Penhasco

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A pele de Jacob não brilhava no sol feito cristais como os vampiros, ou mesmo sutilmente como a minha. Entretanto, naquele momento, eu senti que ele poderia iluminar uma cidade inteira. Porque Jacob estava brilhando. Eu jamais havia visto ele sorrir de forma tão específica.

Jacob merecia aquilo, aquela felicidade. E bem, Leah merecia ser amada por alguém como Jacob. Alguém que a colocasse no topo de um altar e a adorasse como a deusa que ela é. Alguém que sempre a escolheria em primeiro lugar. Na verdade, Leah era tão apaixonante que ninguém, em sã consciência, pensaria em não escolhê-la. Jake era a pessoa mais sortuda do mundo por ter o amor de Leah.

Eu estava tão feliz por eles. Eu irradiava felicidade, para ser sincera. Contudo, estava brava na mesma medida. Meus melhores amigos apaixonados e nem para me dar um sinal disso? Nem uma mensagem? E, aparentemente, só eu que não estava sabendo, porque nem minha família, nem a alcateia estavam esboçando surpresa. O que me deixava mais furiosa, e triste, ainda. Eu cuidaria dos dois depois. Teríamos tempo para essa conversa. Ou pelo menos, eu esperava que sim.

Carlisle e Esme se moveram na direção de Sam. Ele era o líder, era necessário ser o primeiro com quem iríamos falar.

Olhei para Alec e sorri. Ofereci minha mão a ele. Alec passou seus dedos pelos meus. Sua pele fria contrastava com minha temperatura morna. Eu amava isso. A sensação da pele dele na minha. Nada no mundo me deixava mais extasiada. Mais feliz.

Todos nós seguimos Carlisle e Esme.

— Olá, Sam — meu avô estendeu a mão para cumprimentá-lo. — Obrigada por terem vindo.

Sam continuava o mesmo. Nada havia mudado, mas seu olhar era distante, como se ele não estivesse realmente aqui. Como se estivesse em algum lugar distante... Talvez com Emilly. Ela não veio, obviamente. É humana. Frágil. Quebrável. A única razão para Sam estar aqui, é única e exclusivamente porque é dever da alcatéia proteger garotas como eu, como Emilly.

— Olá, Carlisle. Olá, Cullens — ele apertou a mão de Carlisle e acenou respeitosamente com a cabeça para nós.

Ele segurava uma mochila em sua mão, todos os lobos tinham uma. Era prática, era necessário admitir.

— Obrigada por terem vindo, Sam — Esme falou docemente. — Seremos eternamente gratos.

— É nossa responsabilidade — ele disse olhando para mim. — Estamos aqui para lutar por ela.

Sam não se incomodou em perguntar sobre os Filhos da Lua. Ele e os lobos sabiam sobre a existência dos lobisomens, também sabiam sobre o genocídio promovido pelos Volturi na Europa e na Ásia. Os lobos sabiam como eles eram perigosos, e também achavam que os Filhos da Lua eram "nossos inimigos naturais". Caius fez questão de deixar isso claro na Quase Batalha. Eu não tinha a mínima noção de como seria explicar que estávamos ao lado dos lobisomens. Eu esperava que os metamorfos entendessem, de todo coração, eu esperava.

Os olhos de Sam recaíram sobre minha mão agarrada a de Alec. Ele juntou as sobrancelhas, confuso. Abismado para ser mais exata. Entretanto, ele não disse uma única palavra sobre isso. Talvez por compreensão, talvez por exaustão. Não importava. Eu não me importava.

— Você deve estar cansado, Sam. — Esme inclinou a cabeça. — Não deve ter sido uma viagem fácil. Venha, vamos. Você pode descansar em Volterra.

Ele não a questionou, apenas seguiu Esme e Carlisle. Contudo, ele manteve os olhos em nós, até que não pudesse mais. Eu daria tudo para saber o que ele estava pensando...

— Ele acha que você está usando Alec para alguma coisa. — Edward murmurou especialmente para mim — Ele também tem uma teoria de que você foi enfeitiçada, você sabe, porque chamamos Alec de bruxo e coisas do tipo.

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