1. Catherinna

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Catherinna

Brasil, 2015


Sempre gostei muito da escola. Estudar era, e ainda é, um prazer para mim, nunca uma obrigação. Admirei todos os professores que tive até hoje, e desde pequena, tenho certa facilidade em absorver tudo que me é ensinado. Não sou do tipo puxa-saco, nunca fui e nem precisei ser, mas, mesmo quando criança, gostava de me manter atenta a tudo que meus educadores diziam, preferindo prestar a atenção na primeira explicação dada sobre qualquer matéria ou assunto, apreendendo tudo que era possível, pois na minha lógica infantil, parecia ser muito mais fácil assim.

Desde aquela época, me realizo ao aprender coisas novas e sou grata por poder manter esse hábito até hoje. Na escola, me sentia incomodada em ouvir um professor repetir a mesma explicação mais que uma vez, aliás, ainda me sinto dessa forma independente de quem é o interlocutor, acho desrespeitoso com as pessoas não lhes dar atenção enquanto se dirigem a mim, assim como gosto de ter total atenção quando estou falando, ensinando ou explicando algo.

No ensino fundamental, quando temos o primeiro contato com todas as matérias que iremos ver no decorrer dos anos letivos, as ciências sociais e biológicas me fascinavam mais do que qualquer outra. É claro que talvez pela minha personalidade argumentativa e contestadora, também amava quando a professora de língua portuguesa, disciplina com a qual sempre tive muita afinidade, após um debate, dizia: "Você seria uma ótima advogada querida."

Comentários desse tipo, feitos por variados professores ao longo da vida escolar, mexeram com a minha cabecinha inocente de criança entrando na pré-adolescência, fazendo com que meus planos para a vida adulta permanecessem em constante mutação, me levando a sonhar com uma profissão diferente de tempo em tempo, dependendo do assunto que me fascinava no momento, mas é fato que sempre gostei de argumentar e expor – as vezes impor – minha opinião.

Nesses anos todos, já quis ser professora de educação física, bióloga, historiadora, advogada, química, médica, escritora e jornalista. E essas são só algumas das profissões pelas quais me apaixonei e que me fascinaram ao longo do tempo escolar. Contudo, quando me aproximava do final do ensino médio, o que mais queria era ser enfermeira.

A ideia de me dedicar ao cuidado de outras pessoas sempre me encantou. Conforme fui crescendo, e amadurecendo, comecei a pensar como seria poder oferecer conforto e carinho a alguém que está passando por uma situação difícil e, muitas vezes, não tem ninguém com quem conversar, alguém que lhe escute, que se importe.

Porém, esse sonho ficou em suspenso quando prestei vestibular para o curso que almejei e percebi que meu pai, apesar de ter orgulho da minha escolha e vontade de ajudar, não teria como arcar com as despesas de um curso de Enfermagem em tempo integral.

Quando me vi nessa situação, precisei pensar em uma alternativa mais viável. Não queria ficar sem estudar e precisava de uma profissão que me proporcionasse a possibilidade de me manter sozinha. Foi assim que encontrei no curso técnico de enfermagem a oportunidade de realizar parcialmente meu sonho, pois a atividade seria bem parecida, apenas não teria um certificado acadêmico.

Ao contrário do que alguns poderiam pensar, isso não me frustrou profissionalmente. A graduação em enfermagem ainda é meu sonho, não desisti, apenas o adiei para um momento mais oportuno, não importa quanto tempo demore, sei que irei alcançar meu objetivo.

Tenho uma melhor amiga de infância, Melissa. Ela é alguns meses mais velha que eu, nossas mães, como nós, são amigas de uma vida inteira, casaram-se mais ou menos na mesma época e sempre moraram vizinhas uma da outra, criaram os filhos como se todos pertencessem a mesma família, tanto que nos referimos aos pais uma da outra como tio e tia.

Assim é...Destino?Histórias para pegar e não largar. Descubra agora