Capítulo 31

561 28 5
                                        

Maitê
Eu não o conheço. Não visualmente, pelo menos, mas meu corpo parece saber exatamente quem ele é. É como se eu o conhecesse, mas não conseguisse dizer de onde. Ele é bonito, bonito demais. Posso ver isso mesmo com a palidez de sua pele e o cansaço em seus olhos. Seu perfume, um misto de água fresca e menta refrescante, é o meu favorito, embora eu ache que jamais o tenha sentido antes. Seu rosto, talhado pelo estresse, é severo, porem suave. Seus olhos cor de mel estão tristes, mas esperançosos.
Ele me olha como se eu fosse a sua salvadora. Sinto-me perdida. Desnorteada. Tenho ouvido o que as pessoas estão me dizendo, o médico minha mãe e é impossível compreender o que estão tentando  explicar. Eu sou casada. Tenho gêmeos de onze anos. Não tenho vinte e poucos, mas trinta e tantos. É uma loucura e, se não fosse por minha mãe, a mulher em quem maus confio no mundo, retificando as palavras do médico, eu não acreditaria. Não aceitaria que estivessem preenchendo as lacunas com fábulas selvagens sobre o meu amor por esse homem e a nossa vida juntos.
Nós nos casamos poucos meses após nos conhecemos. Eu estava grávida em poucas semanas. Não sou assim. Nunca fui precipitada ou descuidada quanto a devoções definitivas. Sempre fui independente e ambiciosa. A mulher que estão dizendo que sou não se parece comigo.
Mesmo assim, esse homem que não sai do meu lado desperta algo dentro de mim. Meu coração bate mais forte quando ele está aqui e meu cérebro parece querer pegar no tranco, tentando recolocar no lugar lembranças que perdi. Seriam lembranças com ele? Eu sou mãe. Sou esposa e não tenho a menor ideia de como exercer qualquer uma dessas funções.
Tenho que ir para casa com um homem que não conheço. Tenho que cuidar de duas crianças que não conheço. Ainda assim, tudo dentro de mim diz que devo fazê-lo. O homem, meu marido, irradia conforto. Quando ele me abraçou e me deixou chorar em seu peito, subitamente não me senti mais perdida. Eu estava a salvo, mas não seu se essa sensação foi impulsionada pela minha necessidade de ser abraçada e de ouvir que vai ficar tudo bem ou se foi porque foi ele quem me fez me sentir assim. Só por ser ele.
Meu marido.
Continua...

Submissa Onde histórias criam vida. Descubra agora