23. Bônus - Enzo

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Março de 2019

Lucca me chamou para conversar, mas só consegui disponibilizar um tempinho agora para vê-lo. Tanta coisa acontecendo! O batizado da nossa pequena Liv está marcado para os próximos dias. Finalmente depois de dois anos vai acontecer!

Mesmo após todo esse tempo, ainda me sinto anestesiado com o pedido do Lucca. Nos conhecemos na faculdade, mas o considero um irmão, assim como Vince, Pietro e Luigi, acho que por isso nunca consegui me declarar para a mulher que eu amo.

Sou apaixonado pela Louise, irmã do Lucca, desde que a conheci, quando comecei a frequentar a casa do meu amigo. Ela é linda, se parece muito com o Lucca, mas uma versão feminina e melhorada. Tem os olhos azuis mais lindos que já vi em toda a minha vida!

Inteligente, bem-humorada, eu já disse linda? Tinha tudo para ser uma patricinha mimada, mas, ao contrário do que parece, ela é estudiosa e dedicada a profissão que escolheu, fala com tanta paixão da medicina que me lembra minha pequena Cathy falando da enfermagem.

Claro que ela é bastante teimosa e nunca me deu abertura, provavelmente, me vê como um irmão mais velho, como o Lucca. Eu também não arrisco muito, tenho medo de estragar o que tenho com o Lucca, não sei se ele aprovaria meu envolvimento com sua irmã.

Saber que vou ser padrinho da minha pequeninha junto com ela, é a melhor de todas as notícias! Sempre amei crianças, tenho dois sobrinhos que amo demais, e a Liv é como se pertencesse à família, desde o primeiro dia que a peguei nos braços, senti uma conexão muito forte com ela, não sei explicar, só sinto que faria qualquer coisa por ela, assim como pela minha pequena e meus sobrinhos.

Acho que esse apego se deve ao fato de ela me lembrar muito a Cathy. O cabelinho escuro, os olhos verdes expressivos, a boquinha desenhada e o narizinho arrebitado, ela realmente parece uma bonequinha. Acho que se a Cathy tiver uma filha um dia, não vai se parecer tanto com ela como a pequena Liv.

Graças a Deus a pequena não lembra em nada a sua genitora, sim, porque definitivamente Clarissa não pode ser chamada de mãe, ela não merece o título. Nunca simpatizei muito com ela, às vezes até achava que a tia Francesca exagerava na implicância, mas depois de tudo que ela fez para o meu amigo e de suas atitudes como mãe, preciso realmente concordar que não era coisa de sogra.

Não me arrependo nem um pouco de ter alinhavado aquele pacto antenupcial de acordo com o que a tia pediu, e agradeço a Deus por meu amigo ter se livrado daqueles dois embustes. Jamais me perdoaria se eles tivessem conseguido passar a perna no meu irmão.

Depois de me lembrar sobre a data do batizado (como se realmente houvesse necessidade), que será no próximo final de semana, fiquei em sua sala mais um pouco, aproveitando os minutos livres que ainda tenho, para "babar" minha afilhada que se diverte com meus óculos e minha barba, e distraído, sou pego de surpresa pela pergunta do meu amigo.

— Enzo, você gosta da minha irmã?

Tento ver algo em seu rosto que possa denunciar seu desagrado com a ideia, mas não vejo nada além de serenidade, Lucca fala isso com a maior tranquilidade, como se falasse do tempo.

— Eeu... é... Lucca, por que a pergunta? — Gaguejo pelo nervosismo. Será que meus sentimentos estão tão evidentes assim?

— Calma, amigo! Respira ok? Eu só estava querendo confirmar, e a sua cara já disse tudo.

— Mano, eu...desculpa...

— Está se desculpando por quê? Você não fez nada de errado. — Ele me corta.

— Isso não te incomoda? — Pergunto apreensivo e surpreso ao mesmo tempo.

— Me incomoda o fato de vocês dois ainda não estarem juntos. Cara, eu te amo como um irmão, já te considero da família, pedi para você ser padrinho da minha filha, que é o que tenho de mais precioso nessa vida, conheço você e não poderia desejar pessoa melhor ao lado da minha irmãzinha.

Meus olhos ardem novamente pelas lágrimas contidas. Cathy diz que sou sensível, posso até estar parecendo mole demais, mas não sei ser meio termo, disfarçar esse tipo de emoção. Eu amo aquela garota a tempo demais, e saber que Lucca aprova nosso envolvimento me faz ver que agora só depende da minha atitude, e da vontade dela, é claro.

— Eu amo a sua irmã desde que coloquei meus olhos nela, no dia que entrei na sua casa pela primeira vez.

Não consigo mais segurar as lágrimas, e sinto mãozinhas pequenas fazendo carinho no meu rosto, como se ela entendesse o que se passa e dissesse com o gesto que tudo vai ficar bem. Ela encosta a cabecinha em meu ombro e mantém a mãozinha no meu rosto.

— E o que te impede de falar com ela?

— Dois motivos... O primeiro, pude ver que era infundado...

— E o segundo, provavelmente também é! — Diz com um sorriso nos lábios.

— Eu nem disse qual é, como você pode ter tanta certeza?

— Sei como sua mente funciona irmão, você pensa demais, racionaliza demais. Mas vamos lá, qual é o segundo motivo?

— Lou nunca me deu abertura Lucca, acho que ela não me vê assim, provavelmente ela me vê como um irmão mais velho. E, também, ela está sempre com alguém por perto, cercando-a.

— Olha a veia ciumenta aí gente! — Ele faz chacota comigo. — Bem que eu disse que o motivo não tinha fundamento também.

— Porque diz isso Lucca? Não a parte do ciúme, a do motivo... — Ele ri da minha desgraça.

— Porque assim como te conheço, conheço a minha irmã, sei que ela sente algo por você, e posso te garantir que ela não te vê como irmão não! Já te ocorreu que ela pode estar pensando da mesma forma que você?

Meu Deus! Será? Eu poderia ter evitado todo esse sofrimento? Não acredito! Lucca me olha e tenho certeza de que ele sabe o que estou pensando. Liv permanece do mesmo jeitinho, acariciando o meu rosto, quietinha, deitada no meu ombro.

— Não se preocupa, ao contrário de mim, seu caso ainda tem uma possibilidade de se resolver, afinal, minha irmã está livre, não tem nada que os impeça além de vocês mesmos. Relaxa cunhado, até a pequena Liv sabe que tudo vai ficar bem.

— Dindo, tá dodói? Não chora, papai ajuda. — A pequena diz em sua inocência.

— Isso mesmo, princesinha, papai ajuda sempre que puder.

Aperto Liv em meus braços e faço uma prece para que assim seja mesmo! Preciso arranjar uma forma de falar com ela, sonho com o dia que poderei levá-la para a casa dos meus pais e apresentá-la como minha, para Cathy, principalmente.





Assim é...Destino?Histórias para pegar e não largar. Descubra agora