O que você quer?

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Alec balançava as chaves da porta em sua mão, a luz do sol fazia sua pele brilhar. Sua roupa preta entrava em contraste com sua pele branca e seus olhos vermelhos assumiam um tom mais brilhante durante o dia.
Ele trazia minha mala em sua outra mão, Alec estava carregando cinco litros de sangue e quinhentos mil euros em espécie. Acho que projetei a última parte sem querer porque ele sorriu para mim. Às vezes, isso acontecia. Quando acontecia com alguém da minha família, eu ficava constrangida por dias, mas não com Alec.

Jamais com Alec.

Íris estava brincando com sua pantera na grama, ela se sentia tão em casa aqui, quanto em seu próprio lar. Eu passara a gostar de Íris, a entender Íris. Tudo que ela queria era ser feliz com a pessoa que amava. Elas passaram séculos fadadas aos Volturi. Era hora de pertencerem somente uma à outra. Porque Jane era de Íris e Íris era de Jane.

Eu sabia que Íris se sentia culpada por Jane estar presa a Aro, em nossa conversa vi isso em seus olhos. Sabia como o poder de Chelsea funcionava, ele aprisionava Jane aos Volturi como se a vida dela dependesse disso, como se a vida dela se resumisse a cumprir uma promessa para salvar seu grande amor. Era inteligente e cruel.

Michael estava sentado às costas de uma árvore observando Íris e Nix como se entendesse o sentimento que elas compartilhavam.

Alec caminhou até onde eu estava e jogou as chaves para mim. Levantei a mão direita e as agarrei no ar.

— Use a chave maior — Alec disse aproximando-se da escada onde eu estava sentada.

Me coloquei de pé e me movi até a porta, olhei para as chaves em minha mão e escolhi a maior delas.

Levei-a até a fechadura e girei.

Hesitei.

— Você não vai abrir? — Alec perguntou atrás de mim.

Girei a maçaneta e abri a porta.

Atravessei a porta com ele logo atrás de mim e meus olhos analisaram a casa. Eu achava que a casa de Íris era a mais linda, até ver a de Alec.

O teto era branco e no meio da sala tinha um grande lustre, com milhares de cristais brilhando, diferente do teto as paredes eram decoradas em um tom suave de nude. Havia uma grande escada no final da sala.

— Eu sei o que eu gostaria que você me desse como prêmio para nossa aposta — a voz de Alec era um sussurro.

O quê? Eu ainda estudava a casa.

— Eu gostaria que você fizesse tudo que eu pedisse hoje, você acha que pode fazer isso?

Virei-me para ele.

Apenas por hoje?

— Sim.

Tudo o que você pedir?

— Sim.

Ao dar esta última resposta, os lábios de Alec se curvaram em um sorriso.

— Não vou pedir nada que você não possa fazer e também não irei pedir nada que você não queira fazer.

É claro que não vai.

Alec pegou minha mão e me guiou até a escada, eu não protestei. Nós subimos até encontrarmos um corredor e ele nos virou para a esquerda, nós paramos de frente para uma porta e Alec a abriu.

Era um quarto, inspirei profundamente para sentir o cheiro daquele lugar e tudo que senti foi o cheiro de Alec; lírios selvagens misturados a tinta fresca.
Era o quarto de Alec.

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