Alec.
Aro caminhava de um lado para o outro. Sua profunda calma visivelmente abalada. Em séculos, é a primeira vez que o vejo dessa forma. Desesperado.
Você não deve mostrar fraqueza a ninguém, nem a você mesmo.
Era o que ele sempre dizia para mim e minha irmã. Aro claramente estava ignorando seu lema pessoal hoje, porque tudo que eu via era fraqueza.
Medo.
Aflição.
Pavor.
Jane e eu somos os únicos aqui. Aro fez questão que fosse assim. Era estranho mas ele realmente confiava em nós, talvez fosse o fato de que Aro de fato havia nos criado. Eu não tinha memórias de um dia da nossa vida em que ele não estivesse lá, nós conhecíamos um Aro completamente diferente daquele que os outros conheciam. Quando éramos crianças, ele sempre nos visitava e era genuinamente gentil conosco e o fato de que sua pele brilhava era o que chamava mais a minha atenção, Jane amava como ele sempre aparecia e sumia como vento. Apesar de tudo, fora Aro quem nos salvou, contudo, tudo era parte de um propósito. Ele precisava de nós na época. Ainda precisa. E essa é a única razão porque ele nos ajudou em primeiro lugar. É a única razão porque ainda estamos aqui.
Minha irmã e eu nos entreolhamos, sei que ela está preocupada. Nós dois sabemos o quanto a situação é grave, mas ver Aro agindo dessa forma é algo absurdamente estranho e perigoso.
— Mestre — ela tenta dizer, mexendo na barra de seu vestido preto —, por que não se senta?
Aro para e sorrateiramente se vira para ela, sentando-se em sua cadeira. Ele sorriu, mas seus olhos estavam profundamente vazios e opacos.
— Eles têm híbridos — ele murmura, como se não soubéssemos dessa informação.
Ali estava um Aro que quase ninguém sabia da existência. A mera ameaça de uma derrota em uma guerra já era motivo suficiente para fazê-lo não entrar nela. Tínhamos sobrevivido todo este tempo por uma razão: Aro sabia quais batalhas lutar.
— Nós também temos, mestre — minha irmã dá um passo à frente.
— Além dos imortais talentosos que não param de chegar — completei.
— E você tem a nós, mestre — Jane faz uma sútil reverência. — Sua guarda.
Aro nos encara com seu ar superior, ele abre os braços e sorri.
— É claro, querida. Onde eu estava com a cabeça? — Ele ajeitou a postura, e de repente, não havia mais vestígios de um Aro apavorado. Tudo que eu via era um rei com uma coroa invisível pendendo em sua cabeça.
Aro desvia seu olhar para mim e continua:
— Como vocês sabem, Chelsea e Corin foram levadas... O parceiro de Chelsea está incontrolável, preciso que vocês cuidem dele.
Minha irmã sorriu alegremente, mas eu podia ver por trás daquela máscara. Jane odiava bancar a submissa de alguém que não era Íris.
— Claro, mestre — ela responde. — Será um prazer, como de costume.
Dou um passo à frente e coloco as mãos de forma cruzadas nas minhas costas.
— Perdoe a minha indiscrição, mestre, mas o que faremos em relação as esposas? — Pergunto calmamente.
Aro levanta as sobrancelhas, por um momento ele vacila e posso ver o Aro novamente. Não um de nossos líderes. Não. Apenas Aro. Entretanto, isso não dura mais do que uma fração de segundos, eu poderia facilmente ter imaginado isso, mas sei que não.
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Lua Negra
FanfictionUma nova guerra se aproxima, e dessa vez os Volturi serão obrigados a pedirem ajuda ao segundo clã mais poderoso do mundo: Os Cullen. Vampiros estão morrendo a cada dia mais. Os lobisomens retornaram, não os metamorfos Quileutes aliados dos Cullen...
