As pessoas não entram na vida da gente por acaso, cada uma tem um motivo para estar nela, e o tempo de permanência é determinado justamente pela razão que a fez entrar. Então faremos parte da vida de alguém enquanto essa pessoa precisa da gente ou e...
Catherinna esteve fora por dois dias, foi ajudar o marido com as coisas do funeral da sogra. Desde o nosso pequeno contato não consigo afastar da mente a sensação de tê-la em meus braços. Não entendo muito bem a dinâmica do relacionamento deles dois, pois aparentemente, ele não mora aqui na capital.
Durante esse período em que a sogra dela esteve hospitalizada, e principalmente depois do que aconteceu entre nós, decidi que preciso chamar Catherinna e conversar com ela, contar tudo que se passou, expor meus sentimentos e ver que rumo as coisas tomam.
Claro que sonho alto. Penso na possibilidade dela me aceitar e me escolher, mas também sei que a maior probabilidade é que ela me ache um maluco sem noção, já que claramente ela é comprometida. E, ainda assim, estou a chamando para conversar, mas quer saber? Que se dane!
— Maternidade. — Ouço sua linda voz e sei que é ela atendendo ao telefone da unidade.
— Catherinna, é o Lucca, está ocupada?
— Do que precisa doutor Lucca? Em que posso ajudar? — Ela responde alguns segundos depois.
— Seu turno acaba que horas? — Pergunto, antes de desistir das minhas intenções.
— As treze, doutor. Precisa de algo nos consultórios? — Lógico que ela iria pensar isso, afinal, sempre solícita!
— Na verdade, precisamos conversar, então gostaria de saber se prefere que seja aqui ou se podemos nos encontrar em algum outro lugar. — É a única opção de escolha que darei a ela, a do local.
— Tudo bem doutor, se o senhor não se importa, prefiro que seja aqui mesmo. Passo no seu consultório à tarde, pode ser?
— Me chame de Lucca, por favor. E sim, pode ser, a hora que for conveniente para você.
— Tudo bem, nos vemos mais tarde então, dout... Lucca. — Sorrio, é inevitável para ela ser educada.
— Até mais tarde, Catherinna. — Mal vejo a hora!
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Jesus! Parece que as horas estão com mais minutos do que o normal! Nunca vi um dia tão arrastado! Já está quase na hora de encerrar as consultas e nada dela aparecer. Será que desistiu?
— Com licença Lucca, posso entrar? — Ouço a voz dela e me sinto relaxar instantaneamente.
— Entre, por favor, Catherinna. — Me levanto e vou ao seu encontro. Num acesso momentâneo de ousadia, beijo seu rosto e sinalizo para que se sente.
— Obrigada! — Vejo suas bochechas corarem lindamente, tudo nela é lindo.
— Catherinna, eu gostaria de conversar com você sobre algo muito importante para mim, tudo bem?
— Claro Lucca, e me chame de Cathy. — Ela sorri nervosa.
— Tudo bem, Cathy. Quero te contar sobre a minha vida antes de nos conhecermos. Creio que já tenha ouvido falar sobre meu casamento com Clarissa.