22. Ricardo - Rick

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Setembro de 2016

Finalmente após meses guardando esses sentimentos dentro de mim, consegui me declarar, quer dizer, tecnicamente foi ela quem tomou a iniciativa, mas pelo menos fui correspondido. Além de linda, ter um sorriso capaz de iluminar o dia, Cathy é a pessoa mais extraordinária que tive a oportunidade de conhecer, simpática com todos os que a rodeiam, independentemente de ter laços de amizade ou não.

Ela está sempre disposta a ajudar quem ela percebe estar em algum tipo de dificuldade, não a vi dizer não para qualquer pessoa. É inteligente, focada, carinhosa e faz tudo com amor, despretensiosa, é o tipo de pessoa que desperta o lado bom dos outros, se a conhecer, não há como não a amar.

Realmente nunca nutri por qualquer outra pessoa o tipo de sentimento que tenho por ela, sempre priorizei meus estudos, nunca namorei ou sai com outra pessoa, mas com ela, tenho vontade de ter uma vida, construir algo, ter uma família. Não tenho muitos amigos, sou muito introspectivo, retraído, diria que até tímido, não gosto de me expor e tenho dificuldade de demonstrar ou falar abertamente sobre meus sentimentos.

Meu melhor amigo de infância deixou de falar comigo há alguns anos, tivemos um pequeno desentendimento quando ele assumiu a homossexualidade e acabamos perdendo contato. Desde então, não estreitei laços com mais ninguém, tenho apenas algumas amizades rasas, como a Paola, por exemplo.

Apesar de nos conhecermos desde pequenos, Paola sempre foi muito esnobe, mesquinha. Desdenha dos outros com ar de superioridade, mas na minha humilde opinião, não passa de uma patricinha mimada com um QI não muito elevado. Desde que demonstrei interesse por Catherinna, ela tenta diminui-la, é preconceituosa e má em seus comentários, claro que sempre longe do Luigi, o que mostra mais a pequenez do caráter dela do que qualquer outra coisa.

Mesmo que não tenhamos conseguido conversar muito ou nos ver nesses últimos dias, por ser época de provas e trabalhos na faculdade, tentamos aproveitar os poucos minutos de intervalo entre as aulas para ficarmos um pouco juntos, o que considero a melhor parte do meu dia.

Graças a Deus é final de semana e vamos poder ter um tempo de qualidade hoje, já que Cathy me convidou para ir até sua casa. Após me arrumar, sigo até seu endereço, e agora estou aqui, em frente à sua porta, aguardado, ansioso para vê-la. Minha linda e perfeita NAMORADA.

— Oi Rick, que bom que chegou. — Ela sorri me dando espaço para que eu entre.

— Oi Cathy. — Digo após selar nossos lábios em um beijo casto.

— Precisamos conversar. — Cathy diz e percebo que o assunto é sério. Será que ela se arrependeu de nos dar uma chance? Deus! Espero que não seja isso, não depois de tanto tempo esperando essa oportunidade. Será que fiz ou falei algo durante esses dias que não a agradou?

­— Tudo bem. — Respondo, sinto meus olhos se encherem pela dor da possível rejeição, nem consigo olhar para ela.

— Rick, olha pra mim. — Ela diz e, mesmo envergonhado pelas lágrimas eminentes, levanto a cabeça.

— Você quer terminar? — Que não seja isso, por favor, diga que não!

— Meu Deus! Claro que não! Que ideia! — Ela diz e sinto seus braços ao meu redor, já não consigo controlar o choro, que agora, é de alívio.

— Mais calmo agora? — Ela pede, assim que me acalmo um pouco.

— Sim...Desculpa...

— Eu te desculpo se você me prometer que da próxima vez não vai tirar suas próprias conclusões antes que eu fale. Rick, você sofre antecipadamente, precisa parar de tentar adivinhar o que as pessoas estão pensando, evitaria muito stress se tivesse um pouco mais de paciência. — Sorri.

— Prometo tentar... — Prometo, mesmo sabendo que será uma coisa praticamente impossível, acho que sou pragmático demais para olhar o copo meio cheio.

— Já é alguma coisa.

— Vamos conversar então! O que queria me dizer? — Agora realmente estou curioso sobre o assunto.

— Certo, não é um assunto muito fácil, mas vou tentar. Se importa se eu te contar uma historinha? Prometo tentar ser breve. — Adoro ouvir a voz dela, me acalma, ficaria horas somente a ouvindo falar.

— Não me importo, gosto de te ouvir falar. — Digo e recebo um selinho carinhoso da minha menina linda.

Como você sabe, eu e a Mel somos amigas desde que nascemos. Quando éramos menores, sempre fazíamos pactos e promessas que cumpríamos à risca, um desses pactos foi de perdermos a virgindade somente depois do casamento. Alguns anos depois, no ensino médio, Melissa conheceu o JC e, quando o namoro deles evoluiu um pouco, percebi que ela estava mal, não era ela mesma, eu soube o motivo quando ouvi sem querer uma conversa dela com a tia Sandra, então resolvi modificar os termos do acordo. Disse a ela que se achava que ele era a pessoa certa, não precisava se prender ao que prometemos, que não deveria se privar de ser feliz por minha causa. Rick, você é o meu primeiro namorado, nunca tive ninguém, claro que já havia beijado antes, mas nada além, era o que eu queria que você soubesse.

Preferi não a interromper enquanto falava, e agora, estou tentando processar a informação.

­— É sério isso? Quer dizer, você é virgem? — É o que consigo articular depois das suas palavras, estou tão atônito que não sei como reagir.

— Sim, exatamente isso.

— Isso é muito lindo Cathy! Te admiro ainda mais por se dar tanto valor, vejo que você é mais especial do que eu imaginei! — Não sei que tipo de reação ela esperava, mas tudo isso só me fez perceber o quão especial ela é, o sonho de qualquer homem que deseja um futuro com alguém.

— Rick, não quero que você pense que estou falando isso com algum tipo de intenção, longe de mim. — Se justifica parecendo preocupada.

— Nunca pensaria isso de você Cathy! Sei como você é, minha linda. Não me importo de esperar o tempo que for. Você vale a pena! — Vejo que ela se emociona com minhas palavras e agora sou eu quem a abraço, não quero soltá-la nunca mais!

— Obrigada! 

Março de 2019

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Março de 2019

Cathy e eu estamos juntos há dois anos e meio e posso dizer, sem sombra de dúvidas, que foram os melhores anos da minha vida. Não sei como é para os outros casais, mas minha linda está do mesmo jeitinho, não mudou em nada, nunca poderei dizer que ela era uma coisa no início do relacionamento e agora é outra.

Por algum motivo que não sei explicar, algo me bloqueia e não consigo ir até o final quando trocamos algumas carícias mais intensas, talvez seja por ela ter dito que quando menina tinha o sonho de se guardar para o casamento ou, quem sabe, seja por eu também não ter qualquer tipo de experiência e ter medo de não atender as expectativas dela. Realmente não sei o que acontece, me sinto estranho às vezes, é como se fosse, de alguma forma, errado dar esse passo agora. Daqui a seis meses irei me formar, então, acho que estou pronto para darmos mais um passo em nosso relacionamento, por isso, decidi pedi-la em casamento e, para meu deleite, ela aceitou.

Assim é...Destino?Histórias para pegar e não largar. Descubra agora