51. Catherinna

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Meu nervosismo atingiu a estratosfera, está em níveis insanos, e a demora dele não está ajudando em nada! Preciso expor o que está na minha mente ou irei explodir, então decido que preciso de uma resposta, e preciso agora!

— Olha Lucca, me desculpe, mas não aguento mais essa montanha russa de emoções, preciso que me dê uma resposta direta e honesta, é tudo que eu te peço! Preciso saber se estou sozinha nesses sentimentos para poder dar um rumo para minha vida!

Minhas emoções estão à flor da pele, tento respirar para me controlar, mas não está sendo muito eficaz. Lucca vem em minha direção e segura minhas mãos, a sensação de seu toque gera uma espécie de corrente elétrica que me faz sentir viva.

— Catherinna, olhe pra mim! — Ao seu comando, meus olhos seguem diretamente para os dele. — Eu tenho sim alguém em meu coração...

Me afasto do seu toque instantaneamente, meus olhos perdem a batalha para as lágrimas que transbordam. Dor, é tudo que sinto agora. A rejeição deve ser um dos piores sentimentos, ainda mais partindo da pessoa que a gente ama. Agora que comecei, vou terminar de falar, depois eu colo os caquinhos do meu coração, afinal, ele não é obrigado a partilhar os sentimentos, mas quero que saiba exatamente como me sinto.

— Tudo bem Lucca, entendo... Eu só queria que soubesse que eu amo você desde que te conheci, há cinco anos, não aguentava mais guardar isso dentro de mim. Não me arrependo dos meus sentimentos e quero que seja muito feliz, mesmo que não seja comigo...

Sei que falo demais quando estou nervosa, as palavras simplesmente saem sem controle algum, mas dessa vez, é uma coisa boa, pois de outra forma, não teria coragem para assumir que o amo. Porque sim, eu o amo! Ele decide agora o que fazer com a informação que lhe dei, e eu realmente quero que ele seja plenamente feliz, mesmo que eu não faça parte da equação.

— Não.

— Não o quê? — Ele não aceita meu amor, é isso? A sensação de rejeição se intensifica, juntamente com o choro.

— Não, você não entende. Não há ninguém em minha vida desde que me separei, somente Olivia. Passei por um divórcio conturbado, não quis trazer ninguém para a confusão que era a minha vida, principalmente naquela época, e por não achar justo, não me esforcei para me mostrar. Mas eu tenho alguém em meu coração sim, há exatos cinco anos, quando ela entrou em meu consultório, linda, com um jeito tímido e inocente, porém, muito falante. O rosto de boneca com imensos olhos verdes ou azuis, nunca consegui definir exatamente, mas que me encantaram e me tiraram as palavras. Com a convivência, mesmo que por pouco tempo, vi o quanto era ponderada, amorosa e humana, mas por pura covardia não fui capaz de me declarar ou de chamá-la para sair. E mesmo morrendo de ciúmes dos olhares e do jeito que o colega de trabalho a tratava, ainda assim, não tomava uma atitude. Mas te digo, com a minha boneca, foi amor à primeira vista!

Minhas lágrimas escorrem livremente, em um choro quase convulsivo, mas agora é o sentimento de alívio que me invade. Sorrio ao constatar que, quando o cortei, mais uma vez, quase julguei suas palavras de forma errada por uma ansiedade desmedida em obter uma resposta.

Agora, no entanto, se meus ouvidos estiverem em suas plenas funções, acredito que ele tenha dito que me ama, quer dizer, ele falou que foi amor à primeira vista, mas é praticamente a mesma coisa, não é? Decido não arriscar outro mal-entendido, e só para ter certeza de que foi o que ouvi, verbalizo a minha dúvida.

— Você me ama?

— Pensei que já havíamos esclarecido isso, mas se ficou alguma dúvida, acho que não estou fazendo as coisas direito...

Ele sorri ao me responder e vejo aquele Lucca de cinco anos atrás, brincalhão e descontraído pelo qual me apaixonei, ressurgir. Sem que eu espere, me puxa ao encontro do seu corpo com precisão, colando sua boca na minha. Não resisto quando a ponta de sua língua toca meus lábios pedindo passagem e me entrego ao momento.

Ficamos com nossas bocas coladas por um longo tempo, aparentemente nenhum dos dois quer deixar a sensação de lado, mas ele se acalma, e sorri de leve em meus lábios enquanto encerra o beijo com uma sequência de pequenos selinhos.

— E sim, eu amo!

Emocionada, fecho meus olhos para absorver suas palavras e deixo mais algumas lágrimas escaparem. É como estar em uma espécie de sonho, do qual não quero acordar nunca mais! Sorrio quando suas palavras se consolidam em minha mente.

ELE TAMBÉM ME AMA!

Sem pensar muito, aproximo nossas bocas novamente e inicio um novo beijo, sem medo, sem culpa. Ele é meu e eu sou dele, não há ninguém em nossos caminhos, e ter essa certeza, me proporciona uma sensação de contentamento tão grande que, cinco anos de espera se tornaram nada.

— E como vai ser agora? — Pergunto.

— Vai ser como deveria ter sido desde que nos conhecemos minha boneca!

— É sério Lucca! Não sei bem como agir daqui para frente, como vai ser entre a gente? — Ele fica sério, perde o ar brincalhão antes de me responder.

— Catherinna, eu sei que você está saindo de um relacionamento agora, não quero te pressionar ou algo parecido, mas também não quero demorar a assumir um compromisso com você, não posso arriscar te perder novamente. Cinco anos sem a mulher da minha vida foram suficientes para entender que nunca mais quero ficar longe, mas vou respeitar seu tempo. Só por favor! Não peça para que eu me afaste porque não consigo...Não agora que sei que nossos sentimentos são recíprocos. Eu te amo, e por mim, não desgrudaria de você por mais nem um minuto sequer!

Sorrio com suas palavras, mas saber que ele também tem inseguranças por medo de perder o que temos me deixa imensamente feliz, mostra o quanto estamos em sintonia.

— Tudo bem! — Ele arqueia uma sobrancelha e gargalho com sua confusão. — Você me ganhou no "mulher da minha vida". Apesar de ter certeza de que essa sua carinha e essas duas piscinas azuis conseguem qualquer coisa de mim. — Seu sorriso de resposta é magnífico.

— Nesse caso, posso te pedir uma coisa?

— Claro. O que você quiser e estiver ao meu alcance. — Afirmo, um pouco desconfiada pela cara de safado que ele está fazendo, certamente boa coisa não irá sair.

— Sei que o Enzo é o seu confidente, admiro demais a relação de vocês, mas poderia não falar que estamos namorando? Quero contar de um jeitinho bem especial para ele, afinal, foram cinco anos me atormentando.

— Estamos namorando é?

— Lógico que sim, por mim, já estaríamos noivos e semana que vem casados, mas como disse, vou deixar as coisas no seu tempo... — Ele pisca um olho para mim.

— Eu concordo, mas esse seu sorrisinho zombeteiro está me dizendo que meu irmão vai sofrer na sua mão. Olha lá o que vai fazer!

— Não se preocupe, você vai saber, já que irá fazer parte do plano.

— Nesse caso, vamos combinar que ninguém deve saber até lá, de acordo?

— Plenamente de acordo. Agora me deixe aproveitar mais um pouco a minha namorada, já que não poderemos fazer isso em público por enquanto...

Assim é...Destino?Histórias para pegar e não largar. Descubra agora