As pessoas não entram na vida da gente por acaso, cada uma tem um motivo para estar nela, e o tempo de permanência é determinado justamente pela razão que a fez entrar. Então faremos parte da vida de alguém enquanto essa pessoa precisa da gente ou e...
Saio tão desconcertada do consultório que não vejo nada em minha frente. Nem vou procurar o Enzo para ir embora, preciso me acalmar e pensar em tudo que foi falado, então uma caminhada me fará bem, dadas as circunstâncias.
Lucca me beijou, e o pior? Esqueci toda a raiva e frustração que estava sentindo e o correspondi! Eu beijei um homem comprometido! O homem que eu amo, mas ainda assim, comprometido. Só agora percebo que não falei praticamente nada do que eu precisava ou queria dizer a ele.
Primeiro ele me deixa totalmente perplexa com a situação que passou antes de nos conhecermos. Ser traído da maneira mais vil por duas pessoas que ele amava, deve ter sido o pior momento da vida dele. Pelo menos ele tem a fadinha, um presente que aquela mulher deu a ele.
Espera! Algo nessa história não faz sentido, não se encaixa. Se eles se divorciaram antes de nos conhecermos, o que ela estava fazendo na casa dele há dois anos, quando fui procurá-lo? E por que ela se intitulou como esposa dele? A menos que não fosse a ex-mulher... Não, era ela sim, lembro perfeitamente quando a pequena a chamou de Clarissa, jamais esqueceria qualquer detalhe daquele dia.
Jesus! Que confusão ele fez? Ele disse que não me procurou por ter achado que eu havia me casado com o Luigi... O LUIGI! Como ele nunca pensou em perguntar ao Enzo o nome dos irmãos? Saber sobre a família do melhor amigo? O que me frustra é que ele poderia ter evitado todo esse sofrimento pelo tempo que estivemos separados.
Claro que também entendo que tudo acontece por uma razão, mas eu sou humana, tenho sentimentos! Pensar que o que eu sentia era recíproco e agora, talvez não possa vivê-los porque é tarde demais e ele já refez a vida com outra pessoa, me deixa doente. Dói, fisicamente!
Se pelo menos ele tivesse aceitado o convite do meu irmão para o casamento do Luigi, teríamos nos encontrado de qualquer forma e todo o mal-entendido teria se resolvido ali mesmo. Claro que isso justifica o fato de ele não ter me procurado depois, afinal, pensou que eu estivesse casada, mas de qualquer forma, não consigo deixar de me sentir frustrada.
Eliminando tudo isso da situação sobra o fato que, pela cena que protagonizamos, ele ainda nutre algum sentimento por mim, o que me leva a concluir que não posso continuar a ser uma covarde e ficar fugindo como fiz hoje, há muitas coisas para esclarecermos, precisamos realmente conversar.
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Acaminhada me fez bem, consegui me acalmar e organizar meus pensamentos, além de tomar uma decisão. Quando chego em casa, meu irmão está andando de um lado para o outro, parecendo aflito com alguma coisa.
— Aconteceu alguma coisa, grandão?
— Pequena! Graças a Deus!
— O que foi? Por que está assim irmão?
— Onde você estava Cathy? Cheguei e não te encontrei, perguntei para o porteiro e ele disse que você saiu já fazia algum tempo. O que aconteceu?
— Calma, irmãozinho, não aconteceu nada de ruim, nem precisa de tanto drama assim.
— Desculpa! Só fiquei preocupado.
— Enzo, coloca na sua cabeça que eu já tenho vinte e cinco anos irmão, sou uma mulher e até casada já fui, eu sei me virar grandão!
— Eu sei que sabe, mas você sempre vai ser a minha pequena.
— Tudo bem! Eu só precisei sair e resolvi dar uma caminhada, precisava pensar em algumas coisas e tomar algumas decisões. — Digo e o abraço, eles pensam que nunca vou crescer. Senhor!
— Ok! Mas promete que se precisar, vai falar comigo pequena?
— Prometo, sempre que for necessário, falarei com você em primeiro lugar grandão. Agora, se não se importa, vou para o meu quarto.
— Vai lá maninha. Te amo!
— Também te amo!
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Minha noite não foi das mais tranquilas. Passei boa parte dela pensando em como abordar o Lucca para podermos esclarecer todos os pontos que ainda ficaram duvidosos em nossas vidas durante esses cinco anos. Mas uma coisa eu decidi, vou expor o que sinto, exigir que ele se posicione, e, se houver alguém na vida dele, irei me manter afastada.
Não irei interferir, mas pelo menos, ele estará ciente de como me sinto. Me manterei afastada apenas dele, se for o caso, contudo, se ele permitir, quero poder conviver com a fadinha sem ter que ficar com melindres em relação ao pai.
Não quero contar nada sobre o Lucca para o Enzo, pelo menos por enquanto, mas consegui o número dele no celular do meu irmão e agora estou entrando em contato e assim que ele atender, pretendo marcar para nos vermos fora daqui o mais breve possível!
— Alô?
— Lucca? Oi, é a Cathy, desculpe se eu estiver atrapalhando, mas eu preciso falar com você... Posso ligar mais tarde se estiver ocupado e...
Assim que ele atende começo a falar desenfreadamente, pois agi impulsivamente e não pensei que ficaria tão nervosa assim. É claro que ele percebe, pois me corta e responde, parecendo tranquilo...
— Catherinna?! Calma, respira... — Ele fala e fica um pouco em silêncio, provavelmente me dando um tempo para realmente respirar. — Não está me atrapalhando e tampouco estou ocupado, fique tranquila.
— Desculpe!
— Fico feliz que tenha ligado. Pode falar!
— Então... Eu gostaria de conversar, esclarecer algumas coisas, mas não por telefone. Será que podemos marcar em algum lugar?
— Si... Sim, claro! Pode ser na minha casa? ...Ou em outro lugar, você decide...
— Tudo bem, na sua casa está ótimo. Quando você tem tempo? — Espero que ele diga uma data bem próxima, tenho medo de perder a coragem.
— No sábado fica bom para você? — Hoje é quinta, até sábado não é tanto tempo.
— Sim, no sábado seria bom.
— Podemos almoçar juntos? — E agora? O que eu digo? — Tudo bem se não quiser, podemos só conversar mesmo... — Ele continua quando demoro a responder.
— Sim, podemos almoçar juntos sim. — Respondo, o que tem demais afinal?
— Sim?! Ah... Ok... Combinado então! — Acho que ele não esperava a minha concordância.