Híbridos

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Quando Alec foi até minha casa, jamais imaginei que parte de nossa tarefa incluiria tortura psicológica, mas ali estávamos, usando o medo de uma pessoa para que ela falasse. Acho que os fins justificam os meios porque Michael realmente começou a falar:

— Vocês se acham deuses, os donos do mundo, o topo da cadeia alimentar. Nós nunca fizemos nada, e sempre fomos caçados. Todo mundo sabe que Caius ama brigar, ama matar — ele olhou para Alec e arqueou uma sobrancelha. — Não é atoa que sua irmã tenha se tornado tão sádica.

Alec estremeceu ao ouvir falar de sua irmã. Qualquer pessoa acharia que aquele movimento era aleatório, que estar na presença de um lobisomem era desconfortável demais. Mas não eu. Não depois do que Alec havia me confessado na noite anterior. Ele se culpava por Jane ter se tornado o que se tornou. Eu sempre pensei em Alec como uma pessoa fria sem sentimentos, entretanto agora eu estava conhecendo outra faceta dele, uma que jamais imaginei que existia. Eu me perguntava se era errado gostar daquilo. De Alec, de nossa missão e até mesmo de Jane. Eles não eram os vilões. Não da minha história.

Michael descansou suas mãos nos braços da cadeira elegante e continuou:

— Tudo que Caius queria era uma desculpa para um genocídio. Nossa liderança não teve nem a chance de reagir. Fomos caçados e mortos, não restaram muitos lobisomens ao final daquele massacre. Porque foi isso que aconteceu, um massacre — havia raiva na voz de Michael, ela era quase física. — Nos escondemos com os últimos que haviam sobrado. Esperamos e nos fortalecemos. Tivemos séculos para isso. Séculos para transformar novos lobisomens, séculos para planejar vingança. Você sabia, Bruxo, que não tivemos nem a mínima chance de nos defender? Ao menos estamos dando isso a vocês. Algo que não nos foi concedido.

Alec passou a mão em seu cabelo.

— Talvez eu soubesse, talvez não. Quem sabe.

Ouvi a risada baixa de Íris ao meu lado.

Você não está ajudando, eu disse a Alec. Meu rosto inalterado. Não queria que nenhum deles percebesse que eu estava falando com Alec.

Alec deu de ombros sentado na cadeira à minha frente.

— Vocês se sentem tão superiores... — Michael encarou Íris — que não se importaram em destruir uma espécie inteira simplesmente porque éramos uma ameaça. Mas agora, ah, agora é diferente.

Michael repousou seu olhar sobre mim.

— Quando soubemos do seu nascimento, uma híbrida, nascida, não feita, começamos a nos perguntar se poderíamos fazer o mesmo. Se poderíamos criar híbridos que pudessem controlar a transformação, se poderíamos não ser mais escravos da vontade da Lua — seus lábios se curvaram em um sorriso. — Acho que conseguimos no final das contas.

Do que ele estava falando? Lobisomens que não seriam mais escravos da Lua? Aquilo só podia significar uma coisa; eles acharam uma forma de controlar a transformação. A única pergunta que eu fazia sem parar para mim mesma era como? Lobisomens que podiam controlar a transformação? Michael estava falando sobre mim... E se há anos atrás ninguém sabia que híbridos vampiros poderiam existir isso significava que também haviam lobisomens híbridos. Metade humano e metade lobisomem, não mais dominado pela Lua, mas por sua própria vontade.

Ah. Meu. Deus.

Se aquilo fosse verdade, o estrago que eles fariam... Eu havia descoberto em meu pequeno combate que lobisomens em sua forma humana eram tão fortes e rápidos quanto vampiros, mas e se estivessem transformados? E se estivessem em sua forma lobisomem? Quão forte eles seriam? Seria o nosso fim.

A pantera negra se levantou dos pés de Íris e começou a andar de um lado para o outro atrás da cadeira de Michael.

Ele engoliu em seco, ela o deixava nervoso, reparei.

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