Jogo de traições

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Eu não sabia que tipo de acordo Michael e Íris haviam feito, contudo, eu sabia que era mais seguro não perguntar. Havia uma linha tênue entre a verdade que me favoreceria e a verdade que me colocaria em uma posição difícil com Aro, e eu definitivamente não queria ser acusada de traição. Seja lá que tipo de acordo eles fizeram era mais seguro para mim não saber. Íris estava fazendo isso por Jane, eu sabia, lutando por Jane. E saber disso bastava para mim.

Alec e eu ainda não havíamos decidido o que fazer em relação a Michael, deveríamos deixá-lo ir conosco? Nós não sabíamos o quanto ele era confiável e isso me preocupava. Se conseguíssemos manter ele até voltarmos para Volterra, Aro poderia ler sua mente, e descobrir tudo que ele sabe. Porque assim como não sabíamos se ele era confiável, também não sabíamos quais informações ele nos dera eram verdadeiras ou falsas. Era um tiro no escuro.

Precisávamos nos decidir logo, tempo era um luxo e nós não o tínhamos.
Deveríamos partir ao raiar do dia. Havia um cassino que precisaríamos ir antes de ir até Nahuel.

Nahuel.

Eu havia lhe ligado novamente, eu disse a ele que iríamos nos atrasar, contei sobre os lobisomens e sobre Michael. Nahuel é um bom amigo, mas eu não sou inocente para acreditar que ele não tem seus próprios motivos para estar fazendo isso. Tudo era um jogo e ninguém jogava sem ganhar nada em troca. Eu estava lutando por minha família, Alec por sua irmã e por uma vida que já lhe fora roubada antes, mas por quem Nahuel iria lutar? Talvez eu não quisesse descobrir, porque a verdade me assustaria.

Minha família também era uma peça importante, Bella havia me dito apenas alguns minutos atrás que Jasper já havia começado a treinar os Volturi e a guarda. Então os poderosos Volturi não iam se apoiar em seus lacaios desta vez? Talvez esta guerra não fosse um jogo perdido, no final das contas. Tínhamos vampiros talentosos, tínhamos os híbridos e tínhamos a Jasper. Poderíamos vencer. Eu precisava acreditar nisso.

Aquela seria uma luta de híbridos para híbridos. Monstros contra monstros. E acima de tudo, seria uma briga, uma luta, uma guerra, sobre vingança.

Eu estava em um impasse, mas Alec claramente não pensava o mesmo que eu, ele confiava em Íris, todos tínhamos um lado nesta batalha, e eu sabia que se Alec ficasse entre defender os Volturi ou sua família, ele escolheria sua família sem hesitar. Como eu poderia ficar com raiva dele por isso? Se eu tivesse a oportunidade também teria feito um acordo por minha família. Eu não julgo Íris por isso, ou mesmo Alec por confiar cegamente nela. Mas por que ele não demonstrava a mesma confiança em mim?

Você está sendo boba e infantil eu disse a mim mesma. Íris é o coração de Jane fora de seu peito, Alec vai confiar nela porque sua irmã confia. E além disso, não é como se você e Alec fossem ficar juntos para sempre, assim que essa guerra acabar, ele irá embora. E talvez seja melhor assim.

Ouvi os passos corriqueiros de Íris no andar de cima, ela estava fazendo sua mala. Nós partiríamos assim que o sol raiasse. Íris estava feliz. Nós iríamos ao cassino, buscariamos Nahuel com suas irmãs e voltaríamos para Volterra; ela voltaria para Jane. Depois do que Alec me disse, eu entendi tudo. Os olhares de Íris, o porquê ela estava tão triste com o fato de que era apenas Alec em sua porta e não Jane. Aquilo me deixava feliz. Depois de tudo que Jane passou, ela merecia um pequeno infinito para chamar de dela. Merecia alguém como Íris e mais ainda merecia ser livre. Eu não julgaria Alec por lutar por isso, por elas. Não quando eu também lutaria.

Michael estava regando uma das plantas de Íris. Qual era o problema com ele? Era difícil pensar em matá-lo quando ele literalmente era a pessoa que se preocupava com as plantas enquanto o mundo desmoronava ao seu redor.

Eu encarava a janela, Alec estava lá fora, na ponte. Esperando. Diferente de mim, Alec não era impaciente, ele sabia esperar. Havia algo sobre ele, algo que eu jamais poderia explicar, mas eu gostava de estar perto dele, de estar com ele. Era irônico. Talvez fosse a sensação de pertencimento que estar com ele me trazia, como se esse fosse meu propósito, como se meu lugar no universo fosse bem aqui, onde ele está. Talvez fosse a adrenalina desta missão, ou então, poderia ser o fato de que eu jamais vivi tudo que estava vivendo agora. Isso não importava no final de tudo. Alec ainda voltaria para os Volturi.

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