16. Catherinna

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Estar em casa, com minha família, é maravilhoso, mas sentirei muita falta do hospital. Sei que vou falar com meus amigos sempre, ruim será que não conseguirei vê-los com tanta frequência. Mas tenho certeza de que o que mais me fará falta é o trabalho mesmo, o contato e o trato com os pacientes.

Minha família está preocupada comigo, eles sabem do meu amor pelo trabalho. Sou a mais nova de cinco irmãos e, por ser a única mulher, eles são bem protetores, sou o xodó da família.

Vincenzo, o mais velho, tem vinte e oito anos, é o meu porto seguro, meu protetor, aquele que larga tudo quando a sua "bonequinha" precisa de algo, não importa o que, está sempre lá para mim. Ele é agrônomo, mas nunca deixou a vida na cidade grande o deslumbrar, assim que se formou, voltou para morar e trabalhar com papai, cuidar do que é nosso, como ele mesmo diz.

Ele é casado com a Cris e pai dos meus amores Lilly e Ian. Cris morre de ciúmes da nossa relação, além de não gostar muito da forma como interajo com seus filhos. Não entendo muito o motivo dessa implicância toda, mas tento manter a cordialidade com ela, mesmo que não nos demos bem, desde que ela não machuque meu irmão e o faça feliz, tudo bem.

Os gêmeos, Pietro e Luigi, tem vinte e quatro anos. Pietro é engenheiro, não quer saber de namorar, diz que não é louco de se amarrar, é divertido e alto astral, com ele não tem tempo ruim, não gosta de conflitos, desde que não mexam com a sua "princesa", que sou eu, é claro.

Luigi se formou em administração, trabalha com um amigo do Vince, vai se casar no sábado com a Paola, com quem namora desde o início da faculdade. Não gosto muito dela, tenho a impressão de que ela não é verdadeira, tem um olhar de desdém que causa arrepios, mas meu irmão a ama e é isso que importa. Na verdade, sempre achei que ele acabaria com a Mel, eles nunca tiveram nada, mas sempre percebi os olhares de um para o outro, sei que ela é bem feliz com o JC, mas confesso que iria amar ver os dois juntos.

E entre Vince e os gêmeos, tem o meu grandão, Enzo. Lorenzo tem vinte e seis anos, é advogado, mora na capital, trabalha no jurídico de um hospital de renome, é o mais sensível dos meus irmãos e, também, o que mais me identifico.

É apaixonado há muito tempo pela irmã do melhor amigo que é filha do chefe, não que ele tenha comentado muito a respeito, mas me confessou um dia, quando estávamos falando sobre relacionamento, e por isso, somente ele percebeu que não era apenas o fato de ter saído do trabalho que me incomodava.

— Quer me contar o que está te atormentando minha pequena? — Fala entrando na cozinha quando estou preparando o jantar.

— Oi grandão, não te vi aí... não tem nada não, não se preocupe.

— Fala para mim maninha, sei que é algo do coração, consigo identificar.

— Não importa mais Enzo...

— Importa sim Cathy! O que foi? Alguém fez algo com você? Me fala, pequena!

— Fica calmo grandão, ninguém fez nada! Se Vince e os outros escutam, vai ser uma polêmica nessa casa!

— Verdade! Desculpa!

— Eu disse que não importa, porque agora não tem mais o que fazer a respeito. Sabe que sou tímida e quando gosto de alguém, romanticamente falando, fico nervosa e não consigo demonstrar... havia um médico novo, ele começou a trabalhar no hospital não faz muito tempo, eu me interessei por ele, mas me mantive afastada, até porque, não sei se ele é ou não comprometido. Na verdade, acho praticamente impossível que ele não tenha alguém, o cara é lindo demais. Quase mais lindo que você! — Sorrio da cara que ele faz.

— Impossível ser mais lindo do que eu mesmo. — Ele brinca. — Mas porque não sondou ele? Ou tentou uma aproximação mais sutil?

— Na verdade, conversei com Melissa no final de semana antes dela vir para casa, eu havia decidido esclarecer as coisas com ele na segunda feira, já que seria minha semana de consultórios, mas ele não apareceu e, desde então, não soube mais nada dele, isso já tem um mês.

— Não sabe o que aconteceu para ele não ter voltado?

— Na verdade não. O que entendi do dia que me passaram o recado, é que o contrato dele era temporário e provavelmente ele não voltaria.

— Entendo. Se ele não iria ficar, quem sabe tenha sido melhor assim irmãzinha.

— Pois é mano. Eu sei que estou parecendo um pouco triste, mas não esquenta, já passa! Eu entendo que não era para ser e aceito isso. — ­Sorrio.

­— Te amo pequena, você é o ser humano mais fantástico que eu conheço! — Me emociono ouvindo isso.

— Também te amo meu grandão! Estou doida para conhecer minha futura cunhadinha.

— Por enquanto, não vai rolar... — Diz secando minhas lágrimas, me dá um beijo na bochecha e sai. 


O resto da semana passou em um borrão, à tardinha é o casamento do Luigi e estamos todos ansiosos

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O resto da semana passou em um borrão, à tardinha é o casamento do Luigi e estamos todos ansiosos. Paola já deu vários chiliques, é uma patricinha mimada que não pode ser contrariada, acho que nunca recebeu um "não" na vida dela. Ela se acha o máximo por ser filha de um juiz e estar cursando direito.

Pensamos que iríamos, finalmente, conhecer o melhor amigo do Enzo, mas parece que ele está com alguém da família hospitalizado, se entendi bem, deve ser sua esposa já que ele falou que é problema da gravidez e que a filha está para nascer. Lembro que Enzo comentou a respeito do casamento dele há alguns meses, pouco antes do Lucca começar a trabalhar no hospital. Espero que elas fiquem bem!

— Pequena, como foi seu vestibular? — Enzo me pergunta enquanto lavamos a louça.

— Fui bem, mas a nota não foi suficiente para cursar enfermagem.

— Sua nota não dá acesso a bolsa integral de nenhum curso?

— Sim, me ofereceram bolsa para direito em duas universidades, uma na que eu cursei o técnico e a outra na Capital, mas não sei se quero ir.

— Você sempre disse que gostava de direito também, por que não tenta pequena? Se decidir ir para a capital, pode morar comigo...

— Ou comigo, se decidir ficar mais por perto... — Ouço a voz dela e já começo a chorar.

­— Melissa! — Me jogo em seus braços quando ela os abre para me receber. — Senti tanto sua falta!

— Não chora maninha! Também senti sua falta. E amo a ideia de ter minha irmãzinha de volta!

— Não sei Mel, sabe que papai não pode me ajudar agora...

— O pai não, mas eu posso! — Enzo fala, me cortando.

— Nós podemos. — Vince fala, vindo em minha direção e me abraçando, fazendo meu choro se intensificar.

— Viu só maninha, dilema resolvido! E vamos parando com o chororô, é dia de festa!

Assim é...Destino?Histórias para pegar e não largar. Descubra agora