Estávamos subindo pelo elevador até a cobertura do lugar. Tudo estava suspeito e eu tinha certeza que era alguma armação, pois liberaram nossa entrada como se já nos esperassem, assim que chegamos, e perguntamos do Jiyong, já foram dizendo que podíamos subir, mas ainda assim Tae e eu subimos. Ele estava desconfortável e não parecia querer estar ali, mas eu sabia que ele não me deixaria sozinha.
Eu queria acabar com aquilo de uma vez, por mais que eu amasse Jiyong, jamais aceitaria esse tipo de mentira. O elevador parou e fomos em direção a porta grande e pesada de madeira. Nos olhamos por uns instantes e então dei uma batidinha na porta. A porta se abriu e o pai dele estava lá.
-Bom dia! -ele disse e fez um pequeno aceno. Kim e eu apenas acenamos e ele deu espaço para entrarmos. -Você cresceu muito Taeyang.
-Sim... -Tae disse e seguimos até a lateral da porta e ele se colocou ao meu lado. Pode chamar o Jiyang por favor?
-Vou chamar... mas antes eu gostaria de conversar com essa garota... como se chama? -Ele andou até o sofá e fez um sinal para que eu me sentasse, olhei para o Tae e respirei fundo, só por aquele minuto eu gostaria de ser como a Clara, que provavelmente teria dito que não estava interessada em conversar, que queria ver ele e pronto.
-O nome dela é Isabel... suponho que já saiba disso. -Kim é firme, então dá dois passos à frente e fico atrás dele. -Suponho que saiba que ela e seu filho estão juntos também.
-Jiyong é um garoto que adora quebrar as regras e se divertir... já devem ter observado isso. -O português dele era tão bom quanto o do Jiyong... provavelmente aprendeu quando veio ao Brasil e durante o tempo que esteve com a mulher a quem ele devia ter amado e cuidado. -Eu vim buscar meu filho. Ele não tem mais tempo para brincadeiras... e tudo isso até agora não passou disso.
-Acha que o que temos é uma brincadeira? -pergunto e me coloco ao lado do Kim.
-Do que chama isso? Namoro?
-É um namoro. -Digo com firmeza e ele sorri.
-Você sabe o que é para meu filho? -ele se aproxima um pouco e eu não recuo. -Não só para ele, como para todos que conhecem ele em seu país. -ele coloca as mãos no bolso e para de andar, ficando perto de Nós dois. -Você é o passatempo que ele encontrou para se distrair do noivado dele... uma despedida de solteiro. -ele diz e sinto o enjoo novamente, aquelas palavras estavam entrando em minha mente e coração, mas me lembrei que Jiyong pediu que eu não conversasse com o pai sozinha. E Fui avisada por Kim que eles fariam qualquer coisa para terem controle da situação. -Uma amante.
-Onde ele está? -me mantenho firme e apenas pergunto.
-Ele não te disse que tinha que resolver umas coisas no país? Talvez tenha usado a desculpa do exército...mas ele já serviu.
-Eu sei... ele me contou.
-Huuum...ele só não contou o principal... certo? Que ele tem uma noiva e está de casamento marcado para junho do próximo ano... daqui a pouco mais de 6 meses.
-Não acredito em você.
-Que pena... mas a noiva dele está aqui comigo... gostaria de conhecer ela? -ele diz e encaro Kim.
-O que está querendo? Seja claro.
O pai de Jiyong começou a falar em coreano, e Kim parecia estar ficando irritado. Então o senhor Kwon parou bruscamente a conversa e chamou por alguém... logo uma garota bonita, de cabelos pretos, longos e levemente ondulados entrou, estava com um vestido soltinho, branco de alcinha. Ela estava com uma pantufa no pé se aproximou e fez um leve cumprimento com a cabeça e parou ao lado dele. Eu estava em choque.
-Esta é a noiva dele. MiNa. -ele então falou com ela em coreano e ela sorriu de maneira doce e se aproximou.
-Olá! -ela acenou sorridente e terminou de falar em coreano, colocando o cabelo atrás da orelha e falando empolgada. Ela era realmente linda.
-Ela disse que só sabe falar isso em português, que Jiyong não ensinou ela, mas que prometeu que vai assim que ele voltar. -ela voltou a falar em coreano novamente e foi até o sofá e fez um aceno para que sentássemos. -ela disse que vai se esforçar para aprender a conversar com a gente também... e disse para sentarmos... porque Jiyong ainda está dormindo, mas ela vai chama-lo.
Meu coração não queria acreditar naquilo, eu não sabia de onde tirei aquela coragem, mas simplesmente segui para dentro do imenso corredor e abri as portas que apareciam, abri uma, era um banheiro imenso, abri outra, um quarto com a cama ainda desarrumada e uma mala rosa, segui para a porta do centro e abri a porta, Jiyong estava dormindo, todo jogado na cama, com as roupas jogadas ao lado.
-Isa... -Kim estava ao meu lado, e a garota doce agora estava com uma expressão irritada... mas eu estava mais ainda. -Vamos embora.
-Sinto muito Kim... mas ... eu preciso ouvir isso dele. -digo e sinto meus olhos arderem.
Kim falou algo em voz alta para o pai de Jiyong e fechou a porta do auarto novamente, então o pai se aproximou e eles estava discutindo sobre algo... ouço a porta atrás se abrir... Jiyong estava parado, recém acordado e assustado. Olhou para todos e depois para mim.
-É verdade? -pergunto e ele encara o pai... eles falam coreano e ele parecia furioso. -Te fiz uma pergunta. -vou até ele e paro na sua frente. -É verdade que... ela é sua noiva?
-Isa... escuta...
-RESPONDA! -grito e sei que todos prestavam atenção... mas as lágrimas já caiam livremente pelo meu rosto. Eu nem conseguia mais segurá-las.
-Não como você imagina...
-E como eu imagino? -sorrio sarcasticamente.
-Eu não escolhi...
-Mas aceitou. - O pai afirma e ele olha furioso para o pai.
-Eu apenas ganhei tempo... se eu recusasse o noivado não poderia vir para o Brasil.
-Isso não muda o fato dela ... ser sua noiva... -digo e logo uma palavra cerca e me assombra. -Ai meu Deus... eu sou ... o que sua? Amante? -pergunto e o desespero toma conta de mim. Como eu odiava essa palavra e o que ela representava.
-NÃO! -ele se aproxima e me segura pelos braços. -Eu escolhi você... jamais me casarei com alguém que não seja você...
-Me solta... -digo sem força e começo a chorar -Não acredito que mentiu pra mim... não acredito que me escondeu isso.
-Isa... me escuta... -ele juntou nossa testa e eu senti seu perfume misturado com álcool.
-Não me toca... -tirei as mãos dele de novo e me afastei. -Você teve todo esse tempo para me explicar... mas estava zombando da minha cara... curtindo e aproveitando suas férias... e depois... -limpei meus olhos. -Ia voltar para se casar...
-Não... Isa... eu ia voltar para terminar.
-Não parece que ela saiba que vocês terminaram...-digo amargamente e ele para na minha frente e vejo seus olhos cheios de lágrimas.
-Isa...
-Terminou com ela? Me diga que isso é apenas uma armadilha...
-Eu ia terminar...
-Ai meu Deus... você mentiu esse tempo todo. -digo e passo as mãos pelos cabelos e sentia que precisava sair dali para respirar.
-Isa... ele corre atrás de mim e agarra meu braço.
-Me solta...-me viro para encará-lo e estava tão furiosa q eu estava respirando fundo. -Me solta...-digo e empurro ele. -Você me enganou... mentiu...eu confiei em você. -Digo exaltada e ele segurou minhas mãos e tentou me puxar para um abraço.
-Eu ia resolver tudo e voltar pra você sem compromisso... sem nada Isa... Eu juro Isabel... eu te amo.-Ele diz e olho em seus olhos...-Por favor...-Ele diz, e eu olho para a garota que estava confusa e chorando. Percebi que era por minha culpa... que estava estragando o noivado dela... que estava destruindo um compromisso igual ao que fizeram com minha mãe...que eu me tornei o que mais odiava... amante de alguém. -Isa...
-Você me fez de amante... -digo e começo a chorar. -Você sabe o tanto que odeio isso... e você não se importou com meus sentimentos. Apenas com você mesmo.
-Sim... meu erro foi ter sido egoísta...foi querer você e sonhar com um futuro que eu mesmo escolhi pra mim... querer que fosse você...-eu ainda olhava a noiva dele... e me lembrei de como minha mãe ficou quando descobriu e de como todos enxergavam a amante destruidora de lares.
-Acabou. -digo e ele paralisa.
-O que? O que acabou Isabel? -ele se aproximou e agarrou meus braços de novo.
-Tem razão... nada acabou... porque não éramos nada. -digo e olho em seus olhos.
-Eu amo você Isabel... não faça isso... por favor... me escuta...
-Não quero mais ver você.-Digo e ele paralisa. -Não confio mais em você... não sei quem você é... me apaixonei por uma farsa... -digo cheia de raiva e tiro as mãos dele de mim. -A pessoa por quem me apaixonei... foi por um garoto livre, alegre, sincero, verdadeiro e que me amava... mas ele não existe.
-Isabel... me deixe ao menos explicar.
-Explicar o que? -olho nos olhos dele. -Ela não é sua noiva? Você não mentiu? Isso aqui não foi apenas uma despedida de solteiro?
-NÃO! -ele grita e eu deixo algumas lágrimas escaparem.
-Porque dormiu aqui?
-Eu bebi muito a noite... eu não imaginei que meu próprio pai armaria algo tão baixo. -ele diz e encara o pai.
-A culpa é do seu pai que nos deixou entrar... mas não sua que mentiu e esteve aqui o tempo todo? -pergunto e ele se cala.
-Eu apenas dormi... sozinho em meu quarto. Voltaria para casa assim que acordasse.
-Bebeu com quem?
-Ela sabe que eu não a amo.
-Por que não terminou com ela? -pergunto,e sinto mais lágrimas descerem pelo meu rosto.
-Preciso encerrar isso com a família dela Isa... por isso te disse que iria até a Korea...
-Ficou louco? Não pode terminar um noivado de 3 anos. -O pai se aproxima.
-Está preocupado com seus investimentos... não com meu casamento.-Jiyong responde e eu me afasto dele.
-Vamos embora Kim... não temos o que fazer aqui. -digo e Jiyong me encara assustado.
-Isa... não faz isso... vamos juntos pra casa e conversamos lá.
-Eu vou pra minha casa... e não quero ver você lá. -Digo e sinto meu peito doer. Odiei as histórias de Clara naquele momento... aqueles romances que terminavam em tragédia... se eu não tivesse conhecido Jiyong, ou ao menos tivesse ouvido meus instintos e me afastado no início, não estaria passando por isso.
Me afastei e fui até a porta. Ouvi uma discussão em coreano e Jiyong estava furioso, falando com o pai, a noiva estava assustada encarando tudo, Kim apenas me puxou e me arrastou para fora dali.
Eu não me lembro de entrar no elevador, não sei se foi um sonho ter visto ele vindo correndo em direção enquanto a porta se fechava, não me recordo do caminho para casa... eu estava confusa, furiosa e sentia que meu coração e cabeça iriam explodir.
Kim parou o carro na rua de trás e me deixou chorar por um longo tempo. Os soluços eram fortes e eu não sabia de onde vinha tanta lágrima. Queria raciocinar... mas minha mente estava uma bagunça. Não queria que meus padrinhos me vissem assim... não queria lidar w a Clara nesse estado, ela iria reagir mal e era bem capaz de ir falar com o pai e o próprio Jiyong.
-Posso te levar para minha casa. -Kim diz e eu faço um não com a cabeça.
-Não quero ver ele... não quero ouvir as desculpas mentirosas que essas pessoas que mentem e enganam as outras contam para justificar suas mentiras sujas. -levanto o rosto e lembro das desculpas que meu próprio pai usou para justificar a traição que fez com minha mãe. -Meu pai disse para todos que não estava mais com minha mãe... que era apenas por minha causa... que ele não a amava, que estava se sentindo sozinho, que ela não o amava mais e ele estava infeliz. Mas ainda dançava com minha mãe no meio da sala, ainda jantavam juntos e ficavam sorrindo um para o outro pela casa e dizia que a amava. Ele fazia isso em casa, e fazia outra coisa na rua... era nojento. -digo e passo a mão no meu cabelo, puxando-os para trás.
-Isa... podemos conversar sobre isso depois... não agora que você está nervosa... mas um casamento arranjado pelas famílias não é incomum na classe social dele...não na Korea.
-Não quero falar sobre isso agora... nada justifica as mentiras e ele esconder essas coisas de mim. Fui honesta com ele, deixei ele se aproximar de uma maneira que não permiti que ninguém mais se aproximasse...
-Fique com minha mãe... ela vai gostar de ter você lá... meu pai está no interior, visitando meus avós e cuidando de umas coisas... ela vai se sentir melhor. -ele sorri e me entrega uma caixinha com lenços - Só até seus padrinhos irem embora... e você poder descansar um pouco.
-Obrigada Tae! -digo e ele sorri, ligando o carro novamente e seguindo para a casa dele.
Chegando lá, a senhora Kim me abraçou e me levou para o quarto de hóspedes, ela e Kim ficaram na sala e eu sabia que era falando sobre a história. Eu agradeci que me deixaram sozinha, precisava chorar e colocar a cabeça no lugar. Eu sempre fui racional, não podia permitir que meus sentimentos me comandassem agora. Eu precisava pensar e entender essa situação. Precisei desligar meu celular, porque Jiyong estava ligando sem parar. Talvez eu tentaria ouvir o que ele tinha a dizer... mas não faria isso agora. Fechei meus olhos com força e enquanto as lágrimas molhavam o lençol, permiti chorar tudo até que o sono viesse e me puxasse dali. Mesmo que por poucas horas, só queria fugir dali.
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Stupid Liar
Fiksi PenggemarIsabel, uma garota determinada, centrada ,cheia de sonhos e planos para seu futuro, mas que guarda algumas mágoas do passado que a impedem de permitir que ela se apaixone, vê sua vida virar de cabeça para baixo quando conhece Kwon Ji-Yong, um garot...
