50. Lucca

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—Isso depende.... Você quer saber se tenho alguém em minha vida ou se tenho alguém em meu coração, por que são perguntas com respostas diferentes.

Ela fica parada me olhando. Pelo pouco que a conheço, deve estar ponderando o que falar, como agir. Percebi esse seu jeito centrado desde que a conheci, cinco anos atrás, ao que parece, ela não mudou nada em sentido algum.

Eu entendo toda essa ponderação da parte dela, afinal, se eu estou me sentindo nesse looping emocional, o mesmo provavelmente está acontecendo com ela. Mas uma coisa é certa, agora tudo irá depender da sua resposta baby, inclusive minhas próximas ações.

— Nesse caso, eu gostaria que me respondesse nos dois sentidos. Acho que chega de ficarmos nos achismos e julgando erroneamente as situações. Não sou mais uma adolescente apaixonada por um homem inalcançável, e nem você é um garoto imaturo, somos dois adultos e acho que está na hora de agirmos como tal.

Confesso que a sua resposta me deixou completamente perplexo. Nunca havia visto ela agir dessa forma, e, por suas palavras, percebo que ela está sendo a mais adulta de nós dois. Ela já havia falado que não é fã de joguinhos e que gosta das coisas esclarecidas, mas dessa vez ela foi extremamente direta.

Quanto mais a conheço, mais apaixonado fico. E analisando suas palavras, vejo que ela tem total razão em tudo, julgamos errado várias situações, principalmente eu, pelo que pude retirar do teor dessa conversa. Mas uma coisa me deixou um pouco desnorteado agora, ela disse "não sou mais uma adolescente apaixonada", será que ela não tem mais sentimentos por mim? Ou novamente estou julgando erroneamente?

— Olha Lucca, me desculpe, mas não aguento mais essa montanha russa de emoções, preciso que me dê uma resposta direta e honesta, é tudo que eu te peço! Preciso saber se estou sozinha nesses sentimentos para poder dar um rumo para minha vida!

A minha demora em responder certamente a deixou nervosa, tanto que ela sequer esperou uma resposta da minha parte, contudo deu-me a resposta preciosa que ansiei por todo esse tempo. Ela tem sim sentimentos por mim!

Não consigo mais me segurar, vou até ela e pego em suas mãos, tudo que preciso agora é estar em contato com ela, quero que ela sinta as minhas palavras, perceba a importância que ela tem em minha vida.

— Catherinna, olhe pra mim! — Quero que ela esteja olhando em meus olhos quando lhe der a resposta. — Eu tenho sim alguém em meu coração... — Seus olhos ficam cheios e transbordam assim que começo falar e ela me corta, desfazendo nosso contato e se afastando um passo.

— Tudo bem Lucca, entendo... Eu só queria que soubesse que eu amo você desde que te conheci, há cinco anos, não aguentava mais guardar isso dentro de mim. Não me arrependo dos meus sentimentos, e quero que seja muito feliz, mesmo que não seja comigo...

Enquanto as palavras saem de sua boca, a sensação de felicidade me domina por completo, ainda que reste um pouco de frustração por saber que eu poderia estar com a minha pequena desde sempre, a euforia causada pelo que ouvi se sobrepõe. Ela me ama!

ELA. ME. AMA!

Quase não consigo me conter, mas espero que ela termine de falar, sinto que precisa desse desabafo, contudo, ver suas lágrimas caírem por uma conclusão errada novamente, me obriga a desfazer o mal-entendido. Claro que vou judiar dela um pouquinho, já que me cortou antes que eu pudesse terminar.

— Não.

— Não o que? — Pede confusa e decido que é hora de realmente abrir meu coração para ela.

— Não, você não entende. Não há ninguém em minha vida desde que me separei, somente Olivia. Passei por um divórcio conturbado, não quis trazer ninguém para a confusão que era a minha vida, principalmente naquela época, e por não achar justo, não me esforcei para me mostrar. Mas eu tenho alguém em meu coração sim, há exatos cinco anos, quando ela entrou em meu consultório, linda, com um jeito tímido e inocente, porém, muito falante. O rosto de boneca com imensos olhos verdes ou azuis, nunca consegui definir exatamente, mas que me encantaram e me tiraram as palavras. Com a convivência, mesmo que por pouco tempo, vi o quanto era ponderada, amorosa e humana, mas por pura covardia não fui capaz de me declarar ou de chamá-la para sair. E mesmo morrendo de ciúmes dos olhares e do jeito que o colega de trabalho a tratava, ainda assim, não tomava uma atitude. Mas te digo, com a minha boneca, foi amor à primeira vista!

Agora as lágrimas escorrem livremente, mas um sorriso se faz presente. Seus olhos estão iluminados e o verde está tão intenso que é "facinho" de confundir com o azul. Ela coloca as duas mãos nas faces e começa a soluçar, mas posso sentir o alívio pela postura do seu corpo.

— Você me ama? — Ela pergunta em um misto de surpresa e dúvida.

— Pensei que já havíamos esclarecido isso, mas se ficou alguma dúvida, acho que não estou fazendo as coisas direito...

Puxo-a para meus braços e beijo sua boca, os lábios macios pelo choro recente deixam o beijo ainda melhor. Toco seu lábio com a ponta da minha língua, pedindo passagem, que ela não nega. Beijá-la é o Nirvana, não há nada melhor nesse mundo, e se há, ainda não provei. Termino nosso beijo com alguns selinhos inocentes e falo para ela, não quero que reste qualquer dúvida.

— E sim, eu amo!

Assim é...Destino?Histórias para pegar e não largar. Descubra agora