Jane foi a primeira que vi, seu rosto era uma máscara fria e ao mesmo tempo tão perfeita e angelical. Algumas pessoas eram lindas, Jane era espetacular. A definição perfeita de rainha sem uma coroa. Ela esperou até que todos tivessem saído de seus respectivos carros.
— Vamos — disse para ninguém em especial. — Nossos mestres nos aguardam.
Nós a seguimos até os elevadores, haviam três, um ao lado do outro.
Entrei no mesmo elevador que Jane e alguns da guarda sem querer, estar em um lugar tão apertado com ela deveria ser no mínimo aterrorizante, mas tudo que eu sentia naquele momento era adrenalina. Se eu conseguia estar no mesmo lugar que uma das pessoas mais poderosas do mundo, eu poderia lidar com alguns lobisomens vira-latas. Aquela cena era engraçada por vários motivos. Jane olhava para frente como se tudo ao redor dela fosse desinteressante, como se fosse superior, o que óbvio, ela era.
A porta do elevador abriu, meu pai saiu no elevador à esquerda, junto com seus irmãos e minha mãe. Carlisle e Esme saíram no elevador à direita junto com parte da guarda que veio conosco; Daniel estava lá também. Imagino que os outros da guarda Volturi que nos acompanharam irão fazer o que qualquer pessoa — ou vampiro, no caso — faz quando chega em casa depois de uma longa viagem. Eu não avistei Alec em lugar nenhum, onde ele estava?
Seguimos Jane até a sala do trono. Ou o que poderíamos chamar de sala do trono; os Volturi eram o mais próximo do conceito de realeza que tínhamos, mas nunca se autodeclararam reis. O que nos trazia um impasse. Eles eram poderosos o suficiente para não serem desafiados mas ainda eram alcançáveis. Acessíveis.
Jane abriu as portas e lá estavam três figuras sentadas em cadeiras tão finalmente entalhadas que poderiam facilmente ser tronos. Tronos para nossos reis. Era irônico. Logo atrás de Aro eu vislumbrei Renata, seu escudo físico pessoal em uma capa preta.
— Vejo que meus convidados chegaram — Aro disse levantando-se. — E vejo que fizeram a escolha mais adequada.
Os olhos carmesim de Aro repousaram sobre Carlisle.
— Olá, Carlisle. Já faz algum tempo.
Anos haviam se passado desde a Quase Batalha, fazia anos que não encontrávamos os Volturi. Nada havia realmente mudado no governo deles. Aro, Caius e Marcus continuavam com o mesmo governo corrupto de sempre. Eles nos protegiam, mas a que preço?
Carlisle caminhou até Aro e ofereceu sua mão para ele.
Os olhos de Aro cintilavam.
— Olá, Aro. As circunstâncias não são favoráveis, mas é sempre bom ver você.
Carlisle era educado, eu admirava aquilo nele, porque eu definitivamente não conseguiria ser tão simpática por boa vontade com Aro. Ele era desprezível. Eu me sentia grata pela existência dos Volturi, mas sempre me perguntei se havia algo melhor, alguém melhor para nos proteger.
Aro aceitou a mão de Carlisle e seu olhar vagou pelo vazio por alguns segundos. Eu era grata porque ele jamais leria todos os pensamentos que já tive, será que ele me puniria por isso? Ou simplesmente pediria a Alice, Edward e Bella para se juntarem a eles em troca do meu perdão total? Porque era isso que Aro fazia. Era assim que conseguia pessoas talentosas para sua guarda.
— Ah — Aro sorriu e inclinou sua cabeça — meu doce Carlisle, você é cheio de surpresas. Uma negociação?
Aro se virou para seus irmãos, Caius e Marcus.
— Nosso querido Carlisle tem uma oferta, se eu compreendi corretamente, ele lutará conosco, apenas se estivermos dispostos a oferecer um favor a ele. Qualquer favor. Daqui a um dia, ano, ou século.
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Lua Negra
FanfictionUma nova guerra se aproxima, e dessa vez os Volturi serão obrigados a pedirem ajuda ao segundo clã mais poderoso do mundo: Os Cullen. Vampiros estão morrendo a cada dia mais. Os lobisomens retornaram, não os metamorfos Quileutes aliados dos Cullen...
