me olhando assim?
- Nada. Só estou surpresa de você ser tão bom com conselhos, mas é uma pena.
- Uma pena?
- Não vou mais poder te chamar de Sr. Pervertido, já que você não está mais flertando comigo.
- É uma regra de amigos. Se ele já gostou de você não tem a menor possibilidade de eu entrar nisso.
- Agora estou chateada. Estava acostumada a ter os homens aos meus pés, fecha aspas.
- Fecha aspas?
- Sim, Phoebe disse isso pra mim hoje. Que eu gosto de ter os homens aos meus pés. - Harvey ri. - o que eu posso fazer se sou boa demais pra ser verdade?- digo dramaticamente com a mão na cabeça tombada pra trás.
- Você é. Mas, meu trabalho por aqui acabou. A gente se vê amanhã.
- Amanhã?
- Zoe. Lembra? Aquela menininha que mora com você. - ele brinca.
- Ah sim! Me veio à memória agora, temos consulta amanhã?- ele faz que sim com a cabeça. Harvey desce e abre a porta pra mim.
- Boa noite, Grace.
- Boa noite e até amanhã. Sinto muito você não poder mais dar em cima de mim e coisa e tal.
- E coisa e tal. - ele ri. - também lamento. Já estava escolhendo o nome dos nossos filhos.
- Credo,Harvey. - desço do carro e espero ele entrar novamente. - Sabe, é até fofo você pensar que eu te deixaria escolher os nomes. Boa noite. - ele acena rindo e arranca o carro.

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