Dividir para conquistar

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Eu estava sentada de frente para a janela, a lua brilhava linda no céu, mas a aurora logo começaria a surgir. Respirei fundo. Depois da sutil conversa com minha família, Aro soube de minha chegada e lá estava eu fazendo o relatório. Eu tinha uma vantagem: meu poder. Aro me achava singular e interessante, era apenas por esse motivo que era eu quem o tocava e mostrava minhas lembranças. Porque Aro tinha a plena certeza que eu só podia mostrar lembranças. Meu talento ia além disso. Eu mostrava pensamentos. Eu podia simplesmente imaginar uma memória que nunca aconteceu. Era um poder manipulativo. Aro achava que Michael estava morto. Eu não podia explicar como tínhamos um lobisomem conosco e o deixamos partir tão facilmente. Então, eu simplesmente o matei em minhas memórias. Meu plano era cheio de falhas, eu poderia ter sido pega. Ainda posso. Heméra é uma faísca de esperança.

Alec se remexeu atrás de mim. Ele não falou uma única palavra desde que ele soube o que eu estava tramando. Talvez fosse choque, talvez fosse medo, eu não sabia. Só sabia que precisava que ele dissesse alguma coisa.

— Os filhos podem ser um pouco rebeldes, às vezes — ele murmurou, analisando cada palavra. — Foi o que você disse para Íris.

Viro para ele e confirmo com a cabeça. Não era difícil de entender o que aquela frase significava.

— Heméra falou praticamente a mesma coisa — Alec continuou seu raciocínio.

— Alec… — Tentei dizer.

— Era um código, não era? — Ele me encara, seus olhos suplicando por uma resposta.

Não respondi, meu silêncio era a resposta. Vladimir e Stefan foram bem claros que haveriam outras pessoas lutando pela mesma causa em Volterra. Eu sabia que Íris era uma delas, mas não tinha a mínima noção sobre Jane e Heméra. Eu descobri sobre Jane quando ela compreendeu o assunto que Heméra estava falando. E, eu soube que Heméra estava do nosso lado, quando ela simplesmente jogou aquelas palavras sem nenhum contexto. Eu sabia que não éramos as únicas, mais pessoas estavam envolvidas nisso.

— Você poderia ter morrido, Renesmee — Alec murmurou.

— Eu sei.

— Se algo tivesse acontecido... — ele começou, mas não terminou a frase.

Me aproximei dele e segurei seu rosto.

— Mas não aconteceu, eu estou aqui.

Alec passou seus braços ao redor de meu corpo.

Você está com raiva?

Ele sorriu contra meu pescoço.

— Ah, eu sabia que você estava tramando algo e eu disse que não me importava, não disse?

— Mesmo que isso esteja envolvendo traição?

— Não é bem uma traição se minha lealdade está com você. 

Aquelas palavras se assentaram em meus ossos. Em cada célula de meu corpo. Eu sentia o peso delas.

— Quando foi que isso aconteceu? — Alec interrompeu o abraço. — Estou querendo saber disso há séculos.

Comecei a rir.

— No cassino.

— No cassino? — Ele franziu a testa.

— Os humanos bêbados não eram humanos tão irrelevantes assim.

— A mulher que abraçou você…

— Sim.

— Como?

— Ela deixou um bilhete comigo. Eu pedi a Jake que fosse encontrar os Dráculas e então, lá estava eu conspirando em uma guerra — Meus lábios formam um sorriso rebelde.

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