O sol nascia no horizonte quando Marcus por fim jogou a cabeça de Aro no chão.
— Eu ainda não acabei com você, irmão — ele disse com uma animação que eu jamais ouvi em sua voz.
A cabeça rolou para bem longe.
Marcus sorriu, algo sobre o sorriso dele me deixou surpresa. O Volturi nunca sorriu daquele jeito. Não que eu lembrasse, não que Carlisle lembrasse. Meu avô sempre disse que Marcus não via sentido em viver, não depois que Didyme se fora. Eu lembrava exatamente quando Eleazar contou sobre a irmã de Aro. O Volturi a transformou supondo que ela teria um talento tão excepcional quanto o dele, e ela tinha. Mas não era a categoria de talento que Aro queria. Didyme era a própria felicidade. Corin era só uma ilusão do que era felicidade, uma sombra do que Didyme um dia já foi. Era por essa razão que Marcus era conhecido por ter tido o maior amor do mundo sobrenatural, porque ninguém no mundo havia sido tão feliz quanto ele. Marcus fora a pessoa mais feliz do mundo, e então, a mais triste. A única coisa que o manteve vivo todo esse tempo foi o poder de Chelsea. Entretanto, agora ele tinha um propósito para viver mais um pouco: vingança.
Vampiros só se apaixonavam uma única vez, e quando finalmente encontrávamos nossos parceiros era algo eterno, mais forte que a vida ou a morte. Eu gostava de nos comparar com cavalos-marinhos; um único parceiro, se esse parceiro morresse nós também morreríamos. Contudo, diferente dos cavalos-marinhos nós nunca morremos de causas naturais, ou seja, para um de nós morrer alguém precisa nos matar, e permanecer vivo quando seu parceiro foi assassinado dava uma excelente margem para planejar vingança. Assassinar o parceiro de alguém em nosso mundo era uma sentença de morte, de guerra. Um vampiro nunca iria descansar até que se vingasse da pessoa que matou seu amor. Nunca.
E Marcus, ah, ele estava apenas começando com Aro.
— Elena e Ana, recuem. Façam eles se moverem em tempo normal novamente e parem de silenciar os poderes deles — ele ordenou.
As guardas obedeceram imediatamente porque em menos de um segundo, Alec, Nix, Íris e eu já estávamos catando os membros de Jane no chão. Desesperados. Nós estávamos desesperados.
Peguei uma das mãos de Jane, meu parceiro a outra e Íris correu até nós segurando a cabeça dela. Apressadamente, Alec e Íris começaram a passar a língua nos membros de Jane.
Encarei para a mão macia e pálida que eu agarrava com todas as forças me sentindo uma completa inútil. Veneno reunia mais rapidamente um vampiro destroçado, mas eu não tinha nenhum veneno.
Escutei quando alguém caminhou até mim com passos tão familiares.
— Eu posso fazer isso — minha tia disse docemente ao meu lado no chão. Alice pegou a mão de Jane com todo cuidado e fez a mesma coisa que minha família estava fazendo.
À minha frente, Alec pegou o braço da irmã e conectou novamente a mão dela em seu pulso. O som que a pele fez ao se reconectar era desconfortável e, ao mesmo tempo, reconfortante, especialmente considerando que eu nunca presenciara isso de fato. Tudo que eu sabia era o que Carlisle me contava. O veneno acelerava o processo de remontagem se o vampiro tivesse perdido alguma parte de seu corpo. Ele colava praticamente tudo, exceto cabelo.
Alice agarrou o braço esquerdo de Jay e fez o mesmo que Alec fizera. Ela fez isso com mais cuidado do que eu jamais teria feito. Minha tia colocou o braço — agora completo — de Jane no chão.
— Você sabia que ele iria atacá-lo? — Perguntei-lhe. Minha tia sabia exatamente sobre o que eu estava falando.
Alice me encarou, com aqueles olhos onipotentes.
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Lua Negra
FanfictionUma nova guerra se aproxima, e dessa vez os Volturi serão obrigados a pedirem ajuda ao segundo clã mais poderoso do mundo: Os Cullen. Vampiros estão morrendo a cada dia mais. Os lobisomens retornaram, não os metamorfos Quileutes aliados dos Cullen...
