Europa, 2021
Finalmente estou indo para casa! Dois anos! Dois intermináveis anos que tive que esperar para ir atrás da minha felicidade, ou da minha boneca, o que se resume a mesma coisa. Desde que a vi no hospital naquele dia, tive dificuldade em seguir com meus planos. Mas o lado positivo é que minha motivação para voltar cresceu exponencialmente e estou decidido a procurá-la assim que possível, mesmo que seja para ela me dispensar. Não aguento mais essa situação de "talvez se".
Clarissa até tentou nos primeiros tempos se mostrar uma boa mãe, mas ninguém consegue manter uma máscara vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana. Vendo a convivência diária das duas, pude perceber quão mal Clarissa faz para o emocional da minha princesa. Ela nunca permite que a pequena a chame de mãe, aliás, pelo que eu fiquei sabendo pela minha própria filha, sempre foi assim. A aspereza nas palavras dirigidas à pequena, como se estivesse falando com um adulto e não com uma criança de menos de cinco anos de idade, me deixa doente.
Liv não conta se alguma vez sofreu castigos físicos. Até tentei perguntar, mas minha pequena é evasiva e desvia do assunto, mesmo que a Clarissa a maltrate, ainda é a mãe dela, a única que ela tem. Sinto o sangue ferver em minhas veias quando chego em casa e ouço os gritos de Clarissa.
— Pare agora com o que está fazendo Olivia e saia da minha presença. E nada de correr para o seu pai, você conhece as consequências. Entendeu? — Clarissa chama a atenção da minha bonequinha, obviamente ela não notou a minha presença.
— Sim mã... Clarissa. — Minha pequena responde a mãe com os olhinhos cheios de lágrimas.
— E sem chorar porque sei que não está sentindo dor alguma.
— Já chega Clarissa! — Digo enquanto me abaixo abrindo meus braços para acolher minha princesinha que soluça baixinho.
— Lucca... — Calo-a com o olhar, enquanto aperto Liv em meus braços.
— Calma meu docinho, o papai está aqui agora. Você pode fazer um favorzinho pro seu papai príncipe? — Sussurro em seu ouvido, enquanto afago suas costas.
— Posso papai.
— Espera o papai lá no seu quarto que eu tenho uma surpresa para você, só vou conversar com sua mãe rapidinho. Combinado? — Ela assente com a cabecinha, dou um beijo em seu rosto, seco suas lágrimas e a coloco no chão.
Vejo-a olhar para Clarissa com receio antes de baixar a cabecinha e caminhar em direção ao quarto dela. Hora de colocar as cartas na mesa.
— Clarissa, chega de joguinhos e hipocrisia.
— Não sei do que você está falando Lucca.
— Estou me referindo à uma série de coisas, mas vou esclarecer, já que sozinha você não consegue. Fechei os olhos para muitas coisas, mas agora chega! Eu deixei rolar por muito tempo, mas nesse momento, serei bem direto. Acho que você já percebeu que não há a mais remota possibilidade de reatarmos, ou será que cinco anos não foram suficientes para você?
— Sim Lucca, percebi.
— Quero que diga por que ainda está aqui? Qual seu ponto? Porque, por amor a sua filha, obviamente não é.
— Eu honestamente pensei que depois de algum tempo sozinhos aqui, você iria finalmente ceder e me aceitar de volta.
— Isso nunca aconteceria, não volto atrás com as minhas decisões Clarissa, ainda mais depois da forma como tudo aconteceu. E tenho certeza de que nunca dei qualquer indício de uma possível reconciliação. Correto?
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Assim é...Destino?
ChickLitAs pessoas não entram na vida da gente por acaso, cada uma tem um motivo para estar nela, e o tempo de permanência é determinado justamente pela razão que a fez entrar. Então faremos parte da vida de alguém enquanto essa pessoa precisa da gente ou e...
