Capítulo 8 - Pedro

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A hobbitzinha estava furiosa, era facílimo notar. Acho que se alcançasse meu pescoço, ela certamente passaria uma espada nele.

Uma pena que ela ia precisar de uma escadinha. Tadinha.

Apertei o botão da cobertura e sorri pra ela meu sorriso mais sacana. Os olhinhos castanhos dela literalmente relampejaram de ódio.

Era muito fácil irritar a pinsherzinha, chegava a ser covardia.

Chegamos ao terraço que ficava na cobertura, onde um restaurante intimista e agradável servia seus clientes ao ar livre, com uma vista espetacular.

Eu tenho que fazer uma confissão. Eu tinha mentido pra pinsherzinha. A tradição de novos clientes era na verdade um simples brinde com uma champagne especial que ficava guardada no frigobar da sala de reuniões. Porém, que mal faria eu fazer a donzela pagar meu jantar? Vamos combinar que eu estava merecendo um jantar.

E eu estava faminto.

A nova cliente era de fato irritante. Por mim, não tinha aceitado esse caso de divórcio. Seria muito mais fácil seguir minha vida em paz. Eu sabia, no momento que eu apertei a mão da diabinha e fechei nosso contrato, que eu estava metendo a mão num vespeiro. Um vespeiro particularmente nervoso, de 1,65m de altura e cintura do tamanho de uma pulseira.

Mas eu fui praticamente obrigado pelas circunstancias.

Até por que digamos que eu já conhecia dona Manuela Morales Diniz de outros carnavais. Não que ela fosse se lembrar. Uma menina como ela nunca se lembraria de alguém como eu. Ainda mais depois de tantos anos e de tantas reviravoltas da vida.

Uma menina mimada e irritante, mas que tinha sido beneficiada pelo tempo, digamos assim. Ela realmente tinha caprichado no visual, com um elegante vestido branco que complementava suas formas de maneira sugestiva, contrastando com o cabelo escuro, que combinava com sua pele bronzeada de uma forma interessante.

Sacudi o pensamento da cabeça. Foco Pedro!

Pedi ao maître uma mesa para dois quando senti meu celular vibrar no bolso da calça. Era uma mensagem do Rodrigo. Pedro, pelo amor de deus, não invente de dar em cima de cliente. Lembra o que aconteceu da última vez né!?

Afs. Como vocês podem ver, o Rodrigo era o chato da relação. Era óbvio que eu não ia me relacionar com nossa nova cliente dessa forma. Eu só queria irritar ela um pouquinho. Depois de tantos anos, eu merecia esse prazer.

E, além do mais, eu jamais seria tão antiético a ponto de me relacionar com uma cliente do escritório. Com exceção de uma vez. Mas eu era muito jovem e inexperiente e tomei no cu. E não ia deixar isso ocorrer novamente. Era uma regra absolutamente incontornável da minha conduta profissional: não se relacionar com clientes nunca mais.

Eu não era tão estupido. E, nos últimos sete anos, isso nunca mais tinha chegado nem perto de acontecer. Ou seja, a preocupação do Rodrigo era completamente infundada.

Sentamos numa mesa mais afastada, de frente para o outro. Era um restaurante intimista, com mesas separadas, na parte aberta do terraço. Fazia uma noite muito agradável para ficar do lado de dentro. A cara de birra dela estava sensacional.

Procurei no cardápio pelos pratos mais caros da casa, só para irritar minha acompanhante. E, claro, pedi champagne para comemorar. Afinal, cada novo cliente no fundo era mais uma conquista para o escritório que tinha começado literalmente do nada, fruto dos sonhos de dois grandes amigos na faculdade de direito, e que finalmente começava a dar frutos.

Chamei o garçom e pedi o risoto de lagosta e trufas. E a melhor garrafa de champagne da casa.

- Ah que gracinha, o doutor quer me levar à falência.

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