A REUNIÃO

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A gigantesca sala, com decoração moderna, acabara de receber a última peça daquela noite, e o coração da mesma saltitava descontroladamente. Podia-se concluir, a quem tinha o conhecimento dos acontecimentos, que não era mais possível disfarçar o que sentia: era inquietação de espírito dentro do corpo.

A senhorita Viscenza caminhou por entre o senhores, os quais olharam rapidamente em direção à porta, para se verificarem quem havia chegado ali. Não houve atenção dos demais, apenas da jovem Presidente e sua doce Diretora. Ambas se encaravam com tanto gosto que poderiam se devorar. Elisa, mesmo tímida e comedida, agora arrastava uma nova essência, com olhos fixos e ainda mais profundos.

― Que bom que veio ― disse Arabela, carinhosa, tocando os ombros da morena, enquanto a puxava para um abraço. ― Mal pude esperar para te ver.

― Digo o mesmo. Como vai? ― indagou, docemente.

Falcão sorriu lindamente e, no momento em que as duas se olharam outra vez, pôde ser receber mais dos olhares.

― Não poderia estar melhor ― deu seu sorriso torto. ― Poxa! Está magnífica, Elisa. Não tenho palavra para descrever o quanto.

― Imagina. Agradeço o elogio, mas você é quem está lindíssima ― sussurrou cautelosamente.

A jovem Viscenza meneou a cabeça e sorriu, pegando-a pela mão até cruzarem entre os demais presentes. Falcão recebeu os cumprimentos de todos e se sentou mais ao fundo, juntamente com a chefe e outros executivos. Arabela queria apenas olhar à sua venerada paixão, sem que houvesse toda aquela formalidade de se dedicar ao homens e mulheres. Sua vontade era de se sentar apenas com Elisa, enquanto tomava vinho e conversavam sobre elas e seus sentimentos.

Depois que alguns diálogos foram estabelecidos ali e nenhum membro faltava na casa, Arabela se levantou e caminhou para o centro. Os olhos atentos esperavam suas coordenadas para os acontecimentos futuros.

― Creio que todos estejam aqui, portanto, vamos iniciar o que é preciso. Já conhecem a casa, e tudo o que precisarem poderá ser solicitado.

Viscenza os levou ao vestíbulo que dava acesso ao jardim, seguido à sala reservada em um dos cômodos aos fundos da mansão. Era um espaço onde os senhores habitualmente davam suas reuniões e era muito grande. As vozes foram ocupando o silencio do ambiente, enquanto todos procuravam os assentos diante da mesa ao centro. Arabela viu Elisa escolher uma das cadeira ao lado, porém não próxima de sua chefe. Buscou se sentar depois de um acionista e uma produtora, mas isso não impediu de que Viscenza a olhasse sedutoramente durante os próximos minutos, assim como ela também fazia.

A introdução para a reunião logo chegou e os assuntos foram passados. Todos sempre atentos em quaisquer as falas da Presidente, pois mesmo não sendo o Sr. Ricardo, partilhavam do mesmo respeito que tinham com ele. A filha era uma criatura inteligentíssima e muito poderosa. Talvez até soasse como um ser místico com o poder de prender o seu interlocutor com cada palavra proferida.

Falcão recostou-se na cadeira e passou a enrolar uma mecha de seus cabelos em seus dedos, fixamente atenta em Viscenza. Sorria discretamente e pensava em milhares de coisas, menos em cada relatório, ações e argumentos discutidos em relação a empresa. Observava os lábios tão vermelhos de sua chefe, enquanto ela verbalizava suas sílabas minuciosamente pensadas.

Obviamente Arabela não deixou esses olhares se perderem em um descuido da sua atenção. Percebia-os tão nitidamente que mais olhava para ela do que para os seus convidados: era como se a conversa fosse entre ela e Elisa e não houvesse mais ninguém naquela sala.

Depois de uma hora e mais alguns minutos, finalizaram suas decisões, e não houve negações por parte do vice, menos ainda de quaisquer acionistas; tudo havia se tornado uma conversação amigável e cheia de ideias.

Elisa proibidaOnde histórias criam vida. Descubra agora