30. Lucca

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Brasil, 2019


Catherinna!? É você? — A vejo de longe, ela está tão linda como quando a conheci, não mudou nada minha linda boneca. Ela me olha, mas não diz nada. Noto seus olhos tristes e sinto um aperto em meu peito, uma necessidade insana de protegê-la. Mas de que? Quando vejo que ela não me responde, tento novamente. — Catherinna, por que não me responde? Finalmente nos encontramos, depois de tanto tempo... Tenho tantas coisas para falar! Por favor, conversa comigo!

Assim que as palavras saem da minha boca, percebo uma pequena lágrima rolar pela sua face delicada enquanto ela rapidamente vira-se de costas e começa a correr para longe do meu alcance.

— Catherinna! Espere! Catherinna! Catherinna!

Acordo assustado. Sinto meu peito arder em angústia enquanto meus olhos transbordam a tristeza por nem em sonho conseguir tocá-la. Fazia algum tempo que não sonhava com ela e, usualmente, eram sonhos conosco na época do hospital, ela estava sempre feliz.

Mas hoje não, esse sonho foi diferente, o cenário era outro, pude sentir a tristeza dela, tanto que o desconforto físico ainda permanece comigo. Foi tudo tão vívido, como se estivesse aqui, como se houvesse realmente acontecido. Será que ela está bem? Será que está feliz em seu casamento? Será que já tem filhos? Será que um dia alguma dessas perguntas terá resposta?


Essas últimas semanas têm sido complicadas para mim

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Essas últimas semanas têm sido complicadas para mim. Os sonhos com minha boneca estão sendo constantes e é sempre a mesma coisa, o que tem me deixado realmente cansado, esgotado física e emocionalmente. Não bastasse isso, estou ocupado com a organização da minha viagem para a Europa, onde finalmente irei iniciar a minha tão sonhada especialização em pediatria. A única coisa realmente desagradável é ter que levar Clarissa comigo para poder ter a minha princesinha por perto, mas Liv sempre irá valer qualquer sacrifício!

Os preparativos para a mudança têm tomado tanto meu tempo que não tenho conseguido ficar com minha família direito. Consigo ver meu pai no hospital, isso quando sobra algum tempinho. Mamãe vem ficar com a minha pequena, mas quando chego em casa, já não está mais, nos falamos poucos minutos e por telefone.

Caio raramente dá as caras, as vezes até esqueço que tenho irmão, e Louise, desde que começou a namorar o meu melhor amigo, raramente dá o ar de sua graça. Enzo e Louise estão juntos desde o batizado da Liv. Dias atrás, quando ela foi conhecer a família do Enzo, chegou em casa eufórica, contando que não lembrava de ter tido um final de semana tão maravilhoso na vida.

Disse que a única coisa que não gostou muito foi o fato de sua cunhada ter um noivo, insistiu que ela seria perfeita para mim e que nunca viu mulher mais linda em toda a sua vida. Ela fala tanto dessa moça que entusiasma a todos, inclusive mamãe, que está louca para conhecê-la.

Chegou a falar que concorda com o Enzo e que se nossa princesinha continuar parecida com ela, vai ser uma boneca quando crescer. Eu até acho que ela se parece com uma boneca, a minha boneca, Catherinna! Mas nem posso dizer isso para alguém concordar já que ninguém a conheceu, além de mim. Pelo menos posso fantasiar que ela um dia será a mãe da minha princesinha.

Quem dera fosse!

Talvez seja por causa dos sonhos constantes, quem sabe? Mas tenho pensado muito em Catherinna ultimamente

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Talvez seja por causa dos sonhos constantes, quem sabe? Mas tenho pensado muito em Catherinna ultimamente. Queria tanto poder pelo menos vê-la! Não sei bem como é possível, mas sinto falta de algo que sequer tive. Acabo de chegar ao estacionamento do hospital, meu pai exigiu que eu viesse ao menos me despedir pessoalmente dele e de todos que trabalham comigo, afinal, ficarei fora por dois anos.

Saio do carro e quando levanto meus olhos em direção a porta do hospital, é o momento em que a vejo saindo. Linda, como em meus sonhos! O choque me fez ficar momentaneamente congelado no lugar, mas assim que a percebo se afastar, indo na direção contraria a que estou, começo a andar rápido. O trecho nunca foi tão longo, preciso alcançá-la, me certificar que é realmente ela, minha Catherinna. Ela não olhou para onde estou, e antes que eu consiga chegar minimamente perto, entra rapidamente em um taxi e se vai. E, como no sonho, a perdi novamente!

— Oi princesinha do papai, tudo prontinho para nossa aventura?

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— Oi princesinha do papai, tudo prontinho para nossa aventura?

— Papai príncipe! — Ela diz e corre o máximo que suas pequenas perninhas permitem, para poder me abraçar. — Eu vi uma boneca hoje papai! Juro, juradinho!

— É mesmo? Onde? — Dou corda para ver do que se trata.

— Aqui em casa papai!

— Quem esteve aqui Clarissa?

— Não sei, não perguntei o nome dela Lucca, era uma garota gorda e estranha, só pediu para falar com a Louise ou você e saiu. Quem sabe alguém procurando emprego, vocês estão sempre fazendo algum tipo de caridade. — Meu Deus, me dê paciência, pois se me der força eu estrangulo essa mulher!

— Espero que não tenha sido estúpida com alguém que veio nos procurar Clarissa. Honestamente, não sei como suportei você por tanto tempo e nunca te enxerguei como realmente é.

— Menos drama né Lucca. Não sei o que te incomoda tanto. E você sabe que eu sempre te amei, vou ter a chance de te mostrar agora que iremos ficar algum tempo sozinhos.

— Primeiro, Clarissa, que isso não é uma lua de mel e, além disso, não é sobre você. Lembre-se que só está indo por uma pressão que não irei mencionar na frente da minha princesa. E segundo, você não se cansa?

— De que Lucca?

— De tentar parecer o que você não é? De forçar uma situação que já não existe faz tempo? Se toca Clarissa! Não sou mais aquele Lucca ingênuo que você dominava.

Saio da sua presença tóxica. Não sei quem esteve aqui, espero sinceramente que não tenha sido minha Catherinna. Não, claro que não... Que motivo ela teria para vir até minha casa? Ela nem teria como saber onde moro, não faria sentido e seria coincidência demais. De qualquer forma, Clarissa não tem o direito de tratar mal quem quer que seja, principalmente na frente da minha princesinha. Queria poder saber o que ela fazia no hospital, procurar por ela, mas não terei tempo... Novamente me vem à mente que, quem sabe...Ainda não era para ser...


Assim é...Destino?Histórias para pegar e não largar. Descubra agora