O APOGEU DO LIVRO

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Das grandiosas cenas que foram reveladas desde o início do livro até agora, pudemos guardar incontáveis emoções. Grande sucesso! A mais esperada delas foi aquela em que se desabrocharam em segredo, tendo consigo o mais profundo dos seus delírios.

Eu sei que ainda há outras coisas mais, só que é de estimável importância que a leitora entenda que me aprofundei apenas no essencial. Esse último capítulo é aquele determinará o que quer que o destino descreveu, e garanto não ser como está esperando, minha adorada. Não me culpe se as suas teorias não se concretizarem. Só estou fazendo o meu papel, e a narração foi o que me sobrou.

Elisa e Arabela foram tragadas pelo descaso dos medos. Viscenza por não ser amada, e Falcão por não ter forças de amar. Um tanto clichê! É aquela velha história que vemos: a moça comedida se apaixona por um amor proibido e se entrega, mas no fim tem medo de concretizar suas decisões. O que pode-se interpretar na última cena era o mais profundo e doloroso medo.

A Presidente arqueou seu corpo para a frente, colocando os cotovelos sobre a mesa, fazendo com que a mais velha elevasse os olhos e a encarasse com pesar. Elisa buscava as palavras certas, mas não conseguiu formular nada. Seu silêncio culminava em horror. Então Arabela disse em um tom manso:

- Nunca quis ser a autora de destruição alguma em seu casamento. No coração a gente não manda, Elisa. Não peço que diga que me ama também. Apenas deixo em suas mãos a decisão de estar comigo e assumir uma nova vida ao meu lado, ou permanecer sendo prisioneira dessa gaiola.

- Não jogue essa decisão em mim. Tem sido difícil demais. Preciso resolver tantas coisas - falou chorosa.

- Está certo, Elisa. Não vou mais te incomodar com isso, até porque você é uma mulher bem resolvida, não é? Já me deu a resposta há muito tempo.

Viscenza se levantou calmamente sem tirar os olhos de Falcão, mas em seus pensamentos suplicava que a Diretora pedisse para que ela ficasse e escutasse suas declarações. Arabela queria que Elisa lhe dissesse que lutaria pelo amor que tinham, porque via em seus olhos a reciprocidade, só que tudo o que a morena fez foi franzir o cenho, engolir o choro e baixar os olhos, sem verbalizar uma interjeição sequer. Nada foi ouvido. Para a Presidente, coube apenas lhe dar as costas e deixar o estabelecimento.

Elisa chorou em silêncio, com a sensação de peito em ruinas, fadigada pelo desespero. Essa era a sua decisão? Deixaria mesmo que Arabela fosse embora para nunca voltar à sua vida? Tudo o que ela fez foi caminhar pelas ruas até o carro, em uma tristeza lastimável, deixando quaisquer esperanças para trás.

Viscenza adentrou a Lamoncler e se trancou em sua sala, aproveitando que os pais desceram até a linha de produção. Ela não quis nem mesmo conversar com Núbia que a viu em um estado silencioso e derrotado:

- Arabela, o que aconteceu?

- Quero ficar sozinha, Núbia. Se perguntarem de mim, diga que estou ocupada com alguém ao telefone. Me deixe pensar.

- Estou aqui se precisar.

Nenhuma resposta foi ouvida. A secretária olhou para a mesa e caminhou até o móvel, para então se sentar. Ligou para Elisa, mas não conseguiu contato, porque o telefone estava desligado.

Depois de longos minutos, Elisa retornou à casa. As coisas pareciam quietas, mas cheias de tribulações. Quando saiu, Aurélio não estava, mas no seu retorno, ele se encontrava sentado na cama, enquanto colocava as mãos na cabeça. O homem pensava em muitas coisas ao mesmo tempo, mas não demorou para perceber a presença dela.

- Você está bem? - disse Elisa.

- Sim. Só estou pensando um pouco.

- Eu fui espairecer a cabeça. Só queria respirar.

Elisa proibidaOnde histórias criam vida. Descubra agora