Brasil, 2021
Esses primeiros dias sem o meu pai têm sido extremamente difíceis. Minha mãe ainda não conseguiu processar direito a informação de sua partida, por isso, uma de suas irmãs pediu para levá-la consigo, alegou que, quem sabe, uma mudança de ares poderia fazer bem a ela.
Como ninguém estava sabendo sobre a nossa separação e minha mãe aceitou a oferta de nossa tia indo passar um tempo em sua casa, Rick achou melhor que eu voltasse para casa com ele e, como eu realmente não gostaria de ficar sozinha nesse momento, aceitei.
Hoje acordei determinada a tomar uma atitude. Está na hora de encarar os fatos e enfrentar as consequências das minhas decisões. Mas antes de abrir para todos sobre a minha separação, preciso falar com meu irmão, ele vai conseguir me dar uma perspectiva melhor sobre o que fazer agora. Além disso, algo em mim, quem sabe uma intuição, me diz que é o Enzo quem vai me encaminhar nesse momento.
— Oi pequena, tudo bem? — Ele atende no segundo toque.
— Oi grandão, tem um tempinho?
— Claro maninha... Pode falar.
— Mano, não sei se é algo que eu possa conversar por telefone...
— Aconteceu alguma coisa Cathy? Está tudo bem com a mãe?
— Sim mano, calma! Estão todos bem... É algo meu mesmo.
— Me diz do que se trata que a gente vê o que faz. Ou melhor, por que você não vem até aqui? Você não está de férias ainda?
— Sim, mas...
— Pequena, vem para Capital passar uns dias comigo e resolvemos. Depois do que aconteceu com o pai, queria muito estar por perto, pelo menos de você. — Sinto a tristeza em suas palavras.
— Não sei grandão... Tem certeza de que não vou te incomodar de alguma forma? Também gostaria muito de ter você por perto por um tempo.
— Então vem mana... Você não atrapalha nunca, pode ter certeza. Consegue vir hoje ainda?
— Não sei se consigo me organizar em tempo de pegar algum horário de ônibus, mas vou no primeiro que conseguir. Eu realmente preciso de você Enzo!
— Pequena, tô começando a ficar preocupado...
— Não fique irmão, não é nada grave, isso posso te garantir.
— Tem certeza? Se quiser posso ir te buscar.
— Não grandão, fica tranquilo que eu já vou me organizar e te aviso.
— Fica bem pequena. Te amo!
— Também te amo... Até!
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A viagem foi tranquila, cheguei à tarde e fui direto para o apartamento do meu irmão. Como estamos no meio da semana, Louise não está aqui, o que me dá certo alívio, por dois motivos. Primeiro, não gostaria que ninguém soubesse o teor da minha conversa com meu irmão. E segundo, tenho medo de me trair e perguntar pelo Lucca.
Não que fizesse alguma diferença, pois sei que ele não mora mais no Brasil, se mudou para a Europa. Lembro bem que a esposa dele mencionou que estavam de partida o dia que fui visitá-lo, então, se levou a família, imagino que não tenha intenção de retornar.
Tive bastante tempo para pensar no caminho até aqui, sei que é isso que devo fazer, Enzo é o meu caminho. Assim que ele chegou do trabalho, esperei que tomasse um banho enquanto preparei o jantar. Agora estamos sentados em sua sala de estar, onde acabo de relatar tudo que aconteceu, expliquei minhas decisões e preciso esperar que ele processe tudo e fale alguma coisa.
— É isso grandão... — O olhar que ele dirige a mim, faz com que meus olhos transbordem as lágrimas que tenho segurado há muito tempo.
— Vem aqui pequena. — Enzo abre os braços para mim e eu vou de bom grado, ele tem o melhor abraço do mundo...
— Irmão? Quero que isso fique somente entre nós, por enquanto. Tudo bem? — Falo depois de me confortar em seus braços por alguns minutos. — Diz alguma coisa, grandão.
— Tudo bem pequena, se essa é a sua vontade, eu irei respeitá-la, como sempre fiz. Mas estou um pouco chateado por você não ter me dito nada antes, sabe que sempre estive aqui para você...
— Eu sei grandão, eu sei... Assim como tinha certeza de que você iria interferir nas minhas decisões, e não era o que eu queria no momento.
— Justo.
— Agora, seja o irmão que sempre foi e me ajude a encontrar a melhor saída.
— Bem... Você disse que pediu demissão do hospital em que trabalhava, correto?
— Sim, pedi. Não fazia mais sentido ficar lá se depois da formatura eu já tinha planos de me separar e provavelmente, iria voltar para casa.
— Nesse caso não tem nada que te prenda por lá, não é?
— Não, não tem.
— Então por que você não vem morar comigo aqui na Capital?
— Mas e a mãe? Não quero deixá-la sozinha agora Enzo.
— A mãe não vai ficar sozinha pequena, tem o Vince e as crianças. Pietro e Luigi também não estão tão longe, não se preocupe com isso.
— Não sei irmão, eu preciso trabalhar e...
— E vai! Você é uma ótima profissional, tenho certeza de que consigo uma vaga para ti no hospital. Se não quiser na enfermagem, te coloco no jurídico junto comigo, como auxiliar até que você faça a prova da ordem. Como você preferir Cathy.
— Acha uma que consigo uma vaga na enfermagem? — Seria maravilhoso poder continuar atuando.
— Já disse irmã, tenho certeza que sim.
— É que, honestamente, não sei se vou prestar a prova da ordem, prefiro seguir na área da saúde por enquanto. Sabe que pretendo a graduação de Enfermagem assim que possível!
— Deus Cathy! Você não cansa de estudar não? Acabou de terminar o curso, dá pelo menos um tempinho para os neurônios irmãzinha. — Ele faz graça.
— Eu gosto, fazer o que? — Dou de ombros.
— Então estamos entendidos. Amanhã mesmo vou ver sobre a vaga. E te digo maninha... Pode se preparar, pois no máximo segunda-feira você estará começando a trabalhar!
— Deus te ouça grandão!
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Hoje é o meu primeiro dia no hospital da família Morelli e confesso que o que mantém a minha ansiedade levemente controlada é saber que não corro o risco de encontrar o Lucca pelos corredores. Essa primeira semana, fui colocada no Pronto Atendimento como teste, mas a partir da semana que vem, passo para a ala da maternidade, exigência da minha excelentíssima cunhadinha Louise.
Claro que isso depois de uma estranha discussão onde meu irmão disse que ela nem se acostumasse comigo, pois, a intuição dele dizia que não duraria, que logo eu seria arrastada para a pediatria. É claro que, se me perguntassem, eu iria escolher a pediatria logo de cara. Mas quem disse que minha vontade conta, não é mesmo?
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Assim é...Destino?
أدب نسائيAs pessoas não entram na vida da gente por acaso, cada uma tem um motivo para estar nela, e o tempo de permanência é determinado justamente pela razão que a fez entrar. Então faremos parte da vida de alguém enquanto essa pessoa precisa da gente ou e...
