Valentina
Depois que o médico se foi o clima pesou e eu fiquei por alguns instantes sozinha, me troquei e peguei minhas coisas.
- Pronta? – Ayla me perguntou da porta.
- Eu não quero voltar! – Deixei uma lágrima escapar.
- Valen, tudo o que eles fazem é para o seu bem.
- Mas aí é que está o problema, Ayla. Não está me fazendo bem. Muito pelo contrário, a pressão que eles exercem em mim esta me deixando cada vez mais para baixo.
- Eu sinceramente não sei o que te dizer.
- Você pode ir em casa? – Perguntei baixinho.
- Se sua mãe permitir... – Ela deu de ombros.
Meus pais entraram para me levar e eu pedi que a Ayla fosse com a gente. Eles se entre olharam como se estivessem discutindo se deveriam deixá-la ir ou não.
- Ela pode ir... – Meu pai respondeu seco.
O caminho foi um silêncio constrangedor, Ayla foi no carro conosco. Meus irmãos já estava em casa e meus pais não diziam uma palavra sequer. O que deixava o clima ainda mais tenso.
Entramos em casa e eu anunciei que iria para o meu quarto.
- Porta aberta Valentina! – meu pai mandou.
- Ok! – respondi e subi correndo.
Entrei no meu quarto e já estava tudo limpo, o quarto que outrora estava coberto com meu sangue e cheio de bagunça. Agora estava limpo e arrumado, como se uma garotinha perfeita e organizada morasse ali.
Senti minhas mãos começarem a suar e minha respiração acelerar. Encostei na parede ao meu lado, tentado encontrar algo em que me segurar, minha visão ficou turva e senti as lágrimas começarem a escorrer.
Me lembrei da noite em que tentei me matar, cada cena, cada minuto e me vi em pedaços por estar de pé ali revivendo aquele momento.
- Valen? – Ayla chamou minha atenção. – Você está bem?? – ela perguntou com cautela.
- Não!! – respondi de pronto – Eu preciso sair daqui.
Comecei a andar em direção a porta.
- Aonde a senhora pensa que vai? – ele parou na minha frente me impedindo de sair.
Senti minha falta de ar aumentar e o desespero começou a tomar conta de forma eminente. Comecei a puxar o ar com mais força tentando em vão controlar minha respiração.
- Dei... Deixa... – Respirei ofegante.
Não consegui mais me controlar e comecei a chorar. Em prantos e meus pais sem saber o que dizer, me ajoelhei no chão e chorei como há tempos eu não fazia.
Ayla se agachou ao meu lado e me abraçou.
- Eu tô aqui! Eu tô aqui! – ela dizia várias e várias vezes.
Ouvi-la dizer aquilo me deixava ainda mais sem chão. Como pode ela ainda estar ali por mim. Eu não sou uma amiga que merece nem um porcento de toda aquela atenção.
Ama-la em segredo me faz egoísta? Eu não sabia o que fazer com aquele sentimento que só fazia me consumir. Olhar para os meus pais ali parados sem saber exatamente o que fazer com uma filha totalmente pirada.
Que atualmente só sabia trazer problemas e dor de cabeça, eu não entendia como eu poderia estar viva, com tantas desordem dentro de mim.
Eu não merecia estar aqui e muito menos ver a garota que me tira o prumo sofrer por não saber o que fazer para me ajudar.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Sentimentos
RomanceEstava ali, na minha frente o tempo todo. Eu não consegui enxergar, tive que perder para entender, não sei. Ela estava ali, eu Ayla nunca soube o que fazer. Agora eu Valentina já havia decidido que o fim era a solução. Agora estamos em um empasse qu...
