54. Catherinna

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Agora que Louise e Enzo sabem sobre nós, temos mais liberdade para nos ver e ficarmos juntos. Quer dizer, é uma liberdade limitada, pois Lucca tem a pequena fadinha. Ainda não contamos a ela sobre a gente e não sei quando ele irá contar. Ouço a campainha tocar e me apresso em atender, provavelmente é o meu amor, ele disse que viria.

— Oi... — Lucca me corta com um beijo, cheio de saudades.

— Vim te buscar para irmos até minha casa. — Ele diz quando separa sua boca da minha.

— Tudo bem..., mas porque precisamos ir até lá?

— Vou falar com a minha princesinha hoje... E gostaria que fizéssemos isso juntos.

— Acha que ela vai gostar?

— Você tem alguma dúvida? — Ele sorri. — Viu? Por isso quero que você esteja presente, quero que veja junto comigo a reação da pequena a notícia.

— Seremos somente nós?

— Sim, hoje sim. Vamos deixar uma emoção para cada dia.

— Lucca!

— Para de se preocupar minha linda! Você conhece praticamente toda a família... Além do mais, todos te amam.

— Não conheço sua mãe Lucca, e ela é muito importante! E para o seu pai, sou apenas uma funcionária...

— Dona Tchesca vai gostar de saber que a considera a pessoa mais importante nessa família. — Minhas bochechas ardem e ele ri do meu constrangimento, mas dois podem jogar esse jogo.

— Cinco anos sonhando com um príncipe para ele ficar rindo da minha cara e fazendo piada das minhas inseguranças... É, Catherinna, quem sabe está precisando rever suas decisões e conceitos.

Falo fingindo estar chateada com ele, vejo Lucca perder a cor e me olhar com olhos assustados. Deus! E eu achando que era a única insegura nesse relacionamento! Ele continua sem falar nada, sem reação, já estou começando a ficar preocupada. Não sei qual palavra usei que desencadeou essa apatia, mas preciso do meu Lucca de volta!

— Lucca! Eu estava brincando, não me assusta, fala comigo amor! — Digo quase desesperada e ele pisca, saindo do transe.

— Fala de novo?

— Graças a Deus, amor! Achei que você estava passando mal. — Ele fecha os olhos e vejo uma lágrima descer em sua bochecha. — Lucca? Meu amor, o que foi?

— Você me chamou de amor?! Não estou sonhando, não é?

— Não, não está sonhando... Te chamei pelo que você é, o meu amor..., mas se me assustar desse jeito novamente, te deixo de castigo por uma semana!

— Castigo é?

— É! Sem beijos por uma semana!

— Isso que eu chamo de tortura, com requintes de crueldade! Você é má! Mas eu te amo mesmo assim, minha Catherinna!

— Também te amo, meu Lucca!

            A casa está tão silenciosa quando chegamos que nem parece que há uma criança morando aqui

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A casa está tão silenciosa quando chegamos que nem parece que há uma criança morando aqui. Lucca nos guia até o quarto da pequena que está sentada no chão, de costas para a porta, distraída com suas princesas e uma mesinha de chá. Ele entra e pede que eu espere do lado de fora, quer fazer uma surpresa para Liv.

Não me importo nem um pouco, pois amo ver a interação da pequena com qualquer pessoa, principalmente com o pai. Ela é apaixonada por ele e juntos protagonizam as cenas mais fofas que já vi, tenho certeza de que essa não irá ser diferente.

— Posso me juntar a senhorita para uma xícara de chá?

— Claro papai príncipe, as meninas gostam também.

— Que bom! ...Princesinha?... Lembra quando conversamos sobre o papai namorar?

— Sim, já é agora que você vai namorar papai?

— Sim, o que você acha?

— Eu quero! Mas só pode chamar mamãe depois que casar, né papai? Demora muito pra casar?

— O papai espera que não demore, mas acho que um pouquinho vai demorar sim... Por que ficou tristinha amor? Pensei que você quisesse que o papai namorasse.

— Eu quero. Mas não queria essa namorada papai.

— Mas você nem conheceu ela ainda meu amor, por que não quer?

— Porque eu queria a minha tia bonequinha, ela que vai ser a namorada do papai, meu vovô que disse.

Sinto a emoção me dominar e meus olhos arderem quando diz chorosa quem ela quer que seja a namorada do pai. Lucca faz sinal para que eu entre e me aproximo sem que ela me note, peço que ele fique quieto e me deixe falar.

— Que bom que eu sou então, minha fadinha!

Falo baixinho, me abaixando perto dela que, quando ouve minha voz, levanta a cabecinha e seus olhinhos transbordam junto com os meus.

— Depois você vai ser minha mamãe?

— Se você quiser meu amor...

Ela não responde mais nada, apenas pula em meu pescoço o apertando com toda a força que seus braços gordinhos possuem, quase nos derrubando no processo. Me ergo com ela agarrada a mim e começo afagar suas costinhas na tentativa de acalmar seu choro. Sei que ela é uma criança sensível, mas não imaginava uma reação tão emocionada assim.

— Está feliz meu amor? — Lucca pergunta quando ela se acalma.

— Sim! Meu vovô disse assim ó a tia bonequinha já vai namorar o papai, por isso que eu não queria outra namorada papai.

— Viu só, vovô Anthony sabe das coisas!

— Não o vovô Thony papai, o vovô Afonso que disse.

Quando ela fala o nome do meu pai, fico sem reação. Lucca percebe e a pega do meu colo. Ainda sinto falta do meu pai, éramos muito ligados, mas nunca falei do Lucca para ele, e não me lembro dele ter conhecido a pequena Olivia.

— Quando foi que o vovô Afonso falou com você minha princesinha?

— Outro dia que ele veio... Ele disse que agora vai cuidar da gente, não precisa se preocupar papai príncipe. Viu que ele sabe das coisas? Igual meu vovô Thony também sabe.

— Ele disse fadinha? Ele disse mais alguma coisa? — Pergunto, ainda emocionada pelo que eu acho que esteja acontecendo.

— Ele disse que minha vovó Elisa é muito linda e que ele ama muito ela, e que ela vai ficar muito contente quando conhecer a Liv e o papai príncipe. Não chora tia bonequinha, ele disse que ama você também e que sente saudades.

— Também o amo e estou com saudades, pode dizer isso para ele se o ver de novo?

— A Liv diz sim, não chora!

— Obrigada fadinha!

Sabia que Olívia era especial desde o dia em que coloquei meus olhos sobre ela pela primeira vez, mas hoje, pude comprovar o quão especial ela é, tão amorosa e pura que teve o privilégio de receber a visita da pessoa que eu mais gostaria de poder ver novamente.


Assim é...Destino?Histórias para pegar e não largar. Descubra agora