William
Relaxa. Fique calmo. Então, vejo a minha esposa.
William: Que porra é essa, Maitê? (A frase escapa da minha boca, mas, que merda é essa que ela está vestindo? Fico boquiaberto, observando o vestido vermelho curtíssimo, cada centímetro dele. Não preciso de muito tempo.)
Maitê: O que foi?
William
Ela alisa a frente do vestido com as mãos. Fico aguardando algum sinal de espanto quando ela olha para a peça, que se agarra ao seu corpo delicado, pensando que talvez não tenha se dado conta do tamanho do vestido, por não ter se visto no espelho de corpo inteiro que fica no nosso closet. Mas o susto não vem. Apenas uma expressão interrogativa, que me vê tremer no lugar. O que foi? O que foi? Vamos começar pelo comprimento daquela coisa.
William: Onde encontrou isso?
Maitê: Estava no fundo do meu armário.
William
Eu bufo. No fundo do armário dela, escondido de mim. Quando foi que ela o comprou? Quando estava planejando usá-lo? Merda, será que ela já o vestiu?
William: Vc não vai mestiça assim. (Ela inclina a cabeça, fazendo seus cabelos longos roçarem um de seus seios semi exposto.)
Maitê: Sim, eu vou.
William: Só por cima do meu cadáver em decomposição, Maitê. Vc e eu temos um trato (digo a ela, marchando em sua direção, decidido a levá-la de volta para o quarto. Os olhos dela me seguem até eu estar diante de seu rosto confuso.)
Maitê: Que trato?
William: Vc veste o que eu escolho. (Pego-a pelos ombros para fazê-la dar meia-volta, mas ela se desvencilha, zombando de mim.)
Maitê: Estou mudando o trato (diz ela, ajeitando um dos brincos. Como é? Eu vôo escada abaixo atrás dela.)
William: Vc não pode mudar o trato.
Maitê: Acabei de mudar.
William
Maitê desaparece na direção da cozinha enquanto eu término de descer os degraus a cento e sessenta quilômetros por hora, derrapando na curva para chegar até ela.
Encontro-a pegando a bolsa na bancada da cozinha. Seu rosto está implorando para que eu a desafie. Ah, mas eu vou mesmo desafia-la. Ela não me conhece?
William: O vestido sai. (Ela ergue o tecido ainda um pouco mais sobre as coxas e eu me crispo diante da insolência dela. E atrevimento. E coragem.
Maitê: O vestido fica.
William
Ela se olha mais uma vez. Ele se ajusta nos lugares certos.
Ela não precisa de um vestido que se ajuste. O que ela precisa é de pelo menos uns sentimentos a mais de tecido. Normalmente, ela sabe que eu não me responsabilizo pelos meus atos se algum babaca fizer algum comentário impróprio ou rude, e as chances de algo assim acontecer se ela estiver usando um vestido como este se multiplica por um milhão.
Maitê: O que vc vai fazer?
William
Mais uma provocação e tenho que refrear fazer o que já fiz. Vou até a gaveta e procuro algo. Esse vestido mal cobre o traseiro dela.
Maitê: A tesoura fica na outra gaveta
William: Ela diz, prática, quase casual.
William: O que? (Quase decepo meus dedos ao fechar a gaveta com força, virando-me para encará-la. Como ela sabia que eu estava procurando a tesoura?
Com a expressão neutra, ela ergue o braço e aponta.
Maitê: Naquela gaveta.
William
Não estou mais tremendo de raiva, mas de excitação. Eu me esforço a agir com algo próximo à diferença. É muito difícil. Isso é descomunal. Movo lentamente até a gaveta e a toco tirando meus olhos dela.
William: Está aqui? (Ela confirma com a cabeça e eu abro a gaveta, procurando a tesoura às cegas. Tirando-a de lá, fecho a gaveta. Ela estão franze a testa.)
Maitê: Por que está procurando a tesoura, afinal?
William
Eu me recuso a deixar que sua confusão repentina me derrube. O que acaba de acontecer foi mais um raio de esperança. Brandindo-a no ar, aponto para o vestido vermelho e faço movimento como se o estivesse cortando.
William: Vai tirar o vestido ou terei que cortá-lo? (Inclino a cabeça, um pouco sério, mas muito mais brincalhão. Verdade seja dita, eu a deitaria usar o vestido agora. Meu humor melhorou bastante.
As peças do quebra-cabeça se encaixam na mente dela e seu queixo cai.
Maitê: Vc cortou meu vestido?
William
Suas mãos pressionam as trêmporas, como se ela quisesse espremer as lembranças para a frente da memória.
Maitê: Que espécie de babaca é vc?
William: O que vc ama (caminho à frente, tesourando o ar, um sorriso ardiloso nos lábios.) Tire o vestido.
Maitê: Vá se foder, William.
William
Maitê está absolutamente ultrajada. É uma delícia.
Maitê: Eu deixei mesmo vc fazer isso?
William: Sim. Vc estava distraída demais pela minha beleza estonteante para notar o que eu estava fazendo até ser tarde demais. (Ela RI)
Maitê: Eu jamais conheci um homem egocêntrico assim.
William: Já conheceu, sim. (Aproximo mais um pouco, pronto para atacar quando ela escapa.) E vc se casou com ele.
Maitê: Eu devia estar louca.
William
Eu não me sinto ofendido, não permito que a afirmação me perturbe, já que não há a menor convicção no que ela diz. Apenas desejo.
William: Completamente louca (sussurro, aumentando o sorriso quando ela começa a andar para trás, tentando manter a distância entre nós.)
Maitê: Completamente louca
William
Murmura ela, com os olhos turvados pelo tesão.
Maitê: Vc é o louco aqui.
William
Suas costas encontram o balcão e ela não tem mais para onde fugir. Eu a alcanço e pressiono meu corpo contra o dela, baixando a boca até a sua orelha.
William: Tire-o
Maitê: Não
William
Ela está me provocando só pela brincadeira, está jogando o meu jogo. Ela sabe que, de um jeito ou de outro, o vestido vai sair.
William: Vc está merecendo uma transa de castigo. (Surpresa, ela ergue o olhar para o meu, minha promessa arrancando-a do transe. Na mesma hora tenho vontade de me espancar. Passei do ponto?
Maitê RI em algum lugar entre a perplexidade e a diversão.)
Maitê: Que diabo é uma transa de castigo?
William
Sinto o calor nas minhas bochechas, que não passa despercebido por Maitê, cujos olhos saem do meu rosto para os meus olhos. Há tantas coisas alucinantes para ela compreender. Chegou a hora de lhe contar sobre as transas. Enquanto os estilos de transa a que submeto minha esposa eram perfeitamente estabelecido entre nós, nunca imaginei como elas soariam aos ouvidos de um estranho. Maravilha. Então, vamos ter uma conversa sobre transas. Por que eu não mantive a minha boca fechada e não concentrei em tirar o vestido dela?
Respiro fundo, desconfiado de seu meio sorriso, que pode desaparecer em um minuto.
William: Não quer se sentar?
Maitê: Preciso?
William: Provavelmente (admito, saindo da frente dela. Maitê vai até uma cadeira e senta-se, os olhos jamais deixando os meus.)
Maitê: Então... A transa de castigo?
William: É como uma punição, eu acho. (Encolho os ombros e solto a tesoura.)
Maitê: Vc me castiga?
William
Maitê está horrorizada, e todas as razões pelas quais eu me preocupava em ter essa conversa se confirma.
William: Sim, mas vc gosta.
Maitê: Eu gosto de ser punida?
William
Droga. Como posso explicar isso de forma que faça um minimo de sentido?
William: É um jogo (começo, mordiscando o lábio antes de prosseguir.) Um jogo de poder. Você sempre faz pra me agradar. (O que isso está parecendo?) As algemas...
Maitê: Algemas?
William: Tudo faz parte do jogo.
Maitê: Quem tem o poder?
William: Eu. Sempre eu.
Maitê: Mas algo me diz que na verdade sou eu.
William
Afirma ela, com os lábios contra os meus, e eu sorrio como um desvairado, porque ela tem razão.
William: Pode ficar dizendo isso a si mesma, mocinha. (Acaricio o nariz dela com o meu.)
Maitê: Então vc me castiga.
William
Ela pega as minhas mãos do próprio e entrelaça nossos dedos.
Maitê: Por quê?
William: Por não fazer o que eu mando. E às vezes eu uso a transa de lembrete, apenas pra te lembrar qual é seu lugar. (Seus olhos se arregalam mais ainda e ela apenas me encara.)
Maitê: Castigo. Lembrete. Todas são adoráveis.
William
Há tanto sarcasmo na voz dela.
Maitê: Quais outras transas nós temos?
William: Eu acho que sua favorita é a transa da verdade.
Maitê: Por quê?
William: Bem, é vc quem me algema, geralmente enquanto eu durmo. (Olho feio para ela. Não posso evitar.) E usa a sua posição de poder para extrair alguma informação de mim. (Ela ergue uma sobrancelha e seus olhos me avaliam. Está imaginado como seria me algemar. É tão excitante quanto aterrorizante. Especialmente quando ainda há tanto para ela aprender sobre nós. Eu decido aqui e agora, a sinceridade, que detestaria se Maitê me aplicasse uma transa da verdade outra vez. Faço uma nota mental de encontrar as algemas e esconder num lugar onde ela não consiga achar.) E depois há a transa de desculpas.
Maitê: Quem pede desculpas?
William: Vc.
Maitê: Pelo quê?
William: Normalmente por ser rebelde. (Ela RI de novo)
Maitê: Como usar um vestido impróprio?
William: Exatamente.
Maitê: Então, vai me fazer pedir desculpas?
William
Não há o que eu gostaria mais. Meu sexo grita para que eu diga sim.
William: Acho que vc ainda não está pronta pra isso.
Maitê: Por quê? O que vc me força a fazer?
William: Seu rosto se transtorna mais a cada segundo.
Força-la? Eu não a forço a coisa alguma. Jamais sonharia com isso. Aperto os lábios. Devo parecer um monstro. Tusso e baixo os olhos para minha braguilha. Maitê solta do banco.)
Maitê: Vc só pode estar de sacanagem comigo, Levy!
William
Mais centelhas, maus vida. Ela me chamou de Levy. Ela do me chama assim quando está muito brava comigo. E o que faço quando ela fala palavrões?
William: Olha a boca, porra! (Berro, fazendo-a recuar com o volume.)
Maitê: Vá se foder!
William
Dispara ela, saindo furiosa da cozinha.
Nossa, eu a amo tanto. Corro atrás dela, ouvindo-a vociferar e xingar escada acima.
William: Maitê! (Chamo subindo três degraus por vez.)
Maitê: Foda-se! Vc é um hipocrita, Levy! Olha a boca? Por que não olha a sua?
William
Noto um ligeiro mancar nos seus últimos passos.
William: Vc me chamou de Levy! Vc só me chama de Levy quando está muito brava comigo. (Ela se vira devagar, o rosto pensativo entrando no meu campo de visão.)
Maitê: Então imagino que devo te chamar de Levy o tempo todo.
William: Algumas vezes por dia, na maior parte das vezes, vc agrada meu lado carente. (Entendo a mão a ela, resignando-me no fato que, por hoje, o vestidinho pode ficar. Ela vai ter que me segurar se algum pervertido resolver olhar para ela com segundas intenções.) E a coisa que eu mais preciso é vc. (Seu corpo relaxa com um suspiro sonhador.)
Maitê: E então vc fica todo romântico.
William: Sou conhecido por ter meus momentos.
Maitê: Como por exemplo...
William
O interesse na voz dela me excita. Ela quer mais informações e eu fico mais do que feliz em proporcioná-la.
William: Nós temos transas românticas também, sábia?
Maitê: Que alívio!
William: Temos a transa sonolenta ao cair da tarde. E a transa sonolenta. E a transa de compromisso. Tivemos muitas dessas quando você estava esperando os gêmeos.
Maitê: O que significa uma transa de compromisso?
William: Ligeiramente rústica e bastante gentil. E, que fique registrado, mocinha, era vc quem queria a parte rústica. (Apenas confirmo quando ela sopra uma brisa leve de um riso surpreso, cheio de ar.) E ai temos a transa silenciosa. Normalmente quando ficamos na casa dos seus pais. (A risada leve se transforma em gargalhada.)
Maitê: Vc tapa a minha boca, não é?
William: Vc não consegue ter prazer em silêncio, Maitê. O que quer que eu digo? (Encolho os ombros e faço uma expressão convencida. Ela balança a cabeça, desalentada.)
Maitê: Continue
William
Subo um degrau, o que nos deixa olho a olho.
William: A transa de pedido de casamento foi particularmente romântica.
Maitê: Vc me pediu em casamento durante o sexo?
William: Na verdade, vc estava algemada à cama e não te libertei até vc aceitar. (Ela agora está quase caindo de tanto rir. Eu sei que é muito para processar, mas pelo menos ela está rindo e não furiosa.)
Maitê: Não acredito no que estou ouvindo.
William: Acredite, baby. Mas se te faz sentir melhor, eu te pedi em casamento uma segunda vez. De joelhos, na frente dos seus pais.
(A satisfação floresce diante dos meus olhos. Ela está enlevada e suas mão pousa sobre o peito. Isso a deixa feliz. Eu sei o quanto a opinião dos pais significa para ela. Tento ne comportar na presença deles. Tanto mesmo.
Nem sempre sou bem-sucedido, mas ainda assim é a intensão que conta.)
William: Era meu aniversário. Vc não podia dizer não.
Maitê: Espere. Por que vc me pediu em casamento duas vezes?
William: Nós nós desentendemos.
Maitê: É mesmo? Não consigo imaginar o que poderia ter causado um desentendimento entre nós.
William: Sarcasmo n...
Maitê: Não me cai bem. Já sei. Por que me pediu em casamento duas vezes?
William: Podemos voltar às transas?
Maitê: Conte.
William: Não importa. Saiba apenas que eu me puni e vc também me puniu. (As peças se encaixam de novo e ela recua, como se um golpe físico pudesse atingir-la.)
Maitê: Vc me traiu enquanto estamos noivos?
William: Não! Vc descobriu quando estávamos noivos. É por isso que eu fiz o pedido uma segunda vez. Da maneira correta. Eu estava tentando te mostrar que eu poderia ser o homem de que vc precisava, assim como o homem que vc queria.
Maitê: Ah. (É sua única reação.
William
Que bom. Seguimos em frente. Para a transa mais utilizada da nossa vida.)
William: A transa perigosa é a nossa favorita hoje em dia.
Maitê: Qual é essa?
William: Quando as crianças estão por perto. (O sorriso dela voltou, assim como o meu.) Podemos ir jantar agora?
Maitê: Depende.
William: Vc pode usar essa merda de vertido estúpido. (Ela abre um sorriso vitorioso e enlaça meu pescoço com os braços.)
Maitê: Não foi difícil, foi?
William: Ainda não saímos de casa. E vc deveria ter calçado sapatilhas em vez de sapatos de salto. Eu vi vc mancando.
Maitê: Eu não estava mancando.
William: Vai discutir comigo?
Maitê: Sim.
William
Roço o nariz no dela.
William: Está usando renda por baixo dessa coisinha vermelha?
Maitê: Não tive muita escolha. Não há nada além de renda na minha gaveta de calcinhas.
William: Ótimo. (Eu a levo para fora e a acomodo no meu Aston, passando o cinto de segurança em torno dela. Ela não protesta, deixando que eu faça meu trabalho de afivela-la.) Estamos atrasados (digo olhando meu Rolex enquanto fecho a porta e contorno o carro. Sentado no banco do motorista, dou a partida e acelero algumas vezes.)
Maitê: A culpa é sua por ter que explicar tantas transas.
William
Maitê abaixa o espelho e aplica um pouco de gloss nos lábios.
Maitê: A propósito, qual é a sua preferida?
William
Dou uma gargalhada ao mesmo tempo que ligo o som do carro.
William: Todas, menos da verdade (Aumento o volume e saio a mil, lembrando a mim mesmo de encontrar aquelas algemas e escondê-las.)
Continua...
VOCÊ ESTÁ LENDO
Submissa
FanfictionEle a quer e esta determinado a te-la. Maitê sabe que está prestes a entrar em um relacionamento intenso e conturbado, mas o que fazer se ele não a deixa ir? ⚠️ Plágio é crime ⚠️ Essa história é de minha autoria.
