42. Catherinna

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Os últimos dez dias têm sido realmente conturbados. Não tenho conseguido dormir direito desde que a Rita ficou doente, ela permanece em coma e o prognóstico não é nada bom.

Quase não tenho visto o Lucca também. Não sei se ele está me evitando ou somente não teve tempo de vir até a unidade, mas sinto falta de poder vê-lo, e sinto falta da pequena fadinha. Assim que isso tudo terminar, independentemente do desfecho, preciso conversar com ele, quem sabe expor meus sentimentos, saber se temos alguma chance de futuro juntos. Não consigo mais suportar esse eterno talvez!

Sei que ele provavelmente está comprometido com alguém, mas não posso mais guardar o que sinto. Depois da partida do meu pai e do que aconteceu com a Rita, percebi o quanto a nossa existência é efêmera para desperdiçarmos tempo procrastinando nossa felicidade. 

Me corta o coração ver o sofrimento do Rick! Doutor Anthony nos disse que é uma questão de tempo até tudo acabar

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Me corta o coração ver o sofrimento do Rick! Doutor Anthony nos disse que é uma questão de tempo até tudo acabar. Eu tento ser forte, mas em momentos como esse, quando ele vem ao meu encontro, totalmente despedaçado, não consigo manter a fachada e choro junto sua dor.

— Me solta papai! Tia bonequinha! — Olho em direção a voz mais doce e linda do mundo.

Lucca a coloca no chão e ela corre para os meus braços. As lágrimas que eu estava tentando a todo custo segurar, agora voltam, com força total. Senti tanta falta desse pinguinho de gente que nem sei como explicar, tudo que quero é apertá-la em meus braços e não soltar mais.

— Minha fadinha! Que saudades de você!

— Você não me esqueceu tia? — Ela diz com os olhinhos brilhando.

— Nunca me esqueceria de você, meu amor! Fiquei com muita saudade, isso sim!

— Não chora tia, eu tô aqui agora, não precisa ficar triste! O papai disse que se a Liv não chora ninguém fica triste, né papai? — Vejo que ela segura as lágrimas, não quer desapontar o pai.

— É sim amor. — Lucca a responde, tem tanto amor nessa frase que quase posso tocar a emoção. Que saudade do meu pai!

— E a Liv parou de chorar porque não queria que a tia bonequinha ficasse triste também.

— Mas a tia Cathy está chorando de saudades fadinha, não se preocupa. — Tento tranquilizar a pequena.

— O tio também tá com saudade? — Liv aponta Rick com o dedinho e vejo que ele ainda chora.

— Ele está sim, mas é de saudades da mamãe dele, minha fadinha. — Digo à pequena que estica os bracinhos em direção a ele, que a pega no colo com todo cuidado.

­— Não chora tio! A Liv também tem saudade da ma... Clarissa, que foi embora, mas ela briga. Sua mamãe foi embora tio? Ela também briga? — Liv passa a mãozinha em seu rosto, tentando secar as lágrimas e consolá-lo.

— Não pequena, minha mamãe não briga. E ela ainda não foi embora, mas está dormindo e não quer mais acordar. — Rick responde à pequena.

— Ela só tá cansada tio, depois ela acorda. A Liv fica aqui até ela acordar, você quer? — A sensibilidade da minha fadinha o deixa ainda mais emocionado.

— Acho que o seu papai não vai querer que você fique longe dele por tanto tempo pequenina. Minha mamãe vai demorar a acordar. — Ele tenta convencer ela, mas sei que até ele já está encantado com o jeito meigo da pequena.

— Vai demorar muitão? — Ela questiona, não se dando por vencida.

— Vai sim, pequena.

— Vem com a tia Lou fadinha. — Louise a pega dos braços dele que se afasta, vai tentar se recompor e voltar para a UTI.

— Como ela está? — Lucca me pergunta, sei que quer saber da mãe do Rick.

— Não há mais o que fazer, infelizmente é só uma questão de tempo agora. — É o que consigo responder.

— Sinto muito Catherinna, não deve ser uma situação fácil para vocês.

— Nunca é, mas entendo bem o que ele está passando, perdi meu pai recentemente e ainda dói muito. — Digo com a voz embargada pelo choro.

Fecho meus olhos e sinto braços me rodearem, o perfume inconfundível dele invade minhas narinas e sinto como se pudesse respirar novamente. Como se esses braços fossem o meu lar, meu porto seguro, e pudessem tirar toda a dor que estou sentindo, como se isso fosse certo.

— Realmente sinto muito!

É a melhor sensação que já experimentei na vida, o melhor lugar do mundo para se estar, nos braços do homem que eu amo. A certeza do que sinto chega junto com a constatação de que estamos em um local público, onde qualquer um pode ver, e mesmo que me doa admitir, ele não pertence a mim, alguém pode não gostar de me ver agarrada a ele.

Então, antes de tomar algum tipo de atitude que eu realmente não deveria no momento, pela circunstância como um todo, me solto dele, e como uma covarde, fujo da situação. Esse não é o momento e nem o local adequado para o que precisa ser dito.

— Desculpe, preciso ir doutor Lucca.

Rita não resistiu e nos deixou há três dias

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Rita não resistiu e nos deixou há três dias. Rick está quebrado, vai ser uma barra para ele enfrentar tudo sozinho daqui para frente, ela era a única que o entendia e estava lá por ele.

Doutor Anthony me dispensou para que eu pudesse ir ao funeral e dar apoio ao Ricardo durante esses três dias, mas hoje preciso retornar as minhas funções. Mesmo com toda essa tristeza me cercando, não consigo afastar da mente, e nem do coração, a sensação de estar nos braços do meu amor.

Às vezes eu gostaria de conhecer alguém que pudesse ser meu, sem outras pessoas em nosso caminho, mas tenho quase cem por cento de certeza que nunca outra pessoa me fará sentir o que sinto pelo Lucca.

Digo isso porque, apesar de amar o Rick, ter aquele pequeno contato com o Lucca me fez sentir mais do que qualquer coisa que tenha experimentado com meu ex, é como se estar com ele fizesse total sentido.

— Maternidade. — Digo atendendo ao telefone da unidade.

— Catherinna, é o Lucca, está ocupada? — Uma sensação de formigamento toma conta do meu corpo quando a voz grossa permeia meus ouvidos.

— Do que precisa doutor Lucca? Em que posso ajudar?

— Seu turno acaba que horas?

— As treze, doutor. Precisa de algo nos consultórios? — Estou realmente estranhando seu comportamento.

— Na verdade, precisamos conversar, então gostaria de saber se prefere que seja aqui ou se podemos nos encontrar em algum outro lugar. — Ele diz e fico imediatamente nervosa, mas não posso fugir disso. Quem sabe é a oportunidade que tanto esperei?

— Tudo bem doutor, se o senhor não se importa, prefiro que seja aqui mesmo. Passo no seu consultório à tarde, pode ser?

— Me chame de Lucca, por favor. E sim, pode ser a hora que for conveniente para você.

— Tudo bem, nos vemos mais tarde então, dout... Lucca. — Sorrio, mesmo que ele não esteja me vendo.

— Até mais tarde, Catherinna.


Assim é...Destino?Histórias para pegar e não largar. Descubra agora