Tabuleiro

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Alec estava irreconhecível. Olhos mortalmente frios e concentrados. Não havia piedade em seu olhar. Ele ajeita cuidadosamente a gola alta de sua blusa. Eu nunca o vi tão lindo quanto ele estava agora. Ele não vestia preto, o preto o vestia. Elegante. Assassino. Mortal.

— Eu disse que tinha um presente para você — ele lembrou caminhando até a pequena mesa perto da janela. Eu estava tão absorta em Alec que simplesmente não pude notar a caixa de presente vermelha que descansava ali.

— Você disse — falei calmamente —, e depois disse que precisaria fazer alguns ajustes antes de me mostrar.

— Em minha defesa — ele diz vindo até mim com a caixa em suas mãos —, eu contei a Alice sobre esse projeto e… Bem, você a conhece. É a Alice. Trabalhamos nisso em nosso tempo livre. É um presente nosso, meu e dela. Espero que goste…

Alec estendeu a caixa para mim de forma retraída, como se estivesse com medo de que eu visse eu o que estava ali dentro.

— Você está sendo bobo — eu sussurrei enquanto minhas mãos agarravam a caixa. — Eu amaria qualquer coisa que você me desse. Qualquer coisa.

Vislumbrei um brilho passageiro que logo desapareceu de seus olhos. Sua respiração começou a ficar diferente, mais rápida do que o normal. Alec estava nervoso, me dei conta. Isso me deixou eufórica porque Alec foi de incrivelmente gélido para torridamente ansioso em minutos. O que havia ali dentro que o deixava assim?

Minhas mãos titubearam pela tampa da caixa, e a abri cuidadosamente. Às vezes, era fácil esquecer quão frágeis essas coisas poderiam ser. Uma vez, fiz meu pai ir até a casa de minha amiga consertar uma porta no meio da madrugada apenas porque a abri com mais força do que deveria. O que estava fazendo lá de madrugada? Eu amava aquela humana. Ainda amo. Talvez nunca deixe de amar. Mas ser imortal podia ser um fardo. Eu viveria para sempre e ela não. Em determinado momento, eu precisaria deixá-la, e eventualmente a deixei. Naquela noite eu estava refletindo sobre como poderia transformá-la. Não era difícil conseguir o veneno, minha família obviamente não a transformaria, contudo, eu não precisava deles. Não para isso. Seria fácil demais negociar com um nômade em troca de veneno. E talvez eu teria feito isso. Talvez ainda a transforme, tenho Alec agora. Quando isto acabar podemos oferecer a ela a imortalidade. Estou cansada de deixar minhas amigas para trás.

Deslizei a tampa para o lado e sorri imediatamente quando vi o que havia ali dentro. Por dias, Alec ficou cochichando pelos cantos com Alice. Quando eu os perguntava porque estavam passando tanto tempo juntos eles apenas desviavam de assunto para qualquer outra coisa que eu não estava interessada em saber, Edward também não quis me contar o que eles estavam tramando… Isso obviamente me deixou mais curiosa ainda. Tentei de todas as maneiras fazer Jasper falar sobre isso, mas ele apenas ria e dizia que eu iria saber quando soubesse. Enigmático, eu sei. Agora eu entendia porquê ninguém me contou.

Acariciei o tecido preto em meu colo e olhei para Alec imensamente surpresa.

— Eu o projetei para você — ele falou serenamente. — Alice viu o que eu planejava fazer em suas visões e praticamente me obrigou a mostrar para ela. Bem, ela me ajudou a fazer alguns ajustes e a melhorar o que já estava feito. Eu nunca mostrei meus desenhos a ninguém antes… Nem mesmo para Jane.

Alec pausou suas palavras e levantei meu rosto para encará-lo. Tudo parecia tão claro em minha mente agora.

Era a primeira vez que Alec fazia uma de suas criações para alguém.

— Sei que é a sua primeira batalha e queria que você fosse um arsenal completo.

Sorri para ele.

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