38. Catherinna

37 6 5
                                        

No instante em que ele se vira em minha direção, noto que seus olhos estavam fechados, mas no momento que meu nome sai de seus lábios, ele os abre e nossos olhares travam um no outro. Não esperava vê-lo aqui, o nervosismo me domina e não sei exatamente como agir, suas piscinas azuis me desarmam completamente.

Percebo que as lembranças que eu havia guardado, não fazem jus à figura imponente que me olha com evidente espanto. Ele está ainda mais lindo! Sinto minhas mãos suarem e todos os sentimentos que pensei não nutrir mais em meu coração despertam, mais fortes do que nunca, me deixando abalada.

— Doutor Lucca, me desculpe, não sabia que teria alguém no consultório hoje! — Digo, tentando não demonstrar todo o meu nervosismo nessas simples palavras.

— É você mesma? Quer dizer, claro que só poderia ser você, ninguém mais organiza as coisas desse jeito. — Ele murmura, mais para si mesmo, mas consegui ouvir perfeitamente, é claro que ele não esperava me ver aqui, mas pelo tom de voz, não identifiquei se foi uma surpresa boa ou ruim.

— Sim, sou eu mesma. Espero que as coisas tenham ficado do seu agrado... e...e...eu preciso ir...encaminhar um paciente do doutor Gustavo... Com licença. — Digo nervosa, e saio o mais rápido possível, tenho medo de fazer ou dizer alguma besteira.

Deus! Parece que cinco anos não passaram de cinco dias! Nada mudou, nem mesmo o que sinto. Não, isso, na verdade mudou, está mais forte, mais intenso, não me permitindo pensar com coerência e, nesse momento, sou grata por não o ter encontrado há dois anos, quando o procurei antes de me casar, ou, certamente, não teria conseguido seguir em frente com aquela decisão, mesmo que eu não me arrependa de tê-la tomado.


Procuro ocupar a maior parte da minha tarde com tarefas, ajudando os outros médicos

Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.

Procuro ocupar a maior parte da minha tarde com tarefas, ajudando os outros médicos. Graças a Deus a secretária retorna amanhã e não precisarei voltar aqui. Será bem menos difícil de suportar se eu não precisar conviver diretamente com ele. Ele é comprometido e tem uma filha, jamais irei me intrometer em seu relacionamento, não sou assim.

Não o vi pelo resto da tarde. Ele não saiu da sala e eu não precisei entrar lá novamente. Agora está quase na hora de acabar esse tormento e poderei respirar aliviada, amanhã é outro dia. Organizo a mesa da secretária assim que retorno do consultório do Doutor Leandro e enfim, posso ir encontrar meu irmão para irmos embora juntos.

— Tia bonequinha! Tia bonequinha!

Ouço a vozinha doce chamar meu nome quando estou quase na porta da sala do meu irmão, e meus olhos são atraídos para a entrada do corredor que dá acesso ao setor jurídico do hospital, onde fica seu escritório. Instantaneamente um sorriso se forma em meus lábios e abro meus braços enquanto a pequena fadinha rosa solta a mão da tia e corre para mim.

— Oi minha fadinha!

Respondo quando a pego no ar e trago para meu corpo, onde ela se agarra parecendo uma macaquinha. Beijo seu rostinho corado e a aperto contra o peito, sentindo seu cheirinho de criança e morangos, um aroma que gostaria de engarrafar e guardar para aqueles momentos de stress.

— Você também ficou com saudade? — Liv fala com as mãozinhas nas minhas bochechas.

­— Mas é claro que fiquei! Eu gosto tanto de fadinhas e agora tenho uma que é minha amiguinha, como não iria sentir saudades? — Respondo ainda a apertando, mas ela não reclama, pelo brilho nos olhinhos, parece até que gosta.

— Eu disse pro meu papai que você ia ficar com saudades. — Ela fala séria, como se a constatação fosse a coisa mais óbvia do mundo para ela.

Liv! A pequena fadinha é simplesmente a criança mais encantadora que já conheci. Entendo Enzo ser tão apaixonado pela pequena, afinal, o mesmo aconteceu comigo, praticamente amor à primeira vista. Sou retirada do meu momento pela voz do meu irmão.

— Olha só, minhas duas pequenas juntinhas! — Enzo fala chegando ao nosso encontro, pega nós duas em um abraço de urso e deixa um beijo em minha bochecha.

— Oi grandão!

— Irmão! — Ele diz e, somente nesse momento, noto Lucca parado em sua porta. Estranho, mas ele parece estar emocionado. — Aproveitando que vocês estão aqui, ao mesmo tempo, quero finalmente apresentá-los. Pequena, esse é o Lucca, meu melhor amigo, cunhado e pai da minha pequena princesinha. E Lucca, essa é Catherinna, minha irmã, a minha pequena! — Enzo me abraça e beija minha têmpora.

— Você é a irmã do Enzo? — Ele responde, e mesmo parecendo confuso com a informação, respira com certo alívio.

— Sim, eu sou. E você o melhor amigo e cunhado do meu irmão, quem diria, não é? — Sinto o constrangimento que o seu olhar me causa atingir as minhas bochechas, que ardem, e provavelmente estão bem vermelhas agora.

— Pois é, quem diria! — Concorda simplesmente.

— Vocês já se conheciam? — Enzo questiona.

— Sim, nos vimos no consultório mais cedo. — Respondo rapidamente, não quero dar margem para questionamentos que não estou pronta para responder.

— Gente, preciso ir! Vamos princesinha? — Lucca diz, parecendo ter pressa em sair dali. Será que a esposa não gosta que ele interaja com mulheres? Pode ser isso, e eu realmente entendo, não que eu seja ciumenta, mas acho que se fosse comigo, se ele fosse meu, seria bastante possessiva.

— Mas nem conversamos direito irmão! — Enzo diz indo em sua direção.

— Nos falamos amanhã Enzo, agora realmente preciso ir. — Ele responde e olha para mim, provavelmente quer que eu coloque a pequena no chão.

— Tchau minha fadinha! Obedeça seu papai. — Me despeço dela, colocando-a no chão e beijando sua bochecha.

— Tchau tia bonequinha. Tchau tio dindo. — Liv se despede de nós dois e corre para o colo do pai, que acena e se vai rapidamente.

— O Lucca está muito estranho hoje...deve ser o cansaço da viagem, só pode. — Meu irmão fala, quebrando o silêncio que se seguiu.

— É, deve ser isso. — Concordo, já que não sei muito bem o que falar.


Assim é...Destino?Histórias para pegar e não largar. Descubra agora