3. Catherinna

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Brasil

Julho de 2015



Me assusto com o barulho do celular tocando pois tenho sono leve e qualquer som, por mínimo que seja, me deixa alerta. Tampouco me mexo durante a noite, Melissa costuma dizer que pareço estar morta, não dormindo. Sento-me na cama pegando o telefone e antes de atender o número desconhecido brilhando na tela, minha mente já está imaginando as piores situações e, a primeira coisa que penso, é que aconteceu algo com minha família.

— Alô? Quem é? — Digo um pouco apreensiva.

— Cathy, é a Fernanda. — Graças a Deus!

Fernanda é uma das amigas que fiz logo no início, nos demos bem de cara. Ela trabalha como técnica no laboratório do hospital. Linda, inteligente, um pouco doidinha, extremamente responsável com seu trabalho, apesar de muito desorganizada, mas a considero uma amiga de verdade, para todas as horas, do tipo que está sempre disposta a ajudar.

— Fala Nandinha, aconteceu alguma coisa?

— Amiga...preciso que você me cubra no laboratório a partir de amanhã.

— Como assim Nanda? O que houve?

— Não posso te explicar agora. Preciso ir, assim que der te ligo, beijos, amiga... e obrigada!

— Fernanda? Me explica isso direito garota! — Adivinha? Ela não me explicou nada, simplesmente desligou e pronto!

Como não havia o que fazer no momento, decidi voltar a dormir e resolver tudo pela manhã. Quando deu o horário, me arrumei e fui até o laboratório, torcendo para que o doutor Marcus estivesse no local para abrir, já que eu não possuía a chave e, a doida, sequer lembrou-se disso! Relaxo quando vejo que ele já me espera na porta.

— Bom dia Catherinna! Fernanda me informou que enviaria alguém para substituí-la, mas não disse quem seria.

— Bom dia doutor Marcus! A Fernanda só me avisou ontem à noite, aí fiquei sem a chave para abrir. E pode me chamar de Cathy, doutor.

— Tudo bem Cathy. O motivo de eu ter vindo mais cedo foi justamente por causa da chave, tinha certeza de que a maluquinha não havia deixado para a substituta.

— Fernanda sendo Fernanda!

— De fato! Imagino que você conheça o funcionamento do laboratório, correto? Caso contrário, duvido muito que ela te enviasse para substituí-la, sabemos como ela é responsável com o trabalho.

— Isso ela é mesmo, doutor! E sim, conheço perfeitamente o funcionamento do laboratório. — Procurava aprender quando trazia algum exame ou nas manhãs quando estava mais tranquilo, já que meu turno é a tarde. — E o que eu não souber, se o senhor não se incomodar, eu pergunto, aprendo rápido!

— Não me incomoda de forma alguma, pode perguntar sempre que houver alguma dúvida. Agradeço por se dispor a vir, Catherinna!

— Imagina doutor, sempre que precisar estarei por aqui. — Ele me dá um aceno de cabeça em concordância e vai para sua sala.

Mais ou menos na metade da manhã, recebo uma ligação do RH, me pedindo para ir até eles perto do meu horário de almoço. Quando eram umas 11hr30min da manhã, fechei o laboratório e fui em direção do RH.

— Bom dia Denise, tudo bem? Queria falar comigo? — Digo a chefe do RH assim que entro em sua sala.

— Bom dia Catherinna! Sim, preciso conversar contigo sobre os próximos dias. — Ela me responde colocando o telefone no gancho.

Assim é...Destino?Onde histórias criam vida. Descubra agora