Ele já caiu por cima de mim, sem perder tempo, enquanto eu me perdia nele, faminta novamente. Meu corpo relaxado do sol e do mar cedeu completamente ao dele, sem reservas, enquanto rolávamos juntos pela cama estreita, a luz do fim de tarde filtrada levemente pela cortina de renda sacudida pela maresia.
Me senti cada vez mais embriagada pelo seu cheiro delirante, enquanto ele se enfiava em mim com cada vez mais força, por cima, por trás, de lado.
Senti suas mãos ásperas de areia e mar passeando pela minha pele, apertando minhas coxas, minha bunda, se enroscando no meu cabelo.
Enlacei minhas mãos em sua nuca enquanto apertava meu corpo contra o dele, sentada em seu colo, movimentando meu quadril cada vez mais rápido, choramingando por alívio.
Nos enroscamos naquele jeito preguiçoso e pegajoso de fim de tarde, os corpos suados ainda melecados de areia e com gosto de maresia. Senti seus lábios dançando sobre a minha pele com hálito quente, ardente, espalhando calafrios por todo o meu corpo. Sua língua de fogo descendo pela minha garganta, entre meus seios, entre as minhas pernas.
Gritei sem pudor, tranquila de estar perdida com ele no meio do nada. Mordi sua pele entre meus dentes, cada vez mais faminta por seu gosto, já completamente enlouquecida.
Desci até o meio de suas pernas e o coloquei inteiro na minha boca, me deliciando com a sensação de controlar seu prazer na palma de minhas mãos, na ponta da minha língua. Lambi tudo de cima a baixo, me deliciando com o gosto, com sua respiração entrecortada, fincando fundo minhas unhas na carne de suas coxas.
Por ele se levantou da cama comigo no colo e me levou para o precário chuveiro de água doce ao lado do quarto. Ele me manteve presa firmemente à sua cintura enquanto a água corria entre nossos corpos, levando o sal a areia e o suor.
Ele me deixou de costas, apoiada contra a parede do box, acariciando meios seios e fincando os dentes na curva do meu pescoço enquanto metia mais e mais forte na minha carne sensível, até que eu explodisse com um grito engasgado.
Deitamo-nos exaustos sobre a cama estreita, adormecendo quase que instantaneamente sob o fim de tarde fresco que entrava pela janela com vista para o mar. O mar parecia um espelho reluzindo com os raios de sol ainda quentes do crepúsculo que se aproximava. Me lembro apenas de despencar num sono irresistível, divisando as últimas palavras da voz de Marília Mendonça.
É tipo um vício que não tem mais cura
E agora de quem é a culpa
A culpa é sua por ter esse sorriso
Ou a culpa é minha por me apaixonar por ele
Só isso
- Manuela?
Eu senti sinceramente como se tivesse dormido por dias. Acordei assustada, naquele estado de consciência que você sinceramente se pergunta em que ano você está no momento. Senti a respiração pesada e o coração se acelerar de susto.
- Meu deus mulher, calma. Se acalme. Você sempre acorda como se o Brasil tivesse acabado de declarar guerra. Meu deus.
Pisquei na direção dele, ainda confusa. Me sentia lenta, ligeiramente zonza.
- Vamos, já está na hora de ir.
O sol já tinha se posto, mas lá fora ainda não estava completamente escuro. O céu em tons de violeta e chumbo estava naquela penumbra indecisa, ligeiramente mágica, entre o fim da tarde e o começo da noite.
Troquei de roupa ainda meio zonza de sono, já que aparentemente a dama em mim estava chocada pelo fato que eu tinha dormido pelada numa cama completamente desconhecida.
A dama em mim estava ficando chocada com frequência ultimamente, vamos combinar.
Quando saí da casa, Pedro já estava de capacete, a viseira levantada, e montado na enorme moto de guerra. Quando me aproximei, ele ofereceu uma enorme jaqueta de couro na minha direção.
- Vista isso, a volta é sempre mais fria.
Eu poderia nadar naquela jaqueta enorme. Mas agradeci o gesto e vesti a peça junto com o capacete.
O caminho de volta pareceu mais longo que a ida. Ou talvez ele de fato estivesse dirigindo mais devagar, já que a noite já tinha caído e o vento que nos atravessava estava cada vez mais frio. Me aproximei do seu corpo com mais força, tanto pelo frio cada vez mais intenso quanto pelo medo constante de morrer quicando no asfalto.
Lentamente fomos deixando a praia vazia e adentrando pelas cidades infinitas que circundavam a megalópole de São Paulo. Logo estávamos cortando os carros pelas ruas tão familiares, constantemente acompanhados pelo ronco profundo da moto.
Eu precisava de um momento de paz para analisar meus pensamentos, que voavam desgovernados dentro da minha pobre cabeça, como milhares de bolinhas de gude sendo chacoalhadas violentamente num enorme pote de vidro.
Mal sabia que eu não teria a menor paz naquele dia.
Quando entramos no elevador do prédio, Pedro apertou apenas o botão do sexto andar. Eu fiquei olhando aquele círculo neon iluminado com o número 6 no centro, como se algo fantástico estivesse prestes a ocorrer. Mas não consegui segurar meu dedo antes que ele pressionasse também o número 5. Não olhei para Pedro, mas tenho certeza que ele não esboçou nenhuma reação.
As portas metálicas correram lentamente pelos trilhos do elevador, como as cortinas de um teatro se arrastando e revelando o palco.
Diante de mim, ajoelhado contra a porta do meu humilde apartamento, completamente embriagado, com a roupa manchada de vômito, se encontrava meu ex marido. O barulho do elevador o despertou, e imediatamente ele fixou os olhos injetados em mim.
- Maluela!!! Eu fim confersar.
OLÁ. Aqui só me resta agradecer aos leitores maravilhosos que me acompanham. Muito muito obrigada pelo carinho e pela paciência infinita. Prometo mais uma vez nao demorar mais. Muito obrigada a todos vocês <3
Marília de Marco
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Café com Leite
Storie d'amoreUma mulher traída precisa voltar para a fazenda do pai para não desmoronar. Ela só não imaginava que era por lá mesmo que ela ia encontrar exatamente o advogado de divórcio que estava precisando.
