5. DON'T LOOK BACK

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Acordei com o cheiro de café fresco.
No sonho, minha mãe terminava de fazer panquecas e preparar o café antes que eu fosse pra escola, mas o cheiro do café era tão forte que me fez acordar e perceber que era real.

Jisung não estava na cama, mas o cheiro dele ainda estava no travesseiro. Ouvi barulho na cozinha, e quando percebi que ele estava lá, meu coração ficou mais tranquilo, mas ainda estava faltando alguma coisa, algo que eu já não experimentava a um bom tempo.

Abri a gaveta com rapidez, retirei de lá meu único saquinho de cocaína e cheirei metade do pó antes de esconder tudo e ir pro banheiro. Imediatamente me senti melhor depois disso, como se a dor no meu corpo e a tontura na minha cabeça fosse mais suportável depois da droga.

Nem me lembro qual foi a última vez que tomei banho. Entre tantos desmaios e horas de sono, não tenho noção de quanto tempo se passou, e nem que dia é hoje.

Lavei meu cabelo e escovei meus dentes, depois vesti um suéter preto e calça preta igual a todas as minhas outras roupas e finalmente fui até a cozinha, onde Jisung estava.

Ele cantava alguma música inaudível enquanto virava panquecas na frigideira, completamente imerso nos próprios pensamentos.

Eu me lembro de ter dormido abraçado com ele, e suas mãos acariciavam meu cabelo de vez em quando. Eu nunca tive uma experiência assim com ninguém, e pensar nisso me deixa com medo.

- Ah...- ele murmurou sentido, fazendo um biquinho triste - Acho que errei a letra.

Quando percebi, estava sorrindo enquanto o olhava. Fui em sua direção e o abracei por trás, distribuindo beijos no seu pescoço que fizeram ele rir e sentir cócegas.

- Bom dia, hyung - sorriu.

- Bom dia, Hannie.

- Dormiu bem? - Ele terminou a última panqueca e colocou o prato sobre o balcão, se sentando a minha frente e me dando um sorriso enorme com seus dentinhos tortos.

- Muito bem - sorri.

- Eu não sabia se você gostava de panqueca, mas foi o que deu pra fazer - riu.

- Eu gosto, a minha mã... - parei de falar imediatamente quando percebi que estava indo longe demais ao falar sobre ela - A minha vontade é comer todos os dias.

Coloquei mel por cima, e comi o primeiro pedaço, elogiando assim que senti o sabor familiar. Jisung sorriu, e só depois de ver que eu tinha gostado começou a comer.

Durante a refeição, ele tagarelou sobre a falta de comida saudável na minha geladeira e eu fingi me importar com isso até que terminássemos de comer. Enquanto colocava a louça na pia, ele tirou um prato da minha mão e me fez virar pra ele com as mãos cruzadas na minha cintura.

- Eu vou entregar alguns currículos hoje, eu estava pensando se...- desviou o olhar, com as bochechas começando a ficarem rosadas - Se você não queria vir comigo.

Me senti nervoso. Já fazia muito tempo que eu não saía, e tudo que entrava na minha casa vinha por delivery.

A ideia de ir lá fora não parece tão absurda. Na verdade, é claro que sinto receio em fazer isso de novo, mas não sinto tanto medo, e além do mais, não consigo negar nada que Jisung me pede.

Entretanto, não é o convite dele que faz com que eu fique em silêncio preso em meus pensamentos, e sim o que ele acabou de falar misturado com flash's de memória dos meus últimos dois dias.

- Você contou aos seus pais que perdeu o emprego? - pergunto, mesmo já sabendo a resposta. O único motivo que fez Jisung contar a eles sobre isso foi o fato de eu tê-lo enxotado pra fora da minha casa, e ele sem ter aonde ir, acabou tendo que enfrentar o que mais temia.

- 𝙇𝙊𝙑𝙀'𝙎 𝘼𝘿𝘿𝙄𝘾𝙏; (𝑚𝑖𝑛𝑠𝑢𝑛𝑔)Onde histórias criam vida. Descubra agora