William
Estamos em silêncio na sala de espera do consultório do médico da Maitê, meu pé bate nervosamente no carpete até minha mulher ser forçada a colocar a mão firme no meu joelho para me fazer parar.
William: Desculpe. (Suspiro, beijando a mão dela. Meu joelho começa a balançar de novo, a adrenalina tomando conta de mim. Não consigo parar.
É a vez da Maitê suspirar, exasperada, vindo sentar-se no meu colo, na tentativa de controlar meus tremores.
É um plano ridículo. O peso dela. A minha força. Ela começa a sacudir no meu colo como se estivesse vibrando.
Maitê: Puta merda, William.
William
Paro de tremer na hora.
William: Dá pra parar de falar tanto palavrão? (A boca suja dela não me ajuda em nada, assim como a sua insolência na forma de revirar de olhos.
Xxx: Maitê Levy
William
Alguém chama antes que eu continue a expressar meu descontentamento com ela. Olho na direção da voz e vejo o Dr. Peters parado na porta do seu consultório. Ele sorri ao ver Maitê no meu colo.
Dr. Peters: Entrem, por favor.
William
Nós dois entramos e nos sentamos de frente para a mesa dele. Eu olho para Maitê e tento avaliar seu humor mais uma vez.
Ela parece perfeitamente tranquila. Contente, até.
Dr. Peters: Como vai, Maitê?
William
Pergunta o médico, colocando os óculos e passando os olhos pelo prontuário dela sobre a mesa.
Maitê: Estou bem
William
Responde ela, pegando e apertando a minha mão.
Dr. Peters: E as dores de cabeça?
William
O Dr. Peters a olha por cima dos óculos e dá um sorrisinho ao nos ver de mãos dadas.
Maitê: Diminuíram.
William
Ele começa a tomar nota.
Dr. Peters: E quanto aos movimentos físicos? Sua coordenação, por exemplo?
William
Tudo o que vejo na minha mente é a mão perfeitamente estável da Maitê encontrando o meu sexo.
Sua coordenação está ótima, mas não posso dizer isso ao médico.
William: Ela ainda manca um pouquinho (digo, ciente de que Maitê não o fará.) E a cabeça dela ainda está frágil em torno do ferimento.
Dr. Peters: É o esperado.
William
Ele se levanta e contorna a mesa, trazendo uma lanterna clínica e curvando-se para examinar os olhos da Maitê.
Dr. Peters: E quanto às funções sensoriais?
William
Ergo as sobrancelhas e Maitê me lança um olhar recatado:
Maitê: Meu tato, paladar, olfato, audição e visão estão bem.
William
Eu lhe dou um sorriso, embora seja impróprio.
William: Eu posso confirma (Pisco para ela, deixando os músculos relaxarem pela primeira vez desde que entramos no consultório.)
Dr. Peters: Que bom
William
O médico guarda a lanterna no bolso do jaleco e examina o corte na cabeça dela, satisfeito com o que vê, antes de verificar a perna dela também.
Ele volta para a sua cadeira.
Dr. Peters: Algum avanço na memória?
William
O Dr. Peters se acomoda no assento e bate com a caneta na palma da outra mão.
Maitê dá de ombros e olha para mim.
Maitê: Uma coisinha aqui outra ali.
Dr. Peters: Não importa quão insignificante elas pareçam, são todas muito importantes.
Seus sintomas são clássicos de amnésia traumática, Maitê.
Tenho muita esperança de que, com o tempo e paciência, suas lembranças vão retornar.
O cérebro é um órgão imensamente complexo e nossa memória utiliza muitas partes diferentes dele.
No seu caso, o golpe na cabeça causou dano na estrutura do cérebro e no sistema límbico, que controla nossas emoções e a memória.
William
Paciência. Algo que veio faltando em mim.
Dr. Peters: Nós estamos obviamente concentrado em recuperar a sua memória, Maitê, mas posso perguntar como você vê o seu futuro?
William
Sinto a minha testa franzir e olho para Maitê. Ela está encarando o médico, tão confusa com a pergunta quanto eu.
Maitê: Desculpe, mas não entendi.
William
Ótimo. Nem eu. Dirijo a minha atenção para o outro lado da mesa e encontro o doutor sorrindo outra vez.
Esses sorrisos todos estão começando a me irritar.
Qual o motivo de tanta satisfação.
Dr. Peters: Pode ser difícil aos pacientes com amnesia imaginarem seu futuro quando tanto o passado está perdido.
O passado e o futuro estão profundamente ligados na nossa memória a às pessoas que fazem parte da nossa vida, então é comum o paciente ter alguma dificuldade em relação às expectativas para o futuro.
William: Maitê não está tendo dificuldade com as expectativas do seu futuro. (Palpito. Incapaz de me conter. O que ele está sugerindo?
Pela primeira vez, o médico parece desconfiado de mim. Bom mesmo.)
Dr. Peters: Maitê?
William
Diz ele com os olhos fixos em mim.
Maitê: Eu não vejo o meu futuro.
William
Ela responde em voz baixa, e olho para ela, profundamente magoado e muito preocupado. O quê?
Maitê: Eu sinto mais do que vejo.
Com o William e com os gêmeos.
É difícil explicar.
No início, estava amedrontada e confusa.
Eu não o conhecia.
William
Eu me encolho na cadeira e começo a esfregar a testa.
Maitê: Mas não demorou pra eu perceber que o conheço, sim.
Todos os meus sentidos o reconhecem, mesmo meu cérebro não. E quanto aos meus filhos, sinto que falta uma parte enorme de mim agora e não são as lembranças. São eles. É a presença deles.
William
Fecho os olhos e engulo, sentindo os olhos do médico em mim, julgando-me.
Juro que se ele fizer um comentário que seja sobre a forma como estou lidando com isso, vai voar daqui para o outro lado do hospital.
Dr. Peters: Eu compreendo
William
Reponde voltando às suas anotações.
Dr. Peters: Quando as crianças voltam para casa?
William: Estão a caminho nesse momento.
Dr. Peters: Isso é muito bom.
Quanto mais rápido Maitê voltar à vida normal melhor.
A rotina é fundamental.
Tente inserir algum tempo para o relaxamento na sua rotina.
Existe algumas formas pra seguir em frente.
Eu recomendaria um terapeuta ocupacional, que pode trabalhar com vc pra adquirir novas informações que substituam algumas perdidas.
Um assistente pessoal digital pode ser útil também, para ajudá-la no dia a dia.
William: Ela não precisa de um assistente pessoal. Ela tem a mim.
Dr. Peters: Sr. Levy, o senhor não está me entendendo.
Estou falando de algum tipo de equipamento.
Um telefone ou tablet.
Há alguns aplicativos muito úteis que seriam ótimos pra Maitê.
Maitê certamente vai querer recuperar sua independência.
Ela pode esquecer coisas pequenas, coisinhas que aconteceram no dia anterior ou mesmo uma hora antes.
É comum.
William
Houve poucos momentos em que ela esqueceu coisas.
Pequenos detalhes.
Coisas que comentei e que desapareceram da mente dela e tive que contar outra vez.
Dr. Peters: Com a ajuda de um smartphone ou coisa do tipo, Maitê pode adicionar lembretes de compromissos importantes, fazer anotações que podem ajudá-la com as tarefas diárias.
Estou certo de que ela não quer ter que contar com vc para tudo e é importante para ela ter um senso de autoconsciência e valor.
Ela tem que voltar para a vida normal, com ou sem as memórias.
William: Está sugerindo que eu simplesmente a deixe processar isso tudo sozinha? (O homem é um imbecil.
O dr. Peters sorri e eu estou muito perto de arrancar esse sorriso do rosto dele a tapa.
Dr. Peters: Sr. Levy, se há uma coisa de que eu tenho certeza, é que vc nunca vai deixá-la processar isso tudo sozinha, mas é necessário dar a ela espaço para respirar.
William
Com isso ele se levanta e é preciso muita força de vontade da minha parte para não pular para o outro lado da mesa e nocauteá-lo.
Ele está fazendo graça?
Dr. Peters: Quero vê-la de novo em algumas semanas, Maitê.
Dê uma olhada no material que passei para o seu marido.
Existe grupos de apoio disponíveis, pessoas com quem pode conversar que estão no mesmo barco.
Discutiremos isso na próxima consulta, depois que vc estiver tipo a chance de ler todas as informações.
William
Grupo de apoio?
Conhecer gente nova que a entenda?
Estou detestando isso tudo mais e mais a cada minuto.
Ela não precisa de gente nova, ela tem a mim.
Eu sou seu apoio.
Maitê se levanta antes de mim, encorajando-me a fazer o mesmo.
Maitê: Obrigada.
Dr. Peters: Não há de quê.
William
Eu não agradeço e saio em silêncio, com a cabeça girando.
Espaço para respirar?
Isso nunca foi meu forte e é algo com que Maitê já se acostumou.
Eu sou como sou, e mudar se provou algo complicado desde o momento em que ela surgiu.
Já tentei lutar contra isso, mas tinha esperança de que seria algo temporário.
De que nós retornaríamos ao nosso normal em breve.
A perspectiva de ter que me adaptar e mudar permanentemente o meu jeito é assombrosa.
E eu me pergunto se sou capaz.
Em que pé isso nos deixa?
Continua...
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Submissa
FanfictionEle a quer e esta determinado a te-la. Maitê sabe que está prestes a entrar em um relacionamento intenso e conturbado, mas o que fazer se ele não a deixa ir? ⚠️ Plágio é crime ⚠️ Essa história é de minha autoria.
