Que de admiração em admiração nasce uma paixão, já sabemos! Aquele rosto começa a aparecer com mais frequência em nossa mente; o sorriso e as expressões dominam nossos pensamentos; aquele perfume ou aquele cheiro qualquer fica em nossa memória; e até mesmo o que ainda não foi vivido se faz mais do que presente em nossa imaginação. Era tudo isso o que Elisa tinha sobre a bela mulher de lábios vermelhos, mas para ela, uma grande amizade estava nascendo, já que a negação era mais aceitável.
Ela percebeu que talvez seu exagero emitisse algo novo e diferente, porém, afundou-se na ideia de que a mais recém-nascida relação era de duas colegas de trabalho que se conheceram, deram conselhos uma à outra e logo se identificaram. Para ela era mais cômodo passar a maior parte do tempo tentando mudar o foco das lembranças, para algo que lhe oferecesse conforto e proteção.
Já Arabela tinha a certeza de que estava tão atraída por sua Diretora, que sequer parava de desejar estar diante dela novamente. Corria os olhos para o restaurante, e Elisa não estava, fazendo-a sentir tédio e desejando que o tempo passasse depressa para um novo dia chegar.
Sobre o jantar entre ela e Melissa não houve nada em especial, já que a europeia não parou de falar um minuto de si mesma e as inúmeras coisas que queria fazer no país. Para Viscenza, aquele era o mais maçante dos jantares; seu plano era sai sozinha e curtir a noite com qualquer bela mulher que se interessasse; preferia beber em um ambiente mais sensual, algo instigante e do seu agrado.
Assim que se despediram da front do estabelecimento, ambas se dirigiram ao carro, mas antes de atingirem dois metros de distância do automóvel, Arabela teve uma ideia, porém precisava da colaboração de sua namorada:
— Gostaria de te pedir algo e não aceito uma resposta negativa! — falou ela, olhando para a moça.
Melissa elevou uma das sobrancelhas e pendeu a cabeça para o lado como se, por instinto, já soubesse o que era.
— O que é?
— Quero ver meus pais e desejo que vá comigo! — revelou Arabela, parando seus passos para encarar Melissa.
A mulher de olhos azuis e sotaque estrangeiro fechou sua face em uma carranca, mas a desfez assim que montou uma expressão de deboche e desaforo: sabia que aquela noite terminaria em grandes farpas trocadas com sua sogra.
— Por que não me leva embora e depois vai até lá?
— Porque quero que a minha namorada veja o meu pai. Desde que chegamos você sequer foi vê-lo — exclamou ela, elevando a cabeça em sinal de superioridade.
Ao adentrarem o carro, Arabela olhou de soslaio para Melissa, esperando uma resposta.
— Sabe o motivo que me proibiu de ainda não ter ido!
— Sei sim. Você não liga para a minha família. Cada dia mais percebo o rumo que as coisas estão indo.
A alemã arregalou os olhos e encarou Viscenza de forma estranha, como se não entendesse a indireta ou se fizesse de coitada: colocou as duas mãos no peito e comprimiu os lábios numa pressão exagerada.
— Por que disse isso? — Ela parecia estar se ofendendo cada vez mais, até que viu a reprovação nos olhos de Arabela, fazendo com que ponderasse sobre a resposta. — Não sei se quero acabar essa noite deliciosa com um cutucão da sua mãe.
— Se você for gentil ela também será. Ah, e se ela não for, seja você quem mostrará que não há necessidade de desavenças! Não estou te pedindo nada de extraordinário, Mel! — falou a senhorita Viscenza, passando o dorso dos dedos no maxilar da moça ao lado.
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Elisa proibida
RomanceComedida, tímida e muito educada, Elisa é Diretora financeira de uma das maiores empresas de cosméticos femininos do Brasil e Europa, sendo também a maior produtora de comerciais. Por decisões do destino, a jovem executiva conhece a filha dos chefes...
