52. Lucca

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— E sim, eu amo!

Posso quase tocar a emoção que emana dela quando fecha os olhos e deixa algumas lágrimas descerem por sua face, no entanto, não há mais qualquer tipo de preocupação em mim, pois ao que parece, ela está feliz, isso o sorriso em seus lindos lábios demonstra. Assim que seus olhos se abrem e seu olhar cruza com o meu, identifico a intenção que eles têm e a deixo agir.

Rapidamente ela vem ao meu encontro e une nossas bocas em um beijo de conhecimento, de posse. A sensação de ter seu corpo próximo ao meu, e sua boca na minha é tão maravilhosa que a noção de tempo e espaço se perdem. Quando ela cessa o beijo, olha em meus olhos, e sei que ainda tem alguma questão.

— E como vai ser agora? — Pergunta apreensiva.

— Vai ser como deveria ter sido desde que nos conhecemos minha boneca!

— É sério Lucca! Não sei bem como agir daqui para frente, como vai ser entre a gente?

A pergunta me deixa momentaneamente desnorteado, será que ela não tem a mesma certeza sobre os nossos sentimentos que eu tenho? Ou eu não lhe passei a segurança que ela precisa? Não quero pressioná-la, jamais o faria, mas nunca mais a deixo se afastar, a menos que seja da vontade dela, é claro, não a faria ficar comigo contra vontade.

Não posso pedir para que se case comigo na semana que vem, vontade não falta, mas tenho noção que ela saiu há pouco tempo de um casamento, e talvez queira um tempo consigo mesma, como aconteceu comigo, contudo, não sei se consigo ser tão altruísta assim, então, resolvo deixar claro para ela.

— Catherinna, eu sei que você está saindo de um relacionamento agora, não quero te pressionar ou algo parecido, mas também não quero demorar a assumir um compromisso com você, não posso arriscar te perder novamente. Cinco anos sem a mulher da minha vida foram suficientes para entender que nunca mais quero ficar longe, mas vou respeitar seu tempo. Só por favor! Não peça para que eu me afaste porque não consigo, não agora que sei que nossos sentimentos são recíprocos. Eu te amo, e por mim, não desgrudaria de você por mais nem um minuto sequer!

— Tudo bem!

Sua resposta confunde, mas mantenho meus olhos nela e sinto o alívio me percorrer quando a vejo gargalhar da minha reação, e, como mantém o sorriso em seus lábios, tenho certeza de que ela gostou do que ouviu. Ponto para mim!

— Você me ganhou no "mulher da minha vida", apesar de ter certeza que essa sua carinha e essas duas piscinas azuis conseguem qualquer coisa de mim.

Não consigo conter o sorriso, vou acabar com câimbras no rosto. Fico olhando para ela e pensando em nosso futuro, uma coisa me ocorre, e se ela concordar, vou colocar em prática.

— Nesse caso, posso te pedir uma coisa?

— Claro. O que você quiser e estiver ao meu alcance. — Desconfiada, ela afirma, me deixa feliz que ela confie em mim dessa forma.

— Sei que o Enzo é o seu confidente, admiro demais a relação de vocês, mas poderia não falar que estamos namorando? Quero contar de um jeitinho bem especial para ele, afinal, foram cinco anos me atormentando.

— Estamos namorando é? — Ela diz sorrindo.

— Lógico que sim, por mim, já estaríamos noivos e semana que vem casados, mas como disse, vou deixar as coisas no seu tempo...

— Eu concordo, mas esse seu sorrisinho zombeteiro está me dizendo que meu irmão vai sofrer na sua mão. Olha lá o que vai fazer!

— Não se preocupe, você vai saber, já que irá fazer parte do plano.

— Nesse caso, vamos combinar que ninguém deve saber até lá, de acordo?

— Plenamente de acordo. Agora me deixe aproveitar mais um pouco a minha namorada, já que não poderemos fazer isso em público por enquanto...

 Agora me deixe aproveitar mais um pouco a minha namorada, já que não poderemos fazer isso em público por enquanto

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Os dias têm sido maravilhosos e tortuosos na mesma medida. Maravilhosos, porque agora que tudo foi esclarecido, tenho a mulher da minha vida efetivamente em minha vida, como minha namorada, mesmo que ninguém saiba ainda, e é isso que me atormenta.

Mas nem posso reclamar já que fui eu quem pediu para mantermos as coisas em sigilo até que eu consiga contar para meu melhor amigo e irmão da minha boneca, o que precisa acontecer logo, afinal, não vejo a hora que todos saibam para que eu possa, enfim, apresentá-la oficialmente à família. Claro que meu melhor amigo anda desconfiado de que algo esteja acontecendo, mas ele é muito discreto para fazer qualquer comentário mais invasivo.

— Enzo? Posso entrar cara? Se estiver ocupado, volto mais tarde. — ­Digo entrando em sua sala que tem a porta aberta e um Enzo muito concentrado em alguns papéis que estão sobre a mesa.

— Capaz bro, entra ai! — Ele ergue a cabeça e me chama para que me sente na poltrona em frente à sua mesa.

— Certeza de que não irei te atrapalhar irmão?

— Claro que não Lucca. E estou morto de curiosidade para saber o que está te deixando tão feliz nessa última semana.

— É sobre isso mesmo que eu gostaria de conversar. Lembra que falei que encontrei minha boneca aqui, no hospital?

— Lembro sim, mas não conversamos mais depois daquele dia. Conseguiu falar com ela? Se encontraram novamente?

— Sim para ambas as perguntas. Nos encontramos novamente e recentemente conseguimos conversar e esclarecer cinco anos de desencontros e mal-entendidos.

— Que bom irmão, estou muito feliz por você!

— Mas nem te contei a melhor parte... Estamos namorando, e quero que a veja.

— Que maravilha Lucca! Claro que eu ainda tinha esperança de ser seu cunhado...

— Mas eu sou seu cunhado Enzo. — Mais até do que ele imagina!

— Eu sei, mas minha pequena merece alguém legal... O bom é que ainda tem o Caio, agora que você não está mais disponível, não é?

Fecho a cara na hora, o ciúme da simples menção da minha boneca com outra pessoa me deixa maluco, mesmo que seja do meu irmão que estejamos falando e que a situação não tenha possibilidade de acontecer, afinal, ela é minha, ele só não sabe.

—Tá tudo bem Lucca? Você ficou estranho de repente.

— Impressão sua, irmão. Estou normal... — Digo tentando me recompor.

­— E como é minha futura cunhada? Me conta como aconteceu, a história toda. — Essa é a minha deixa.

— Então, Enzo... Preciso ir agora, mas gostaria de convidar você e a Lou para um jantar hoje à noite. Assim conto a história para os dois ao mesmo tempo. Ainda não contamos para ninguém, vocês serão os primeiros a saber sobre ela. O que me diz, jantam conosco?

— Será uma honra irmão! Fico até emocionado pela consideração!

— Você é muito especial para nós Enzo, nem imagina quanto! — Acho que ele não entendeu que o "nós" somos eu e a irmã, tenho certeza de que pensa que me refiro a minha família. Melhor assim.

— Conte com a gente, estaremos lá!


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