Capítulo 7

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Ayla

Eu supliquei e ela não me impediu, fiz tudo o que jurei jamais fazer. Nunca imaginei que iria implorar por alguém como eu havia feito minutos antes.

Mas o pior de tudo não era isso, em meios aos delírios do momento eu falei, deixei que meus sentimentos falassem por mim, perdi a razão e não imagino como isso iria refletir amanhã.

A primeiro momento, ela não pareceu impactada com a minha declaração, muito pelo contrário. Valentina me dominou com maestria de quem sabia exatamente o que estava fazendo.

Sua insegurança que a tempos atrás parecia te atrapalhar sumirá como fumaça, e agora ela me fazia chegar ao orgasmo sensacional e inexplicável.

- Eu te amo! – foram essas minha palavras ao senti-la se derramar sobre mim.

E sua resposta foi me fazer gozar como ninguém até então conseguirá fazer. Ela não disse nada e eu tão pouco.

Me faltou coragem para dizer algo mais, as palavras fugiram e eu me sentia até um pouco envergonhada.

Eu me sentia exatamente do jeito que havia me declarado, eu a amava. Mais não era assim que eu imaginava me declarar.

Não era depois de implorar por um beijo, que eu me imaginei dizendo a ela que eu a amo.

Só que foi assim que aconteceu e agora em silêncio deitada no peito dela, eu não sabia o que dizer. Não sei por quanto tempo ficamos juntas, sei que o sol já estava apontando no céu quando enfim ela me disse alguma coisa.

- Acho melhor a gente se vestir. – foi tudo o que ela conseguiu dizer.

- É melhor mesmo! – Mais que depressa sem conseguir encara-la, eu me vesti.

- Ayla! – ela me chamou.

- Oi! – eu não olhei.

- Olha pra mim! – ela se ajoelhou – Por favor, gata! Olha pra mim!

Eu me virei para enfim poder encara-la. Valentina se aproximou e enroscou as mãos no meu cabelo, me beijou e se afastou levemente, deixando nossas testas coladas.

- Eu te amo! – ela disse com os olhos fechados, como se fosse difícil pronunciar aquelas palavras.

- Você não precisa me dizer isso só por que eu falei. – tentei remediar.

- Quem disse que eu estou fazendo isso por pena? Não é mentira, meu sentimento por você é real e você melhor que qualquer um sabe disso. Só que você também sabe que eu não podemos. – eu me afastei imediatamente – Ayla!

- Para Valentina! Eu não quero ouvir.

- Qual é gata?!

- Não me chama assim! – eu olhei para ela  com os olhos cheios de lágrimas.

- Ayla! – ela falava baixo – vem aqui! – ela me puxou ao seu encontro.

- Não! – eu me afastei. – Eu já entendi! – sai da barraca.

Comecei a caminhar entre a mata e não parei. Só quando eu já estava longe o suficiente, na cachoeira que havíamos conversado de ir, eu parei.

Sentei em uma pedra e chorei. Eu precisava parar de me auto flagelar, estava começando parecer doentio. Sofrer desse jeito e continuar nesse turbilhão de sentimentos era insano até mesmo para mim.

- Você precisa parar de fugir! – me virei na mesma hora.

- Fantine! Como me achou?

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