As pessoas não entram na vida da gente por acaso, cada uma tem um motivo para estar nela, e o tempo de permanência é determinado justamente pela razão que a fez entrar. Então faremos parte da vida de alguém enquanto essa pessoa precisa da gente ou e...
Vai ser tão bom estar em casa depois de tanto tempo sem vir, ainda mais considerando o porquê de estarmos nos reunindo! Esse mês em particular, está sendo um dos melhores dos últimos anos, por dois motivos. Primeiro pelo nosso noivado, que será oficializado amanhã e, segundo, porque finalmente, após anos sofrendo por um amor que pensava não ser correspondido, meu grandão está feliz ao lado do amor da sua vida, Louise, a quem estou ansiosa para conhecer pessoalmente.
Parando para analisar, acho que fiquei mais eufórica com a notícia do início do namoro do meu irmão do que pelo meu noivado em si. Enzo é a pessoa mais especial que conheço, sensível, amoroso, reservado, e apesar de amar demais todos os meus irmãos, ele é a minha pessoa. Somos muito parecidos em diversos aspectos, inclusive fisicamente, é como seu eu fosse a sua "versão feminina", mas com uns bons trinta centímetros a menos de altura.
A viagem até a casa dos meus pais é cansativa. Tive aula na faculdade ontem à noite depois de um plantão de doze horas no hospital para compensar o final de semana que eu ficaria de folga. Não conseguimos vir antes com o Luigi porque Melissa tinha uma prova hoje e não quis deixá-la sozinha. Ricardo vem somente amanhã para o almoço, precisou resolver algumas questões familiares, segundo ele. Gostaria muito que todos estivessem conosco amanhã, mas entendo que sua família não possa se ausentar do trabalho.
Assim que o carro estaciona no meio-fio, vejo Enzo abrir a porta e correr ao meu encontro. Entendo totalmente o seu estado ansioso já que há meses não nos vemos pessoalmente, incompatibilidade de agendas, como ele mesmo diz.
— Que saudade pequena! Não aguentava mais esperar para te ver. — Diz enquanto me aperta junto ao peito e sinto meus olhos arderem.
— Eu também grandão! Mas aposto que tu não aguentava mais era de ansiedade para me apresentar minha linda cunhadinha. — Falo em tom de brincadeira na tentativa de espantar a emoção.
— Isso também pequena, vem... — Ri e me arrasta para casa.
— Família, cheguei! Desculpe deixar todos ansiosos assim, queria poder vir mais seguido para casa. — Mal coloco meus pés na soleira da porta e sinto braços me envolverem. É Vince, me esmagando em um dos seus abraços de urso. Isso sim é que é recepção! Amo meus irmãos!
Assim que Vince me larga, Enzo me puxa de lado e consigo ter um vislumbre da minha futura cunhada e a sensação de familiaridade ao olhar para ela é inquietante. Ela é uma mulher lindíssima, faz jus ao que Enzo sempre falou dela, combina com ele, loira, traços delicados e olhos azuis tão lindos que por um momento, fizeram-me voltar no tempo e lembrar do meu Lucca.
Não que eu esteja repensando ou traindo meu noivo ao me lembrar dele, o sentimento que tenho em relação a eles é totalmente diferente um do outro. Nem sei por que estou pensando nisso agora, limpa a mente Catherinna, é o seu noivado, garota! Saio dos meus devaneios quando ele me leva pela mão até ela.
— Pequena, quero que conheça a minha Louise.
— Prazer, cunhada! Meu nome é Catherinna, mas pode me chamar de Cathy. — A cumprimento antes de olhar para meu irmão. — Enzo, você disse que ela era linda, mas não pensei que fosse tanto! Achei que era coisa de homem apaixonado. — Solto a mão dele e vou em sua direção.
— Posso te dar um abraço Louise? — Afirma me permitindo abraçá-la e, novamente, a sensação de familiaridade me acomete.
— Enzo? Posso pegar ela para mim? Ela parece uma boneca que fala! — Diz e sinto minhas bochechas arderem, sei que devo estar parecendo um morango maduro agora.
— Te disse que ela era demais! Vê por que amo essa pequena? — Enzo fala, conseguindo me deixar mais constrangida ainda.
— Deus Enzo, para com isso, nem é para tanto!
— Viu só Kitcathy? Quem sabe agora que uma pessoa que nem te conhecia falou, você acredite que a gente só fala a real, não é só porque somos da família. — Luigi diz. O que faço com esses meus irmãos! Os deixo e vou ao encontro dos meus pais para cumprimentá-los, estava morrendo de saudades.
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Meu noivo chegou pela manhã. Mamãe e papai o adoram, meus irmãos ciumentos implicavam um pouco no começo, mas agora todos se dão maravilhosamente bem. Apesar de não gostar muito de conversas altas, não tenho como fugir, a nossa ascendência italiana fala mais alto nesses encontros familiares, e os desavisados podem achar que está acontecendo algum tipo de briga constante.
Foi um dia bastante agradável, apesar das implicâncias das minhas excelentíssimas cunhadas. Juro que não entendo tanto ciúme da parte delas, claro que meus irmãos são os homens mais maravilhosos que conheço, mas eu sou irmã deles caramba! Estava distraída brincando com meus sobrinhos, quando Vince desvia a atenção de todos com sua pergunta.
— Já tem uma data para o casamento?
— Ainda não temos uma data específica, mas quero me formar antes de darmos esse passo. — Ricardo responde tranquilamente.
— E quando é a formatura? — Vince continua.
— Termino a graduação em dezembro, mas até lá, teremos tempo ainda.
— Vince, eles sabem o que estão fazendo, sua irmã nunca foi irresponsável ou do tipo que age por impulso, confie no julgamento e nas escolhas dela.
— Obrigada pai. — Agradeço. Me emociona ouvir a opinião do meu pai sobre mim.
O final de semana foi maravilhoso, mas como tenho que trabalhar amanhã de manhã, vamos retornar agora à noite ainda. Quando fui me despedir do meu casal favorito, percebo que Louise diz algo próximo ao ouvido do Enzo, meu irmão responde da mesma forma, enquanto continuo a me aproximar, chego ao lado deles a tempo de vê-los suspirar.